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34- A festa
quarta-feira, 1 de julho de 2009


Lyla estava colorida em preto e branco. Suas tranças pegavam fogo, mas este não se alastrava pelo resto do corpo, apenas queimava ininterruptamente a trabalhosa trança. Seus olhos congelavam, sendo difícil girá-los na órbita, a luz caia ameaçadoramente por ela e o som fazia tremer sua cabeça, dobrando tudo a sua vista.

As mãos de Linda se metamorfosearam em pinças, que em nada ajudavam-na a nadar contra o líquido dourado que começava a inundar o local. Assim que o este atingiu uma altura considerável, suas pernas se tranformaram num longa cauda escamosa: ela era agora uma sereia.

Sneer rastejava atrás do ouro, mas grilos e seus incessantes cantorios tentavam impedi-lo. O garoto seguia obedientemente o caminho indicado pelas luzes, fugindo dos olhares furiosos que o cercavam.

Meyer havia tirado a roupa, a pele de cordeiro começava a esquentá-lo e os comensais da morte não gostariam nada disso, quando descobrissem iriam atrás dele, precisava urgentemente de uma varinha.

O fogo adquirira vontade própria e fugira da sua trança, contudo, agora todo o local estava em chamas, que a loira tentava apagar, numa luta perdida contra os poderosos holofotes. O desespero começou a acometê-la, tudo tremia, o som golpeava sem dó seus frágeis ouvidos; tinha que fugir.

Linda nadava tranquilamente no adorável líquido dourado, iria afogar um por um seus inimigos, sem dó, agarrava-os com suas pinças e uma vez na profundeza do ginásio, aplicava-lhes seu fatal veneno, só precisava cuidar para que ninguém sentisse falta deles; iria fugir. Mas não o fez, não porque havia mudado de ideia, mas sim pelo fato do mar dourado ter se solidificado e ela ficado presa lá no meio, sem conseguir mover-se. Iriam descobri-la.

Da escuridão surgiram caçadores de ogros, carregando suas lanternas fluorescentes eles pareciam saber o que Sneer havia feito. Precisava fugir, se esconder. Chifres cresceram no topo de sua cabeça e o garoto começou a golpear fatalmente os inimigos, não seria vencido com tanta facilidade.

As luzes se apagaram e Meyer tratou de correr o mais rápido que pode para debaixo das mesas. Os comensais apareceriam a qualquer momento, precisava daquelas poções, mas qual seria a polissuco? Na primeira oportunidade que teve, driblou os trasgos e tomou tantas garrafas quanto conseguiu: funcionara, estava invisível, agora era só fugir.

O fogo voltara para Lyla, mas agora ele encharcava a garota sem no entanto ousar queimá-la, era uma sensacão estranha, um duelo entre seus sentidos. Na escuridão, a loira brilhava chamativamente. Se não conseguisse apagar-se, todos descbririam a verdade, Linda saberia de tudo.

A ruiva ainda estava presa, mas não por muito tempo, devido a alta volatilidade que adquirira, logo iria evaporar, seu cérebro e sua alma sairiam pelos seus poros. Ao longe avistou um cavaleiro branco, a esperança retornou a suas entranhas, estava salva.

O calor começava a sufocar Sneer, o ar se tornara irrespirável, mesmo com os caçadores derrotados, sua vida corria risco, teria que alcançar a porta e para isso precisaria cavar.

Meyer corria para porta, derrubando como pinos de boliche qualquer um que entrasse em seu caminho. Seus duendes de estimação festejavam a vitória dentro de sua cabeça. No entanto eles teriam que morrer, e o só o ar puro faria isso por ele.

O fogo cessara, mas parecia ser tarde demais. Um grande palhaço e um binóculo alado vinham na direção de Lyla. Ao chegarem o primeiro disse palavras sem nexo que fizeram-na rir. Em seguida fugiu e a loira o seguiu. Ele não escaparia de novo.

Uma árvore começou a segui-los, mas o cavaleiro branco parecia não se importar com isso. Linda tentava escapar de suas sombras, sua cauda agora eram uteis asas que permitiam-na voar acima da confusão. Seguiu a luz e chegou sem dificuldade a porta: estava livre, só precisava correr.

Cavar não funcionara, então Sneer começou a passar pela multidão dando cambalhotas; não demorou muito para que encontrasse a saída e pudesse voltar a respirar. Ao longe três massas de modelar corriam desembestadamente.

Um árvore de Natal estava parada na saída. Quando esta começou a se mover, Meyer a seguiu. Já lá fora os duendes abandonaram sua cabeça. Os comensais da morte nunca o encontrariam, tudo ficaria bem.


