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34- A festa
quarta-feira, 1 de julho de 2009


Lyla estava colorida em preto e branco. Suas tranças pegavam fogo, mas este não se alastrava pelo resto do corpo, apenas queimava ininterruptamente a trabalhosa trança. Seus olhos congelavam, sendo difícil girá-los na órbita, a luz caia ameaçadoramente por ela e o som fazia tremer sua cabeça, dobrando tudo a sua vista.

As mãos de Linda se metamorfosearam em pinças, que em nada ajudavam-na a nadar contra o líquido dourado que começava a inundar o local. Assim que o este atingiu uma altura considerável, suas pernas se tranformaram num longa cauda escamosa: ela era agora uma sereia.

Sneer rastejava atrás do ouro, mas grilos e seus incessantes cantorios tentavam impedi-lo. O garoto seguia obedientemente o caminho indicado pelas luzes, fugindo dos olhares furiosos que o cercavam.

Meyer havia tirado a roupa, a pele de cordeiro começava a esquentá-lo e os comensais da morte não gostariam nada disso, quando descobrissem iriam atrás dele, precisava urgentemente de uma varinha.

O fogo adquirira vontade própria e fugira da sua trança, contudo, agora todo o local estava em chamas, que a loira tentava apagar, numa luta perdida contra os poderosos holofotes. O desespero começou a acometê-la, tudo tremia, o som golpeava sem dó seus frágeis ouvidos; tinha que fugir.

Linda nadava tranquilamente no adorável líquido dourado, iria afogar um por um seus inimigos, sem dó, agarrava-os com suas pinças e uma vez na profundeza do ginásio, aplicava-lhes seu fatal veneno, só precisava cuidar para que ninguém sentisse falta deles; iria fugir. Mas não o fez, não porque havia mudado de ideia, mas sim pelo fato do mar dourado ter se solidificado e ela ficado presa lá no meio, sem conseguir mover-se. Iriam descobri-la.

Da escuridão surgiram caçadores de ogros, carregando suas lanternas fluorescentes eles pareciam saber o que Sneer havia feito. Precisava fugir, se esconder. Chifres cresceram no topo de sua cabeça e o garoto começou a golpear fatalmente os inimigos, não seria vencido com tanta facilidade.

As luzes se apagaram e Meyer tratou de correr o mais rápido que pode para debaixo das mesas. Os comensais apareceriam a qualquer momento, precisava daquelas poções, mas qual seria a polissuco? Na primeira oportunidade que teve, driblou os trasgos e tomou tantas garrafas quanto conseguiu: funcionara, estava invisível, agora era só fugir.

O fogo voltara para Lyla, mas agora ele encharcava a garota sem no entanto ousar queimá-la, era uma sensacão estranha, um duelo entre seus sentidos. Na escuridão, a loira brilhava chamativamente. Se não conseguisse apagar-se, todos descbririam a verdade, Linda saberia de tudo.

A ruiva ainda estava presa, mas não por muito tempo, devido a alta volatilidade que adquirira, logo iria evaporar, seu cérebro e sua alma sairiam pelos seus poros. Ao longe avistou um cavaleiro branco, a esperança retornou a suas entranhas, estava salva.

O calor começava a sufocar Sneer, o ar se tornara irrespirável, mesmo com os caçadores derrotados, sua vida corria risco, teria que alcançar a porta e para isso precisaria cavar.

Meyer corria para porta, derrubando como pinos de boliche qualquer um que entrasse em seu caminho. Seus duendes de estimação festejavam a vitória dentro de sua cabeça. No entanto eles teriam que morrer, e o só o ar puro faria isso por ele.

O fogo cessara, mas parecia ser tarde demais. Um grande palhaço e um binóculo alado vinham na direção de Lyla. Ao chegarem o primeiro disse palavras sem nexo que fizeram-na rir. Em seguida fugiu e a loira o seguiu. Ele não escaparia de novo.

Uma árvore começou a segui-los, mas o cavaleiro branco parecia não se importar com isso. Linda tentava escapar de suas sombras, sua cauda agora eram uteis asas que permitiam-na voar acima da confusão. Seguiu a luz e chegou sem dificuldade a porta: estava livre, só precisava correr.

Cavar não funcionara, então Sneer começou a passar pela multidão dando cambalhotas; não demorou muito para que encontrasse a saída e pudesse voltar a respirar. Ao longe três massas de modelar corriam desembestadamente.

Um árvore de Natal estava parada na saída. Quando esta começou a se mover, Meyer a seguiu. Já lá fora os duendes abandonaram sua cabeça. Os comensais da morte nunca o encontrariam, tudo ficaria bem.


