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27 - Andy e Johnny
sábado, 13 de junho de 2009


Antes das dez horas a notícia da morte da garota já havia se espalhado por todo o St. Jimmy e só agora o céu, nublando, parecia concordar com o sentimento que afligia à todos . No entanto, as árvores impediam que Johnny e Charlie vissem isso, os dois conversavam:
-Ok, isso é a porra toda que você tem?
-Meyer fez xixi na cama de novo, mas não achei isso importante – antes que houvesse resposta contudo, outro garoto apareceu no bosque; era alto, corpo perfeitamente esculpido, como um Davi de Michelangelo, cabelos negros e cacheados, nariz grande e olhos espertos:
-Johnny, Andrew Jordan quer lhe ver. - A menção desse nome causou um ligeiro nervosismo em Charlie.
-Ok, mande entrar David, já terminamos aqui.
Imediatamente Andy saiu de trás de uma árvore, uma lufada de ar fez as folhas farfalharem, o garoto manteve os olhos fixos em Charlie até que esse saísse de seu campo de visão. Johnny tomou a palavra para si, como tão bem fazia:
-Mais um a me culpar pela morte da garota? – tinha uma elegancia britânica em seus modos e sua voz, até o sotaque fazia parecer que estava com uma grande batata em cada uma das bochechas – Ela era sua namorada, não?
-Não – Andy esperava que a resposta servisse para as duas perguntas, Johnny apresentava um ar interessado, como se os problemas daquele fossem a coisa mais importante para ele. - Tenho um acordo para propor.
-Todos tem, me fale mais.
-Sneer está perdido, e creio que se alguém não está é você. - Ele esperava que o elogio ajudasse, mas Johnny estava achando tudo aquilo apenas mais um jogo divertido.
-Na verdade, ser a oposição é sempre mais fácil. Você nunca precisa realmente provar se tudo o que diz é verdade, mas supondo que seja, o que tem a me oferecer? Espero que não seja o que estou pensando, porque gosto de mulher. - E riu como somente ele sabia fazer.
Andy tirou um objeto do bolso que fez a risada parar de súbito e os olhos de Johnny brilharem como os de uma criança no Natal. Sua feição mudou radicalmente, agora estavam fazendo negócios:
-Sente-se, temos muito a conversar.
-Pensei que tivesse uma festa a organizar. - Era a vez de Andy se divertir, ele tinha a vantagem.
-Minha crianças cuidam disso, agora aos negócios.

E um trovão anunciou ao longe o que estava prestes a acontecer.

Música: Johnny Be Good - Chuck Berry

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26 - Lyla e Andy
quarta-feira, 10 de junho de 2009


Little e Andy estavam juntos, ela vestia um vestido muito branco e ele um elegante terno preto; se fitavam apaixonadamente e sem pressa alguma, ali seus problemas pareciam sumir. Suas cabeças foram sincronizadamente se aproximando, ele fechou os olhos aguardando o iminente beijo, mas este nunca veio. A pequena começou a gritar numa voz esganiçada e desafinada, o que o fez sentir-se culpado.
Andy acordou lentamente e viu um garoto sair correndo aos gritos do campo. Demorou para perceber o que acontecera, onde estava e porque se sentia daquele jeito, tão culpado, tão podre, tão triste.
Levantou-se. Estava sujo, terra, suor e sangue se fundiam num pouco agradável resultado, mas ele não parecia se importar. Caminhou mecanicamente até o prédio principal, tentando alienar-se da alegria dos pássaros que cantavam ou do sol que começava a banhar-los preguiçosamente; no meio do caminho encontrou a meiga Lyla com um desacordado Myer em seus braços. A garota logo se mostrou preocupada:
-O que houve? Você está bem?
-Não, nem um pouco – ele tentava se manter forte – Temos, temos mais uma morte. - De preocupada a feição de Lyla tornou-se temerosa e vazia, mordeu a parte inferior dos lábios e arregalou os olhos sem no entantou olhar para lugar algum se não para dentro de si mesma. Andy prosseguiu falando mais para si mesmo do que para a abstraída garota dos cabelos cor d'ouro. - Little Yuki, ontem no bosque. Fomos atacados por trás, nada pude fazer, desmaiei imediatamente e quando acordei lá estava ela, como um anjo, sangrando na garganta, já sem vida.
Lágrimas doces começaram a correr pela face de Lyla, Andy no entanto se mostrava incrívelmente forte:
-Já enterrei-a, avise a seu amigo Sneer. Vamos.
Apanhou sem muito jeito o inerte Meyer e carregou-o, acompanhando Lyla até o alvíssimo prédio principal. Lá em cima um garoto espiava pela janela, sem pensar duas vezes ele ergueu o dedo médio e passou pela porta a tempo de fingir não ver Linda saindo por uma das janelas.

Música: Tears in Heaven - Eric Clapton

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