Música: Tomorrow Never Knows - The Beatles

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29 - Linda e Fionna
quinta-feira, 18 de junho de 2009


Linda teve frustrada sua tentativa de encontrar Johnny, o garoto aparentemente tinha assuntos mais importantes a tratar. Ela ainda se questionava se era certo o que vinha fazendo, obviamente ele iria tirá-los dali, mas Sneer merecia ser alertado, deveria seber da verdade, caso contrário a ordem que ele tentava manter seria cada vez menos respeitada por ali.
Ordem essa que vinha tirando o sono da ruiva: uma craciófila, paranóica e extremamente forte garota exigia cada vez mais o perfeccionismo no dormitório feminino: nada de chegar depois das nove, apenas quinze minutos para cada uma no banheiro, nada jogado, nada fora do lugar, bagunça alguma era tolerada; as punições iam de privações maldosas a ameaças de surras inesquecíveis.Conforme o tempo passava, mais regras inuteis e absurdas eram adicionadas à lista da ogra.
O tempo lá fora começava a melhorar, os pássaros cantavam duvidosamente sua melodia matinal. Linda resolveu subir até o dormitório feminino para apanhar uma jaqueta, passou pelo pomposo hall de entrada encarando sem dó aqueles que ousassem, ou não, olhar para ela, nem os quadros despreocupados na parde escaparam de sua raiva que produzia o maior barulho possível. Chegando ao sexto andar deu de cara com a pesada porta de mogno trancada, intransponível. Esmurrou, chutou, chingou, cantou, respondeu enigmas e explodiu, mas o único resultado disso tudo foi o aparecimento de Fionna, que informou numa voz grossa demais para uma mulher humana:
-Está trancada. - Tinha uma expressão vencedora.
-E Papai Noel não existe, agora me conte algo que eu ainda não saiba. - Paciência era algo tão inexistente para a ruiva quanto compostura para Johnny ou cérebro para Meyer.
-Não devemos ficar no quarto durante o dia, vamos aproveitar o dia e espantar a desordem do dormitório feminino.
-E desde quando, – A raiva saia de sua boca como água de uma torneira muito aberta – você decide isso?
Mas Fionna mantinha a expressão de impassibilidade:
-E desde quando, eu não devido? - A ogra se agigantou para cima de Linda, dando a impressão de ter dois metros de altura, braços mais grossos que suas pernas, uma cara muito feia, um espaço muito grande entre os dentes e um odor de Meyer debaixo de um quentíssiomo sol, entretanto isso ainda era pouco para intimidá-la. Num rápido golpe Linda empurrou Fionna escada abaixo, gerando o estrondo de um raio muito próximo. A ruiva desceu olhando sem dó o resultado de sua raiva descontada; já não sentia mais tanto calor.
Lá no alto, Charlie fotografava tudo com sua memória sagaz.


Música: Girl all the bad guys want - Bowling for Soup

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18,5 - Linda e Johnny
quarta-feira, 20 de maio de 2009


Linda estava perplexa, as palavras não lhe vinham, a voz não saia, seus olhos circularam inumeras vezes pelo corpo do garoto, não por admiração e sim por espanto. Johnny quebrou o silêncio:
-Sua irmã foi mais rápida, 1 semana mais rápida. Sneer eu calculo que ainda não saiba e gostaria que continuasse assim.
-Claro, claro...mas e os olhos, cabelo, a cara, o nome?
-Tive que mudar tudo dentro do possível, mas isso não foi o problema. Você conhece minha história embora se não me engano, sua interpretação sobre o que aconteceu esteja errada. Tenho explicações, para todos os elos perdidos. Não fui eu.
Os olhos da garota estavam desfocados, refletiam a incerteza que pairava em seu cérebro. Precisava sair, precisava ficar sozinha, precisava pensar. Precisava ficar, precisava saber mais, precisava viver sua descoberta. Fez menção de se levantar mas Johnny a impediu e olhando com seus olhos intensamente azuis nos dela disse:
-Não, fique. - E tirou um baseado do bolso – Aceite, é por conta da casa.
O sol já se punha, deixando o bosque cada vez mais sombrio. Linda que acabara de recolocar as calças, agora vestia uma minúscula camiseta do AC/DC que deixava várias tatuagens a mostra, inclusive um escondido trevo de 4 folhas, na parte mais baixa do abdomen. Johnny estava de cueca e morto de fome:
-Sabe, estou pensando em dar o ar de minha graça no jantar de hoje. Não aguento mais a comida gelada que me trazem. Vá na frente, ainda não quero que Sneer desconfie de mim e tenho algumas coisas a resolver.
Quando a garota se afastou ele vestiu as calças.