Música: Tomorrow Never Knows - The Beatles

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32 - Johnny e Sneer
sábado, 27 de junho de 2009


Os dias até a festa não tardaram a chegar. A chuva se aproximava do St. Jimmy com cada vez mais frequência, sem no entanto cair uma gota, tudo apenas um blefe do ceu. Assim como as ameaçadoras nuvens, Johhny passou a sair de seu selvagem escritório, devido aos preparativos para a grande noite, o garoto era visto por vezes na quadra, no campo, e na piscina; quando não lá estava, se encontrava com seus fiéis escuderos Andy Jordan e David Courtney, o primeiro sempre carregando seguramente consigo um pequeno e misterioso objeto metálico que já era alvo de comentários curiosos.
Diferentemente dos dias anteriores, na véspera da festa o trabalho havia diminuido, tanto que Johnny descasava feliz em sua rede, observando Lyla sumir em meio às árvores; a garota estivera estranha ultimamente, deveria ser culpa da lua cheia, julgou ele.

O intervalo que teria entre a saída da loira e a chegada de Andy era de apenas 5 minutos, precisava ter certeza de seus palpites, o viúvo se mostrara mais esperto que o desejável e não cairía em truques bobos.
Um quebrar de folhas secas anunciou o que ele esperava, levantou-se esperando ver Andy, mas era um colorido Sneer quem lá estava. A parte zombeteira de Johhny logo veio a tona:
-A que devo a honra de tão ilustre presença em meu humilde lar, madame? - A curiosidade era verdadeira, ele não tinha a mínima ideia, apenas vagos palpites.
-Queria compartilhar tão agradável presença. - Sneer também sorria, levantando uma das bochechas e cerrando um dos olhos, que desaparecia embaixo da franja de cabelos lisos e limpos.
-Ainda não enjoou dessa porra de ironia? - E riu fedidamente
-Ainda não enjoou dessa cara feia?
-Trate de dizer logo o que quer porque a merda da sua roupa está começando a me embrulhar o estômago.
Eles poderia continuar o duelo de gentilezas o dia todo, mas Sneer resolveu ir logo ao assunto:
-Deixe Lyla em paz. - Não era um pedido.
-Por que mesmo? - Johnny estava de pé, a poucos centímetros do colorido garoto.
-Tão logo o frio chegue, tão logo minha bondade passe, você irá precisar de mim, pra comer, para dormir. Seria uma pena se eu estivesse indisposto. - Seus olhos agora estam colados nos de Johnny, faíscas chegavam a saltar, a adrenalina subia a sua cabeça. Num rápido movimento o pálido rapaz inclinou a cabeça para frente, Sneer aguardou o golpe, mas tudo que ganhou foi um barulhento e molhado beijo na bochecha. Em seguida Johnny falou:
-Eu durmo com as garotas.
- Isso, é o que veremos, fica o aviso. - Sneer ia se virando para sair, mas parou ao chamado de Johnny que tinha a mão estendida:
-Pegue, para dar sorte. - Em sua mão repousava um pequeno trevo de quatro folhas que foi prontamente agarrado e sucedido por um esclarecedor olhar. Confuso Sneer se foi.


Música: Old Friend - Rancid

Glue Girl - Download: http://rapidshare.com/files/249044622/05Nikola_Sarcevic_-_Glue_Gril.mp3.html

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27 - Andy e Johnny
sábado, 13 de junho de 2009


Antes das dez horas a notícia da morte da garota já havia se espalhado por todo o St. Jimmy e só agora o céu, nublando, parecia concordar com o sentimento que afligia à todos . No entanto, as árvores impediam que Johnny e Charlie vissem isso, os dois conversavam:
-Ok, isso é a porra toda que você tem?
-Meyer fez xixi na cama de novo, mas não achei isso importante – antes que houvesse resposta contudo, outro garoto apareceu no bosque; era alto, corpo perfeitamente esculpido, como um Davi de Michelangelo, cabelos negros e cacheados, nariz grande e olhos espertos:
-Johnny, Andrew Jordan quer lhe ver. - A menção desse nome causou um ligeiro nervosismo em Charlie.
-Ok, mande entrar David, já terminamos aqui.
Imediatamente Andy saiu de trás de uma árvore, uma lufada de ar fez as folhas farfalharem, o garoto manteve os olhos fixos em Charlie até que esse saísse de seu campo de visão. Johnny tomou a palavra para si, como tão bem fazia:
-Mais um a me culpar pela morte da garota? – tinha uma elegancia britânica em seus modos e sua voz, até o sotaque fazia parecer que estava com uma grande batata em cada uma das bochechas – Ela era sua namorada, não?
-Não – Andy esperava que a resposta servisse para as duas perguntas, Johnny apresentava um ar interessado, como se os problemas daquele fossem a coisa mais importante para ele. - Tenho um acordo para propor.
-Todos tem, me fale mais.
-Sneer está perdido, e creio que se alguém não está é você. - Ele esperava que o elogio ajudasse, mas Johnny estava achando tudo aquilo apenas mais um jogo divertido.
-Na verdade, ser a oposição é sempre mais fácil. Você nunca precisa realmente provar se tudo o que diz é verdade, mas supondo que seja, o que tem a me oferecer? Espero que não seja o que estou pensando, porque gosto de mulher. - E riu como somente ele sabia fazer.
Andy tirou um objeto do bolso que fez a risada parar de súbito e os olhos de Johnny brilharem como os de uma criança no Natal. Sua feição mudou radicalmente, agora estavam fazendo negócios:
-Sente-se, temos muito a conversar.
-Pensei que tivesse uma festa a organizar. - Era a vez de Andy se divertir, ele tinha a vantagem.
-Minha crianças cuidam disso, agora aos negócios.

E um trovão anunciou ao longe o que estava prestes a acontecer.

Música: Johnny Be Good - Chuck Berry

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18,5 - Linda e Johnny
quarta-feira, 20 de maio de 2009


Linda estava perplexa, as palavras não lhe vinham, a voz não saia, seus olhos circularam inumeras vezes pelo corpo do garoto, não por admiração e sim por espanto. Johnny quebrou o silêncio:
-Sua irmã foi mais rápida, 1 semana mais rápida. Sneer eu calculo que ainda não saiba e gostaria que continuasse assim.
-Claro, claro...mas e os olhos, cabelo, a cara, o nome?
-Tive que mudar tudo dentro do possível, mas isso não foi o problema. Você conhece minha história embora se não me engano, sua interpretação sobre o que aconteceu esteja errada. Tenho explicações, para todos os elos perdidos. Não fui eu.
Os olhos da garota estavam desfocados, refletiam a incerteza que pairava em seu cérebro. Precisava sair, precisava ficar sozinha, precisava pensar. Precisava ficar, precisava saber mais, precisava viver sua descoberta. Fez menção de se levantar mas Johnny a impediu e olhando com seus olhos intensamente azuis nos dela disse:
-Não, fique. - E tirou um baseado do bolso – Aceite, é por conta da casa.
O sol já se punha, deixando o bosque cada vez mais sombrio. Linda que acabara de recolocar as calças, agora vestia uma minúscula camiseta do AC/DC que deixava várias tatuagens a mostra, inclusive um escondido trevo de 4 folhas, na parte mais baixa do abdomen. Johnny estava de cueca e morto de fome:
-Sabe, estou pensando em dar o ar de minha graça no jantar de hoje. Não aguento mais a comida gelada que me trazem. Vá na frente, ainda não quero que Sneer desconfie de mim e tenho algumas coisas a resolver.
Quando a garota se afastou ele vestiu as calças.


Música: Times like these - Foo Fighters

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18 - Johnny e Linda
sábado, 16 de maio de 2009


Johnny estava no bosque, mais que um escritório, aquele tinha sido seu lar durante a última semana. De lá se divertia vendo Sneer ir atrás do que ele já tinha, era tudo muito claro, porém pretendia aproveitar melhor essas férias bondosamente concedidas pelo St. Jimmy. Gostava de ser o fora-da-lei, mas em breve teria que aparecer, tomar o poder. Já começara a reunir adeptos para seu plano, a guerra com Curinga estava mais uma vez iminetne. Um amassar de folhas o desviou de seu pensamento, ninguém o avisara de uma visita mas a voz pareceu confirmar suas previsões:
-Johnny?
-Lyla?
No entanto não foi a loira quem apareceu, em seu lugar havia uma furiosa Linda, que sentou-se bem a frente do garoto:
-Estava esperando minha irmã? - o brilho felino de seus olhos atingia a mesma intensidade do de seu sorriso.
-Nem fudendo, confundi a porra das vozes, estou um pouco indisposto para brigar, sua irmã me persegue, não sei se sabe. - O garoto fazia o possível para ser passível de dó. Quase conseguiu.
-Ah sim, coitadinho – Por um momento Johnny viu um sorriso de Sneer na cara da garota, decidiu mudar o assunto:
-Que bons ventos te trazem? Não foi o Curinga, foi?
- Claro que foi, ou você acha que eu viria aqui por livre e espontânea vontade?
-Seria mais agradável.
-Seria uma mentira.
-Mentiras são agradáveis. - Isso punha um fim na questão, Linda o olhava diretamente nos olhos como se o desafiasse, ele particularmente adorava isso.- Então Sneer quer saber o que eu faço aqui?
-Ele é bem controlador.
-E o que você está ganhando para vir aqui? - A garota estava dividida entre falar a verdade ou não. - Não me diga que não é nada pois eu te conheço, sua irmã tem coração, você cérebro.
- E você adora o coração dela, não é mesmo? - As palavras simplismente saíram da boca da garota, como se estivessem lá a muito tempo, somente esperando para serem .
-Prefiro os peitos, embora os seus sejam maiores. - E riu.
Foi a gaorta que mudou de assunto dessa vez:
-Então o que você faz aqui?
-Estou procurando uma bomba. - Sua voz era surpreendentemente séria.
-Você acha que está aqui?
- Não se finja de tola Linda. Mentes inquietas tem ideias brilhantes e a sua é tão desassossegada quanto a minha, tente um palpite sensato, eu adoraria ver um suspiro de inteligência para variar.
-Você planta maconha aqui – e a garota apontou para o chão – mas não consome tudo e também não faria sentido vender – Johnny incentivou-a a continuar com um aceno positivo da cabeça. - Você as troca por favores e sexo?
-Sua última palavra quase destroiu uma brilhante análise. Nunca precisei pagar por sexo, isso é uma consequência natural das coisas, eu tenho o mel. - Dizendo isso abriu um largo sorriso -Pago por ouvidos, olhos e bocas que abasteçam essa belezinha aqui. - E tamborilou os dedos numa posicão pouco acima da orelha.
-Sneer não esconde nada de ninguém, não precisa pagar por ouvidos, pode usar os seus.
- O Curinga tem um bom coração, sei que ele não esconde nada dos outros, mas os outros escondem dele. Eu também não sei de tudo, mas sei mais que ele.
- E por que alguém esconderia algo ? Estamos juntos nessa. - A atividade cerebral da ruiva era intensa para processar toda a informação.
-Ah Linda, é uma bosta ter que explicar as coias, principalmente para pessoas como você que tem a capacidade de descobrirem sozinhas. Sua sorte é que você frequenta meus sonhos – A garota demonstrava estar profundamente enojada – Aquela merda de Sneer de poder e desigualdade é a pura verdade. Em uma semana ele liderou vocês numa merda duma busca pela merda da bomba e não achou porra nenhuma. O ego de algumas pessoas não gosta de ser subordinado a alguém que elas julguem inferior, por isso acabam tentando resolver tudo por si próprias. A glória é tentadora, você deveria experimentar.
-Então você acha que as pessoas estão mentindo pra ele?
-Não, elas estão omitindo. - Houve silêncio, Johnny dava tempo para as engrenagens cerebrais de Linda trabalharem. Por fim ela concluiu:
-É uma teoria.
-Se gosta assim, eu prefiro chamar de verdade. - As palavras dele pareceram encerrar a conversa, mas obviamente Linda precisava saber mais e ficou esperando que o garoto tomasse alguma atitude. E foi exatamente o que aconteceu, o show ainda não chegara ao clímax. - A guerra com Sneer está novamente no ar. Eu gosto dele, mas mais uma vez ele está no meu caminho. No caminho do bem maior.
-De novo? Mais uma vez? - Os temores e esperanças da garota vieram a tona. Todas as suspeitas foram comprovadas quando Johnny tirou a camiseta polo que usava. Numa das costelas havia uma cruz de malta, no ombro direito uma cicatriz denunciava uma antiga queimadura. No peito esquerdo um trevo de quatro folhas extremamente igual ao que Lyla levava no pescoço.