Música: Times like these - Foo Fighters

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18 - Johnny e Linda
sábado, 16 de maio de 2009


Johnny estava no bosque, mais que um escritório, aquele tinha sido seu lar durante a última semana. De lá se divertia vendo Sneer ir atrás do que ele já tinha, era tudo muito claro, porém pretendia aproveitar melhor essas férias bondosamente concedidas pelo St. Jimmy. Gostava de ser o fora-da-lei, mas em breve teria que aparecer, tomar o poder. Já começara a reunir adeptos para seu plano, a guerra com Curinga estava mais uma vez iminetne. Um amassar de folhas o desviou de seu pensamento, ninguém o avisara de uma visita mas a voz pareceu confirmar suas previsões:
-Johnny?
-Lyla?
No entanto não foi a loira quem apareceu, em seu lugar havia uma furiosa Linda, que sentou-se bem a frente do garoto:
-Estava esperando minha irmã? - o brilho felino de seus olhos atingia a mesma intensidade do de seu sorriso.
-Nem fudendo, confundi a porra das vozes, estou um pouco indisposto para brigar, sua irmã me persegue, não sei se sabe. - O garoto fazia o possível para ser passível de dó. Quase conseguiu.
-Ah sim, coitadinho – Por um momento Johnny viu um sorriso de Sneer na cara da garota, decidiu mudar o assunto:
-Que bons ventos te trazem? Não foi o Curinga, foi?
- Claro que foi, ou você acha que eu viria aqui por livre e espontânea vontade?
-Seria mais agradável.
-Seria uma mentira.
-Mentiras são agradáveis. - Isso punha um fim na questão, Linda o olhava diretamente nos olhos como se o desafiasse, ele particularmente adorava isso.- Então Sneer quer saber o que eu faço aqui?
-Ele é bem controlador.
-E o que você está ganhando para vir aqui? - A garota estava dividida entre falar a verdade ou não. - Não me diga que não é nada pois eu te conheço, sua irmã tem coração, você cérebro.
- E você adora o coração dela, não é mesmo? - As palavras simplismente saíram da boca da garota, como se estivessem lá a muito tempo, somente esperando para serem .
-Prefiro os peitos, embora os seus sejam maiores. - E riu.
Foi a gaorta que mudou de assunto dessa vez:
-Então o que você faz aqui?
-Estou procurando uma bomba. - Sua voz era surpreendentemente séria.
-Você acha que está aqui?
- Não se finja de tola Linda. Mentes inquietas tem ideias brilhantes e a sua é tão desassossegada quanto a minha, tente um palpite sensato, eu adoraria ver um suspiro de inteligência para variar.
-Você planta maconha aqui – e a garota apontou para o chão – mas não consome tudo e também não faria sentido vender – Johnny incentivou-a a continuar com um aceno positivo da cabeça. - Você as troca por favores e sexo?
-Sua última palavra quase destroiu uma brilhante análise. Nunca precisei pagar por sexo, isso é uma consequência natural das coisas, eu tenho o mel. - Dizendo isso abriu um largo sorriso -Pago por ouvidos, olhos e bocas que abasteçam essa belezinha aqui. - E tamborilou os dedos numa posicão pouco acima da orelha.
-Sneer não esconde nada de ninguém, não precisa pagar por ouvidos, pode usar os seus.
- O Curinga tem um bom coração, sei que ele não esconde nada dos outros, mas os outros escondem dele. Eu também não sei de tudo, mas sei mais que ele.
- E por que alguém esconderia algo ? Estamos juntos nessa. - A atividade cerebral da ruiva era intensa para processar toda a informação.
-Ah Linda, é uma bosta ter que explicar as coias, principalmente para pessoas como você que tem a capacidade de descobrirem sozinhas. Sua sorte é que você frequenta meus sonhos – A garota demonstrava estar profundamente enojada – Aquela merda de Sneer de poder e desigualdade é a pura verdade. Em uma semana ele liderou vocês numa merda duma busca pela merda da bomba e não achou porra nenhuma. O ego de algumas pessoas não gosta de ser subordinado a alguém que elas julguem inferior, por isso acabam tentando resolver tudo por si próprias. A glória é tentadora, você deveria experimentar.
-Então você acha que as pessoas estão mentindo pra ele?
-Não, elas estão omitindo. - Houve silêncio, Johnny dava tempo para as engrenagens cerebrais de Linda trabalharem. Por fim ela concluiu:
-É uma teoria.
-Se gosta assim, eu prefiro chamar de verdade. - As palavras dele pareceram encerrar a conversa, mas obviamente Linda precisava saber mais e ficou esperando que o garoto tomasse alguma atitude. E foi exatamente o que aconteceu, o show ainda não chegara ao clímax. - A guerra com Sneer está novamente no ar. Eu gosto dele, mas mais uma vez ele está no meu caminho. No caminho do bem maior.
-De novo? Mais uma vez? - Os temores e esperanças da garota vieram a tona. Todas as suspeitas foram comprovadas quando Johnny tirou a camiseta polo que usava. Numa das costelas havia uma cruz de malta, no ombro direito uma cicatriz denunciava uma antiga queimadura. No peito esquerdo um trevo de quatro folhas extremamente igual ao que Lyla levava no pescoço.