Música: Hero of War - Rise Against

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17 - Uma semana depois
quarta-feira, 13 de maio de 2009


A primeira semana transcorreu bem apesar do início turbulento. O sol nascia e se punha todo dia e a chuva passava longe do St. Jimmy. O sistema implantado por Sneer funcionava excepcionalmente bem no que dependia do Estado, As camas estavam sempre arrumadas, a roupa limpa e a comida pronta, fora isso não havia muito trabalho a fazer e sobrava tempo para a diversão, o ócio, discussões, amizades, armações e qualquer outra atividade que os privilegiados cérebros daqueles alunos pudessem imaginar. O susto causado pelo St. Jimmy parecia se dissipar e as preocupações se esvaírem. No entanto, a Inteligência não apresentava evolução, o insucesso na busca da bomba começava a deixar desesperançosos os mais confiantes. Sneer começou a ser questionado após a quinta busca infrutífera:
-Da próxima vez poupemos trabalho – dizia uma garota forte com cara de má. - vamos esperar o indiano ter uma visão. Centenas de teorias foram divulgadas, as mais esperançosas diziam que não havia bomba, porém a única verdade era que estavam perdidos.
Apesar das cobranças, Sneer era felicidade pura. Mesmo não tendo trocado mais nenhuma palavra com Lyla, a cada discussão ou briga da garota com Johnny, seu sorriso aumentava, de modo que também devido às suas coloridas roupas logo foi anonimamente apelidado de “Curinga” .
Outra que fazia questão de demonstrar a alegria por meio do brilho em seu sorriso e argolas era Linda, os motivos eram os mesmos de Sneer: as cada vez mais constantes e graves brigas de sua irmã com Johnny. A ruiva temia que Lyla sentisse algo pelo garoto, contudo as recentes observações aliviavam-na.
Meyer já não fedia mais e em pouco tempo deixou de ser questionado pelo que ocorrera na biblioteca. As pessoas fizeram questão de esquecer o mais rapidamente possível o que acontecera. O atrapalhado garoto aproveitou o bom humor de Sneer para voltar para baixo de suas asas.
Mesmo com as constantes discordancias com Johnny, o humor de Lyla era excelente, o que chegava a impressionar Linda, e parecia contagiar a todos que a cercavam. Não se sabe se foi o belo sorriso, o estonteante verde de seus olhos, seu onipresente e adocicado perfume ou o conjunto da obra, mas era ela a pessoa mais popular do St. Jimmy. Com exceção de Johnny, todos que conviviam 1 minuto com ela se encantavam.
O garoto que anteriormente fazia de tudo para aparecer, agora era pouco visto em público e quando o era estava fazendo a alegria de Sneer e Linda. Segundo o próprio Johnny, ele estava cuidando de seus negócios. Sabidamente (pois Sneer mandar Meyer seguir o abobalhado garoto) Johnny passava seu tempo numa parte obscura do pomar. Frequentemente garotas eram vistas saindo de lá aos risinhos, mas quando questinoadas sobre o que lá havia, se faziam de desentendidas. Meyer tinha sua teoria ao contar o que vira para Sneer:
-Vai ver ele usa leglimens nas pobre coitadas.
-Isso é o que descobriremos - replicou o garoto, como se não tivesse ouvido a maluquice dita pelo seu mais fiel servo. - chame Linda aqui – e ao ver que Meyer tentava entender o plano completou – Agora!


Música: Sell Out - Reel Big Fish

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15 - Todos
terça-feira, 5 de maio de 2009


Lyla seguiu para a cozinha atrás de comida. Agia mecânicamente, seus pensamentos estavam cada vez mais confusos. Primeiro Sneer aparecia ali no St. Jimmy, depois Johnny mostrava que não era um idiota completo e em seguida Linda ia atrás dele, no fundo sentia raiva da irmã por isso. A loira ainda usava o terno dado pelo inquieto garoto e ao fuçar um dos bolsos achou um papel e uma caneta, na hora não entendeu bem o significado daquilo e voltou ao preparo dos sanduíches.
Quando voltou ao campo, a fogueira já aquecia e iluminava todo o lugar, a cova já havia sido cavada, só faltavam mesmo os pouco cobiçados lanches. Por maior que fosse o cansaço, ninguém ali parecia estar com fome.
O enterro parecia uma tarefa a ser cumprida o mais rápido possível, todos ali desejavam o conforto e a solidão de suas camas, havia muito a pensar. A garota foi enterrada sem palavras gentis nem pomposas homenagens, ninguém ali a conhecia e nem iria fazê-lo.
Terminada a breve cerimônia, as isoladas, caladas, solitárias e imundas pessoas que ali estavam foram se encaminhando pouco a pouco para os dormitórios, rumo a uma noite mal dormida. No campo restaram só 5: Johnny, Lyla, Linda, Sneer e o inconsciente e fedido Meyer, os 4 primeiros estavam sentados em torno da fogueira que chegava ao fim e gerava cada vez menos calor para aquelas geladas almas. Por muito tempo ficaram calados ,cada um ali esperva ter a chance de ficar a sós com outro, mas nenhum, por teimosia ou persistencia, abandonou a fogueira. Lyla repousava a cabeça no ombro da irmã, os outros dois já não faziam o mesmo e após lentos minutos ouvindo apenas o som distante de um grilo cantar a morte numa distante árvore em luto, Johnny que não conseguia aquietar-se disse:
-Vamos acordar esse idiota. - Houve novamente silêncio, entendendo isso como um sim o garoto levantou se e disparou um poderoso chute na boca do estômago do fétido adormecido que acordou rapidamente. Sneer comentou:
-Que pena, eu já estava excitado com a possibilidade de dar-lhe um beijo.
Abrindo lentamente os olhos, Meyer perguntou tão assustado quanto confuso:
-Que houve? O pesadelo acabou vovó?
-Vovó o caralho, meu nome agora é Johnny Fun! - disse o menino e logo após soltou uma gargalhada gostosa.
-Somos nós que queremos saber o que aconteceu- Sneer interviu.
-Aconteceu? Onde? Quando? - O pálido rosto de Meyer exibia ainda mais dúvidas, se é que isso era possível.
-Na biblioteca, hoje a tarde, uma garota foi assassinada com uma facada no estômago, você é o único que pode ter visto algo. Conte-nos. - A didática transparecia na voz de Lyla.
- Pensei que era apenas um pesadelo, não me recordo direito, não houve som algum, quando me virei para pegar um livro eu a vi caída, agonizando pela vida. – Sneer soltou um suspiro, obviamente não pensara que Meyer soubesse o significado de agonizar – Foi tudo muito rápido, só pude ver um vulto negro fugindo pela janela, tentei fazer alguma coisa mas minhas pernas se recusavam a mover-se. O resto vocês sabem melhor que eu.
-Então não foi nenhum de nós? - A voz de Lyla parecia quase alegre.
-E..eu não posso ter certeza, foi tudo muito rápido, apenas um vulto – fazendo o rosto da garota murchar novamente.
-Não saímos do lugar não é mesmo? - comentou Linda
- Sim, ainda estamos todos em volta da fogueira. - A piada de Sneer não provocou risadas,
-Não me inclua nessa! Para mim o assassino é tão claro quanto que o indiano é uma bicha. - Johnny estava com os olhos fixos em Meyer, os outros 4 tinham os seus fixos nele. - Pensem um pouco, só temos a palavra dele – e apontou para Meyer – e eu não confio! - Seu rosto estava muito vermelho, as veias saltavam de seus braços.
-Você acha que esse idiota matou a garota? - Sneer, Lyla e Linda estavam indignados.
-É! Você acha que eu matei a garota? - a voz esganiçada de Meyer era fraca.
-Vocês entenderam meu ponto de vista. - Porém ninguém estava convencido.
-Por que não você? - Sneer estava articulando a ideia – você foi o único que se reusou a fazer qualquer coisa, disse que tinha seus negócios a resolver, que negócios são esses?
-Fui plantar minha erva. Não vou ficar 200 dias sóbrio, você usa seus métodos e falsos discursos para seus malditos objetivos, eu uso os meus.
-Temos somente sua palavra – e após uma pausa melodramática concluiu- e eu não confio.
Os dois garotos se encaravam ferozmente, a briga estava iminente, mas não seria um duelo de socos e pontapés, não, uma grande guerra estava por começar, entre duas mentes inquietas e um psicopata maluco. Tudo junto ao mesmo tempo.
-Já basta para mim! - Sneer iria explodir a qualquer instante – vou dormir, alguém vem? - Até ele tinha medo de andar sozinho.
Neville foi o primeiro a se levantar. Após uma significativa troca de olhares, Linda levantou decepcionada e seguiu os outros dois gaortos. O vulto de Meyer foi o último a desaparecer.