Música: Hero of War - Rise Against

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17,5 - Linda e Sneer
quinta-feira, 14 de maio de 2009


Meyer saiu apressado e pouco tempo depois voltou com uma Linda molhada e enrolada numa toalha de banho. Uma de suas tatuagens deixou Sneer estupefato e seu queixo só voltou ao lugar quando a garota disse:
-Queria me ver Curinga? - Ela estava aborrecida – Esse maluco invadiu o dormitório feminino e me tirou no meio do banho!
-Tinham algumas garotas só de calcinha! - Meyer estava visivelmente animado.
-Bom trabalho Neville, agora se puder nos der licensa- Quando o garoto saiu, Sneer disse – Ele será punido, fique tranquila. Agora, aos negócios. - A garota não entendia bem o que estava acontecendo, mas isso não pareceu problema pois ele logo continuou – Preciso que você descubra o que Johnny está tramando.
-E por que eu faria isso?
- Porque você também quer saber – porém isso era mais um palpite que um fato. As sombrancelhas do garoto se contraíram ao dizer aquilo.
- Se eu quisesse já teria descoberto – a voz dela assumiu um tom desafiador. Sneer não pensara que teria problemas em persuadi-la e ficou sem palavras. Após deliciar um pouco o momento Linda propôs – Você mantém minha irmã longe dele e eu descubro pra você.
-Isso não será problema – a cor voltava ao rosto do garoto.
-Eu conheço minha irmã, temos um acordo?
-Sem dúvidas – Mas seu sorriso já não era mais tão confiante.


Música: Stickin in my eye - NOFX

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17 - Uma semana depois
quarta-feira, 13 de maio de 2009


A primeira semana transcorreu bem apesar do início turbulento. O sol nascia e se punha todo dia e a chuva passava longe do St. Jimmy. O sistema implantado por Sneer funcionava excepcionalmente bem no que dependia do Estado, As camas estavam sempre arrumadas, a roupa limpa e a comida pronta, fora isso não havia muito trabalho a fazer e sobrava tempo para a diversão, o ócio, discussões, amizades, armações e qualquer outra atividade que os privilegiados cérebros daqueles alunos pudessem imaginar. O susto causado pelo St. Jimmy parecia se dissipar e as preocupações se esvaírem. No entanto, a Inteligência não apresentava evolução, o insucesso na busca da bomba começava a deixar desesperançosos os mais confiantes. Sneer começou a ser questionado após a quinta busca infrutífera:
-Da próxima vez poupemos trabalho – dizia uma garota forte com cara de má. - vamos esperar o indiano ter uma visão. Centenas de teorias foram divulgadas, as mais esperançosas diziam que não havia bomba, porém a única verdade era que estavam perdidos.
Apesar das cobranças, Sneer era felicidade pura. Mesmo não tendo trocado mais nenhuma palavra com Lyla, a cada discussão ou briga da garota com Johnny, seu sorriso aumentava, de modo que também devido às suas coloridas roupas logo foi anonimamente apelidado de “Curinga” .
Outra que fazia questão de demonstrar a alegria por meio do brilho em seu sorriso e argolas era Linda, os motivos eram os mesmos de Sneer: as cada vez mais constantes e graves brigas de sua irmã com Johnny. A ruiva temia que Lyla sentisse algo pelo garoto, contudo as recentes observações aliviavam-na.
Meyer já não fedia mais e em pouco tempo deixou de ser questionado pelo que ocorrera na biblioteca. As pessoas fizeram questão de esquecer o mais rapidamente possível o que acontecera. O atrapalhado garoto aproveitou o bom humor de Sneer para voltar para baixo de suas asas.
Mesmo com as constantes discordancias com Johnny, o humor de Lyla era excelente, o que chegava a impressionar Linda, e parecia contagiar a todos que a cercavam. Não se sabe se foi o belo sorriso, o estonteante verde de seus olhos, seu onipresente e adocicado perfume ou o conjunto da obra, mas era ela a pessoa mais popular do St. Jimmy. Com exceção de Johnny, todos que conviviam 1 minuto com ela se encantavam.
O garoto que anteriormente fazia de tudo para aparecer, agora era pouco visto em público e quando o era estava fazendo a alegria de Sneer e Linda. Segundo o próprio Johnny, ele estava cuidando de seus negócios. Sabidamente (pois Sneer mandar Meyer seguir o abobalhado garoto) Johnny passava seu tempo numa parte obscura do pomar. Frequentemente garotas eram vistas saindo de lá aos risinhos, mas quando questinoadas sobre o que lá havia, se faziam de desentendidas. Meyer tinha sua teoria ao contar o que vira para Sneer:
-Vai ver ele usa leglimens nas pobre coitadas.
-Isso é o que descobriremos - replicou o garoto, como se não tivesse ouvido a maluquice dita pelo seu mais fiel servo. - chame Linda aqui – e ao ver que Meyer tentava entender o plano completou – Agora!