Música: Hate to Say I Told You So - The Hives

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14- Johnny e Linda
domingo, 3 de maio de 2009


Os dois saíram pelo caminho cimentado, mas Linda não parecia muito interessada em enxadas. Os últimos raios de sol começavam a abandonar aquele turbulento dia e uma brisa gelada fez arrepiar os pelos dela. Percebendo isso Johnny comentou:
-Eu geralmente causo isso nas garotas. - Deu seu sorriso bobo com os olhos fixos nos peitos de Linda e adicionou – São maiores que os da sua irmã.
-Cale a boca ou irei me certificar de que o próximo enterro seja o seu. Agora me de um baseado, essa merda toda é demais pra mim – justificou-se.
O garoto tirou o cigarro do bolso e obedeceu prontamente a ordem da ruiva:
-É meu último, mas acho que em uma semana o que plantei já poderá ser utilizado. - Linda não pareceu se importar com isso e seguiu no mesmo tom autoritário após uma tragada:
-O que você quer com minha irmã?
-Haha! É protetora você? - E riu novamente.
-Apenas responda. - A paciência dela não duraria muito.
-Ela estava com frio, eu tinha um terno sobrando. Não sei se você já percebeu, mas sou um cavalheiro.
-Responda a minha pergunta! - E levou novamente o cigarro a boca como se contasse até 10.
-Você já sabe a resposta, não? É bem inteligente. Para que pergunta, quer que eu satisfaça seu ego? - Um tom sério, nunca antes ouvido por Linda apareceu na voz do menino. Foi a primeira vez que ela se sentiu realmente ofendida com uma palavra dita por Johnny.
-Vamo pegar a maldita enxada. - Disse encerrando o assunto.
-Foi o que eu pensei. - E o velho conhecido sorriso do garoto voltou a face.
Não demorou muito para que chegassem até o local onde ficavam guardados os instrumentos de jardinagem. Fizeram o que tinham que fazer e voltaram para o campo, sem mais nenhuma palavra, no entanto com vários sorrisos do garoto e olhares falsamente repugnados e disfarçados da garota.


Música: Blind - Face to Face

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13 - St. Jimmy
sexta-feira, 1 de maio de 2009


Foi a voz de Johnny que o sucedeu:
-Silêncio, o presidente vai falar. - E desatou a rir. Sneer virou-se para ele e seus olhos se cruzaram com os de Lyla, era o oxigênio que faltava para aquela combustão tornar-se completa:
-Você daveria falar mais, tudo que sai de sua boca é tão edificante! - No entanto Johnny não estava dando a mínima importância para o que ele falava. - Agora temos atitudes a tomar, creio que não há mais dúvidas de que isso tudo é real, não parece haver obstáculos que impeçam o St. Jimmy de nos dar uma pouco ortodoxa educação. - Ele não tinha pensado em nada daquilo, sua cabeça estava em outro lugar, mas as palavras continuavam a sair de sua boca. - Não podemos ficar parados lamentando tudo isso. O assassinato dessa garota não pode e não irá nos separar, temos que confiar uns nos outros, por mais difícil que possa ser. Somos tão fracos separados quanto fortes unidos. - estranhamente seus olhos foram parar em Johnny que sorria. - Acho que podemos começar dando um enterro digno à essa heroína que morreu por nosso futuro, mas antes gostaria que um representante de cada pelotão relatasse os resultados de sua operação. Não iremos ficar parados no momento em que mais precisamos trabalhar.
Os ouvidos de Sneer captaram aplausos singulares. Era Johnny, o garoto estava de pé e aclamava vigorosamente. Sem saber se isso era uma ironia ou não, ele apenas agradeceu, uma resposta adequada para qualquer uma das ocasiões, e continuou:
Fui um dos responsáveis por vasculhar o segundo e terceiro andares e ambos estão vazios. Nas classes não há carteira nem mesas ou cadeiras. Todas estão extremamente limpas, nem a poeira ficou para contar a história.
Ele sentou-se e foi seguido por um garoto negro, alto e forte com um sorriso que tentava mostrar simpatia. O rapaz relatou como era o quarto andar: composto por um laboratório muito bem equipado e aparetemente pronto para qualquer necessidade. Grandes janelas e azulejos brilhantes revestiam o local.
Foi sucedido por uma garota com braços e canelas largas e cara de má que descreveu o quinto andar como um grande salão de jogos na ala sul, com confortaveis poltronas, uma lareira elétrica, mesas de bilhar, baralhos diversos e todos os acessórios que um jogador poderia sonhar. Na ala norte se encontravam salas de estudo povoadas com escrivaninhas, papéis em branco e sofás de couro. O chão era de bambu e as janelas se repetiam, como em todo edifício.
Ela sentou-se e outra garota deu sequência com a descrição do sexto andar que coincidia com a do sétimo e último. Lá haviam dois dormitórios, camas arrumadas suficientes para todos, com as malas posicionadas ao lado das respectivas. Havia também um grande banheiro pronto para ser usado, com estoques de toalhas, sabonetes, shampoos, cremes, pastas e escovas de dentee e até acessórios de barbearia.
O grupo seguinte havia estado na lavanderia que se encontrava tão pronta para uso quanto os banheiros. No pomar haviam variados tipos de agricultura e o bosque era um agradável local para um passeio. O refeitório tinha espaço para todos se alimentarem simultaneamente, além de uma cozinha repleta de massas, grãos, carne, e outros suprimentos, porém o que mais chamava atenção era uma televisão de incontáveis polegadas que insistia em se manter desligada, assim como algumas câmeras espalhadas por toda a propriedade. O último fato pareceu intrigar não só o grupo que os relatara, mas aos que ouviam também. Havia uma ansiedade no ar que se referia ao momento em que os aparelhos seriam colocados para funcionar.
A última a falar foi Linda. Todos já haviam ouvido da garota o que acontecera, mas mesmo assim esse era o relato mais esperado:
-Durante o tempo que procuramos na biblioteca não encontramos nada além de livros velhos, sol massante, poeira e um cadáver. - Disse isso tudo impacientemente e voltou a sentar-se. Sneer retomou a palavra:
- Como nosso limpo e cheiroso amigo continua dormindo, creio que devemos prosseguir. Aparentemente não há mais ninguém na propriedade além de nós. - Todos já tinham chegado a essa conclusão, o assassino estava no meio deles. - Visto que o St. Jimmy aparentemente não quer nos matar de fome, creio que podemos começar a festa não é Johnny? - Mas as ironias de Sneer produziam bocejos e não risos, precebendo isso ele voltou ao tom sério – Temos um enterro a organizar, precisamos que algumas pessoas da Inteligência façam a cova aqui no campo mesmo, o Estado poderia nos providenciar a comida e uma fogueira. - O colorido garoto ficou mais tranquilo ao ver que não haviam discordancias em relação às suas decisoões.
Somente Johnny se levantou, as outras pessoas temiam a solidão na mesma intensidade que a compania:
-Alguém me leve até uma enxada, não vou matar mais ninguém hoje, prometo. - O comentário gerou indignação em quase todos, a exceção foi Linda que ordenou ao garoto:
-Me siga.


Música: 99 Red Baloons - Goldfinger

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12 - Linda, Sneer, Lyla e Johnny
quarta-feira, 29 de abril de 2009