Música: Sell Out - Reel Big Fish

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16 - Sneer
domingo, 10 de maio de 2009


Sneer acordou no dia seguinte após um sono leve, o sol amanhecia preguiçoso, a grama brilhava o céu era arogantemente azul, um dia inspirante depserdiçado pelo medo que abatia o St. Jimmy No dormitório alguns dormiam e outros fingiam fazê-lo. Na cama ao lado Meyer fedia acordado e ao ver que Sneer também abrira os olhos se levantou, a coisa que o moreno menos precisava agora era brincar de babá, então tornou a fechar os olhos. Tentou lembrar-se de que o deixara tão aborrecido e logo a imagem de Johnny e Lyla veio a sua cabeça. Sua raiva pelo garoto bobo cresceu ainda mais e somente quando as primeiras pessoas se levantaram é que ele achou seguro sair da cama, enganou-se:
-Oi Voldy! - era a voz de Meyer.
-Nem vem, viva a sua vida, não a minha! Não sou seu pai ou seu parente, sai fora! - O garoto ficou sem reação e Sneer saiu bufando para o banheiro com uma toalha muito branca no ombro e roupas coloridas na mão se perguntando se não fora duro demais. Precisava esfriar a cabeça.
Mas seu pensamento logo se transformou quando ao passar por uma janela viu Lyla e Johnny próximos a antiga fogueira, eles pareciam estar discutindo, uma nostalgia bateu tão forte no peito dele quanto a mão de Lyla na cara de Johnny. O último ato recuperou as forças e o ânimo de Sneer, fazendo o velho sorriso prepotente voltar as suas faces. Continuou o resto do trajeto cantarolando “What a Wonderful World”.
Após o que ele julgou o melhor banho de sua vida, saiu para pregar avisos por todo o prédio:
TODOS SE DIRIJAM AO CAMPO ÀS 10 HORAS
No caminho encontrou Linda e comentou animado:
-Belo dia para se viver!
-Só para você – A garota usava preto, mas ele não tinha certeza se era por luto.
-Não ficou sabendo de sua querida irmã? - e após ver que Linda permanecia imóvel completou – Acabei de ver ela e aquele babaca brigarem feio, rolou até tapa na cara.
A notícia pareceu animar a garota que arriscou um sorriso e decidiu acompanhar Sneer até o campo onde ficaram discutindo:
Talvez a bomba esteja no subsolo, poderíamos tentar escavar isso. - disse a ruiva
-Não acho, apelativo demais, seria puro trabalho braçal, creio que o St. Jimmy espera mais de nós.
-Sim, ele espera que morramos logo.
Os dois riram da improvável piada, nem parecia que corriam contra o tempo e que um assassino estava a solta. Quando todos chegaram ao campo ele começou:
-Alguém do Estado queira vir até a frente por favor.- Lyla foi quem se levantou, ela parecia muito feliz. - É o amor – comentou Sneer de modo que apenas ela ouvisse. - Lyla, quero que divida seu pessoal, precisamos começar a trabalhar. Coloque alguns na cozinha, outros na lavanderia, no prédio principal. Dividirei os meus também, todos trabalharão pouco e teremos tempo para aproveitar essas agradáveis férias que o St. Jimmy nos deu.


Música: We Are Gonna Be Friends - The White Stripes

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15 - Todos
terça-feira, 5 de maio de 2009