O sol começava a se por quando todos voltaram para o campo. A morte da garota era muito mais que apenas uma simples e triste perda de vida jovem, era a confirmação de que aquilo tudo era real, sem pegadinhas ou brincadeiras: uma bomba explodiria os “300 futuros mais promissores do país”. Para piorar ainda havia um assassino a solta ou numa visão mais pessimista, no meio deles. A palavra esperança foi a primeira a ser riscada do dicionário do St. Jimmy.
Linda e os outros que estavam na biblioteca agora eram alvo de constante curiosidade e preconceito. A garota teve que repetir milhares de vezes que o único que poderia ter visto algo era o ainda desmaiado Meyer, na milhonésima primeira ela estourou e mandou todos para o inferno, mas foi prontamente avisada de que já estavam lá.
Sneer era de longe o que se mostrava mais forte, no entanto por dentro era pura tormenta. Toda a tragédia parecia extremamente boa quando comparada com o que ele sentia por Lyla, depois do episódio da sala ele evitava até mesmo olhar a garota que estava sentada sozinha, isolada, tremendo de frio num canto distante da arquibancada.
O sentimento se resfriava na garota e as gélidas brasas faziam seus belos olhos lacrimejarem.Ela só levantou a cabeça quando ouviu passos em sua direção, mas desapontada voltou a baixá-la, era Johnny:
- Não desperdice suas lágrimas por mim.- Tirou um baseado do bolso e ofereceu para a garota que aceitou, o que gerou uma risada seguida de um “Uau” por parte do garoto. - Tome, você parece estar com frio. - E estendeu-lhe o terno outrora roubado.
Lyla já não chorava mais. Estava um pouco desconfiada da bondade de Johnny e assim que vestiu a peça de roupa, devolveu o cigarro para o garoto que sorriu. Do mesmo modo que a irmã ela precisava descarregar a raiva em alguém, já tinha sentimentos problemáticos demais para se preocupar e olhando no fundo dos olhos do garoto disse:
- Como pode sorrir ainda? Você é surdo? Talvez cego? Não percebe o que está acontecendo. - Mas quanto mais fundo ela olhava nos olhos do garoto, menor era a raiva em sua voz, um pensamento veio em sua cabeça, sua intuição sabia que era verdadeiro, mas não poderia ser, simplismente não poderia.
-Já temos gente demais chorando por aqui, estamos todos na mesma merda, não devemos ficar uns contra os outros. Assim como vocês homenageiam a garota com lágrimas e belas palavras, eu prefiro um sorriso. Um assassinato já traz tristeza suficiente. - Contudo ele sabia que a morte da garota era o menor dos motivos pelos quais as maquiagens feitas numa manhã ainda bela se borravam.- Eu sou assim, e fodam-se os outros.
Mas antes que Lyla pudesse processar tanta informação, a voz de Sneer sobressaiu à dos demais:
-Precisamos fazer algo. - Não era uma sugestão, era uma ordem.


Música: Alone - Suicidal Tendencies

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3- Meyer Leyer
quarta-feira, 1 de abril de 2009


Meyer estava petrificado, surpreso que suas pernas conseguissem se movimentar, porque esse não era o desejo de seu cérebro. Estava ainda inquieto e resolveu falar, fazendo o possível para manter a voz firme:
-Sabe, acho que não deveiamos ir pela grama. – e apontou para um trajeto cimentado que todos os outros alunos usavam.Mas Johnny tinha uma explicação para a infração.
- Meu caro Meyer, estamos no caminho mais curto, chegaremos lá antes deles, não pegaremos fila. Quanto às gramas, elas sobreviveram – e deu um chute numa muda que estava amarrada a um bastão – ou não – completou com uma risada escandalosa.
A cantina era aberta, um teto cobria algumas mesas e o balcão do sol escaldante. Ela era toda em tons diferentes de azul. Não era muito grande, cerca de 10 mesas com confortáveis bancos ocupavam o lugar e o balcão parecia ligeiramente apertado. Meyer ficou numa das mesas e observou Johnny ir até o balcão e pedir:
-Uma cerveja, por favor – O balconista olhou perplexo para o garoto, obviamente aquele não era um pedido muito comum, mas respondeu polidamente:
- Não servimos bebidas alcoólicas aqui. - Mas Johnny que não prestava atenção ao que ele falava olhou para a cara dele compenetrado, procurando algo ali:
- Eu não te conheço de algum lugar?
- Não senhor.
- E o cara por trás dessas espinhas? - E riu alto e gostosamente da cara do atendete – Não se preocupe, eu vim preparado, aliás, belo boné.- E dizendo isso foi até a mesa onde Meyer o observava aterrorizado. Como alguém poderia ser tão mal-educado, tão inconsequente? Observou Johnny abrir a mochila e tirar de lá o que se parecia com uma garrafa de água e dar um longo gole.
-Tome um gole Eyer, vai te acalmar. - Hesitante e sem muita certeza do que fazia, Meyer levou a garrafa a boca e deu um cuidadoso gole. Seus olhos lacrimejaram e ele engoliu com dificuldade. Aquilo era maravilhoso, algo do que fora privado a vida inteira agora se encontrava em sua mão direita. Com os olhos brilhando encarou Johnny que parecia não entender bem a situação e esperava que Meyer devolvesse a garrafa, mas isso não aconteceu. Meyer virou todo o conteudo do recipiente em um gole só e observou o ligeiro estado de choque de Johnny que exclamou pouco depois:
- HAHA! Esse é meu garoto, boa Eyer, agora vamos que estão nos esperando no campo – mas Meyer não estava disposto a se levantar e quando o fez deu uma cambaleada sendo salvo da queda pelo balcão.
- Você não bebe com muita frequência, não é? - Observou Johnny.
- Minha avó não me deixa chegar perto da água tônica dela, ela diz que é muito perigoso.
-Água tônica? - E a confusão se disspava da cara de Johnny – É, são realmente perigosas.-
Mas Meyer que caíra no chão e não ouvira as últimas palavras do garoto, só pode observar pernas que rumavam rapidamente para o campo e pareciam ocupadas demais para vê-lo ali quase inconsciente. Fechou os olhos e dormiu.


Música: The Ballad - Millencolin

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