Lyla seguiu para a cozinha atrás de comida. Agia mecânicamente, seus pensamentos estavam cada vez mais confusos. Primeiro Sneer aparecia ali no St. Jimmy, depois Johnny mostrava que não era um idiota completo e em seguida Linda ia atrás dele, no fundo sentia raiva da irmã por isso. A loira ainda usava o terno dado pelo inquieto garoto e ao fuçar um dos bolsos achou um papel e uma caneta, na hora não entendeu bem o significado daquilo e voltou ao preparo dos sanduíches.
Quando voltou ao campo, a fogueira já aquecia e iluminava todo o lugar, a cova já havia sido cavada, só faltavam mesmo os pouco cobiçados lanches. Por maior que fosse o cansaço, ninguém ali parecia estar com fome.
O enterro parecia uma tarefa a ser cumprida o mais rápido possível, todos ali desejavam o conforto e a solidão de suas camas, havia muito a pensar. A garota foi enterrada sem palavras gentis nem pomposas homenagens, ninguém ali a conhecia e nem iria fazê-lo.
Terminada a breve cerimônia, as isoladas, caladas, solitárias e imundas pessoas que ali estavam foram se encaminhando pouco a pouco para os dormitórios, rumo a uma noite mal dormida. No campo restaram só 5: Johnny, Lyla, Linda, Sneer e o inconsciente e fedido Meyer, os 4 primeiros estavam sentados em torno da fogueira que chegava ao fim e gerava cada vez menos calor para aquelas geladas almas. Por muito tempo ficaram calados ,cada um ali esperva ter a chance de ficar a sós com outro, mas nenhum, por teimosia ou persistencia, abandonou a fogueira. Lyla repousava a cabeça no ombro da irmã, os outros dois já não faziam o mesmo e após lentos minutos ouvindo apenas o som distante de um grilo cantar a morte numa distante árvore em luto, Johnny que não conseguia aquietar-se disse:
-Vamos acordar esse idiota. - Houve novamente silêncio, entendendo isso como um sim o garoto levantou se e disparou um poderoso chute na boca do estômago do fétido adormecido que acordou rapidamente. Sneer comentou:
-Que pena, eu já estava excitado com a possibilidade de dar-lhe um beijo.
Abrindo lentamente os olhos, Meyer perguntou tão assustado quanto confuso:
-Que houve? O pesadelo acabou vovó?
-Vovó o caralho, meu nome agora é Johnny Fun! - disse o menino e logo após soltou uma gargalhada gostosa.
-Somos nós que queremos saber o que aconteceu- Sneer interviu.
-Aconteceu? Onde? Quando? - O pálido rosto de Meyer exibia ainda mais dúvidas, se é que isso era possível.
-Na biblioteca, hoje a tarde, uma garota foi assassinada com uma facada no estômago, você é o único que pode ter visto algo. Conte-nos. - A didática transparecia na voz de Lyla.
- Pensei que era apenas um pesadelo, não me recordo direito, não houve som algum, quando me virei para pegar um livro eu a vi caída, agonizando pela vida. – Sneer soltou um suspiro, obviamente não pensara que Meyer soubesse o significado de agonizar – Foi tudo muito rápido, só pude ver um vulto negro fugindo pela janela, tentei fazer alguma coisa mas minhas pernas se recusavam a mover-se. O resto vocês sabem melhor que eu.
-Então não foi nenhum de nós? - A voz de Lyla parecia quase alegre.
-E..eu não posso ter certeza, foi tudo muito rápido, apenas um vulto – fazendo o rosto da garota murchar novamente.
-Não saímos do lugar não é mesmo? - comentou Linda
- Sim, ainda estamos todos em volta da fogueira. - A piada de Sneer não provocou risadas,
-Não me inclua nessa! Para mim o assassino é tão claro quanto que o indiano é uma bicha. - Johnny estava com os olhos fixos em Meyer, os outros 4 tinham os seus fixos nele. - Pensem um pouco, só temos a palavra dele – e apontou para Meyer – e eu não confio! - Seu rosto estava muito vermelho, as veias saltavam de seus braços.
-Você acha que esse idiota matou a garota? - Sneer, Lyla e Linda estavam indignados.
-É! Você acha que eu matei a garota? - a voz esganiçada de Meyer era fraca.
-Vocês entenderam meu ponto de vista. - Porém ninguém estava convencido.
-Por que não você? - Sneer estava articulando a ideia – você foi o único que se reusou a fazer qualquer coisa, disse que tinha seus negócios a resolver, que negócios são esses?
-Fui plantar minha erva. Não vou ficar 200 dias sóbrio, você usa seus métodos e falsos discursos para seus malditos objetivos, eu uso os meus.
-Temos somente sua palavra – e após uma pausa melodramática concluiu- e eu não confio.
Os dois garotos se encaravam ferozmente, a briga estava iminente, mas não seria um duelo de socos e pontapés, não, uma grande guerra estava por começar, entre duas mentes inquietas e um psicopata maluco. Tudo junto ao mesmo tempo.
-Já basta para mim! - Sneer iria explodir a qualquer instante – vou dormir, alguém vem? - Até ele tinha medo de andar sozinho.
Neville foi o primeiro a se levantar. Após uma significativa troca de olhares, Linda levantou decepcionada e seguiu os outros dois gaortos. O vulto de Meyer foi o último a desaparecer.


Música: Hate to Say I Told You So - The Hives

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14- Johnny e Linda
domingo, 3 de maio de 2009


Os dois saíram pelo caminho cimentado, mas Linda não parecia muito interessada em enxadas. Os últimos raios de sol começavam a abandonar aquele turbulento dia e uma brisa gelada fez arrepiar os pelos dela. Percebendo isso Johnny comentou:
-Eu geralmente causo isso nas garotas. - Deu seu sorriso bobo com os olhos fixos nos peitos de Linda e adicionou – São maiores que os da sua irmã.
-Cale a boca ou irei me certificar de que o próximo enterro seja o seu. Agora me de um baseado, essa merda toda é demais pra mim – justificou-se.
O garoto tirou o cigarro do bolso e obedeceu prontamente a ordem da ruiva:
-É meu último, mas acho que em uma semana o que plantei já poderá ser utilizado. - Linda não pareceu se importar com isso e seguiu no mesmo tom autoritário após uma tragada:
-O que você quer com minha irmã?
-Haha! É protetora você? - E riu novamente.
-Apenas responda. - A paciência dela não duraria muito.
-Ela estava com frio, eu tinha um terno sobrando. Não sei se você já percebeu, mas sou um cavalheiro.
-Responda a minha pergunta! - E levou novamente o cigarro a boca como se contasse até 10.
-Você já sabe a resposta, não? É bem inteligente. Para que pergunta, quer que eu satisfaça seu ego? - Um tom sério, nunca antes ouvido por Linda apareceu na voz do menino. Foi a primeira vez que ela se sentiu realmente ofendida com uma palavra dita por Johnny.
-Vamo pegar a maldita enxada. - Disse encerrando o assunto.
-Foi o que eu pensei. - E o velho conhecido sorriso do garoto voltou a face.
Não demorou muito para que chegassem até o local onde ficavam guardados os instrumentos de jardinagem. Fizeram o que tinham que fazer e voltaram para o campo, sem mais nenhuma palavra, no entanto com vários sorrisos do garoto e olhares falsamente repugnados e disfarçados da garota.


Música: Blind - Face to Face

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13 - St. Jimmy
sexta-feira, 1 de maio de 2009


Foi a voz de Johnny que o sucedeu:
-Silêncio, o presidente vai falar. - E desatou a rir. Sneer virou-se para ele e seus olhos se cruzaram com os de Lyla, era o oxigênio que faltava para aquela combustão tornar-se completa:
-Você daveria falar mais, tudo que sai de sua boca é tão edificante! - No entanto Johnny não estava dando a mínima importância para o que ele falava. - Agora temos atitudes a tomar, creio que não há mais dúvidas de que isso tudo é real, não parece haver obstáculos que impeçam o St. Jimmy de nos dar uma pouco ortodoxa educação. - Ele não tinha pensado em nada daquilo, sua cabeça estava em outro lugar, mas as palavras continuavam a sair de sua boca. - Não podemos ficar parados lamentando tudo isso. O assassinato dessa garota não pode e não irá nos separar, temos que confiar uns nos outros, por mais difícil que possa ser. Somos tão fracos separados quanto fortes unidos. - estranhamente seus olhos foram parar em Johnny que sorria. - Acho que podemos começar dando um enterro digno à essa heroína que morreu por nosso futuro, mas antes gostaria que um representante de cada pelotão relatasse os resultados de sua operação. Não iremos ficar parados no momento em que mais precisamos trabalhar.
Os ouvidos de Sneer captaram aplausos singulares. Era Johnny, o garoto estava de pé e aclamava vigorosamente. Sem saber se isso era uma ironia ou não, ele apenas agradeceu, uma resposta adequada para qualquer uma das ocasiões, e continuou:
Fui um dos responsáveis por vasculhar o segundo e terceiro andares e ambos estão vazios. Nas classes não há carteira nem mesas ou cadeiras. Todas estão extremamente limpas, nem a poeira ficou para contar a história.
Ele sentou-se e foi seguido por um garoto negro, alto e forte com um sorriso que tentava mostrar simpatia. O rapaz relatou como era o quarto andar: composto por um laboratório muito bem equipado e aparetemente pronto para qualquer necessidade. Grandes janelas e azulejos brilhantes revestiam o local.
Foi sucedido por uma garota com braços e canelas largas e cara de má que descreveu o quinto andar como um grande salão de jogos na ala sul, com confortaveis poltronas, uma lareira elétrica, mesas de bilhar, baralhos diversos e todos os acessórios que um jogador poderia sonhar. Na ala norte se encontravam salas de estudo povoadas com escrivaninhas, papéis em branco e sofás de couro. O chão era de bambu e as janelas se repetiam, como em todo edifício.
Ela sentou-se e outra garota deu sequência com a descrição do sexto andar que coincidia com a do sétimo e último. Lá haviam dois dormitórios, camas arrumadas suficientes para todos, com as malas posicionadas ao lado das respectivas. Havia também um grande banheiro pronto para ser usado, com estoques de toalhas, sabonetes, shampoos, cremes, pastas e escovas de dentee e até acessórios de barbearia.
O grupo seguinte havia estado na lavanderia que se encontrava tão pronta para uso quanto os banheiros. No pomar haviam variados tipos de agricultura e o bosque era um agradável local para um passeio. O refeitório tinha espaço para todos se alimentarem simultaneamente, além de uma cozinha repleta de massas, grãos, carne, e outros suprimentos, porém o que mais chamava atenção era uma televisão de incontáveis polegadas que insistia em se manter desligada, assim como algumas câmeras espalhadas por toda a propriedade. O último fato pareceu intrigar não só o grupo que os relatara, mas aos que ouviam também. Havia uma ansiedade no ar que se referia ao momento em que os aparelhos seriam colocados para funcionar.
A última a falar foi Linda. Todos já haviam ouvido da garota o que acontecera, mas mesmo assim esse era o relato mais esperado:
-Durante o tempo que procuramos na biblioteca não encontramos nada além de livros velhos, sol massante, poeira e um cadáver. - Disse isso tudo impacientemente e voltou a sentar-se. Sneer retomou a palavra:
- Como nosso limpo e cheiroso amigo continua dormindo, creio que devemos prosseguir. Aparentemente não há mais ninguém na propriedade além de nós. - Todos já tinham chegado a essa conclusão, o assassino estava no meio deles. - Visto que o St. Jimmy aparentemente não quer nos matar de fome, creio que podemos começar a festa não é Johnny? - Mas as ironias de Sneer produziam bocejos e não risos, precebendo isso ele voltou ao tom sério – Temos um enterro a organizar, precisamos que algumas pessoas da Inteligência façam a cova aqui no campo mesmo, o Estado poderia nos providenciar a comida e uma fogueira. - O colorido garoto ficou mais tranquilo ao ver que não haviam discordancias em relação às suas decisoões.
Somente Johnny se levantou, as outras pessoas temiam a solidão na mesma intensidade que a compania:
-Alguém me leve até uma enxada, não vou matar mais ninguém hoje, prometo. - O comentário gerou indignação em quase todos, a exceção foi Linda que ordenou ao garoto:
-Me siga.


Música: 99 Red Baloons - Goldfinger

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12 - Linda, Sneer, Lyla e Johnny
quarta-feira, 29 de abril de 2009


O sol começava a se por quando todos voltaram para o campo. A morte da garota era muito mais que apenas uma simples e triste perda de vida jovem, era a confirmação de que aquilo tudo era real, sem pegadinhas ou brincadeiras: uma bomba explodiria os “300 futuros mais promissores do país”. Para piorar ainda havia um assassino a solta ou numa visão mais pessimista, no meio deles. A palavra esperança foi a primeira a ser riscada do dicionário do St. Jimmy.
Linda e os outros que estavam na biblioteca agora eram alvo de constante curiosidade e preconceito. A garota teve que repetir milhares de vezes que o único que poderia ter visto algo era o ainda desmaiado Meyer, na milhonésima primeira ela estourou e mandou todos para o inferno, mas foi prontamente avisada de que já estavam lá.
Sneer era de longe o que se mostrava mais forte, no entanto por dentro era pura tormenta. Toda a tragédia parecia extremamente boa quando comparada com o que ele sentia por Lyla, depois do episódio da sala ele evitava até mesmo olhar a garota que estava sentada sozinha, isolada, tremendo de frio num canto distante da arquibancada.
O sentimento se resfriava na garota e as gélidas brasas faziam seus belos olhos lacrimejarem.Ela só levantou a cabeça quando ouviu passos em sua direção, mas desapontada voltou a baixá-la, era Johnny:
- Não desperdice suas lágrimas por mim.- Tirou um baseado do bolso e ofereceu para a garota que aceitou, o que gerou uma risada seguida de um “Uau” por parte do garoto. - Tome, você parece estar com frio. - E estendeu-lhe o terno outrora roubado.
Lyla já não chorava mais. Estava um pouco desconfiada da bondade de Johnny e assim que vestiu a peça de roupa, devolveu o cigarro para o garoto que sorriu. Do mesmo modo que a irmã ela precisava descarregar a raiva em alguém, já tinha sentimentos problemáticos demais para se preocupar e olhando no fundo dos olhos do garoto disse:
- Como pode sorrir ainda? Você é surdo? Talvez cego? Não percebe o que está acontecendo. - Mas quanto mais fundo ela olhava nos olhos do garoto, menor era a raiva em sua voz, um pensamento veio em sua cabeça, sua intuição sabia que era verdadeiro, mas não poderia ser, simplismente não poderia.
-Já temos gente demais chorando por aqui, estamos todos na mesma merda, não devemos ficar uns contra os outros. Assim como vocês homenageiam a garota com lágrimas e belas palavras, eu prefiro um sorriso. Um assassinato já traz tristeza suficiente. - Contudo ele sabia que a morte da garota era o menor dos motivos pelos quais as maquiagens feitas numa manhã ainda bela se borravam.- Eu sou assim, e fodam-se os outros.
Mas antes que Lyla pudesse processar tanta informação, a voz de Sneer sobressaiu à dos demais:
-Precisamos fazer algo. - Não era uma sugestão, era uma ordem.


Música: Alone - Suicidal Tendencies

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10- Linda
quinta-feira, 23 de abril de 2009


-Maluco. - Comentou o musculoso com um ar de superioridade.
-Cala a boca idiota! Aconteceu alguma coisa, ele está sangrando. Quem estava fazendo dupla com ele? - Linda gritou a última frase, mas não obteve nenhuma resposta. A garota repetiu a pergunta, mas sem sucesso. Algo começava a se inquietar dentro dela, uma má intuição indicava que eles agora estavam mais do que nunca em desconcerto.
Foi até o garoto caído sem consciência mas nele não havia nenhuma ferida, o sangue que cobria seu corpo não era dele, só podia ser...
-Vamos, achem a garota! - E saiu correndo na direção em que Meyer viera. Depois de alguns passos rápidos e temerosos chegou ao corredor destinado aos livros de matemática. No chão, um livro recoberto de números se encontrava aberto, ao lado dele o corpo da garota chorona caído, com muito sangue e sem nenhuma vida. Uma faca enterrada no estômago cessara para sempre as lágrimas.
Afastando o terror, Linda berrou:
Quem fez isso não pode estar longe, vigiem as saídas, achem o desgraçado. Você – e apontou para uma garota que chorava timidamente. - tente acordar o lunático e você otário – dessa vez ela apontava para o garoto musculoso agora sem nenhum sorriso no rosto, me ajude com o corpo.
-Mas..mas está coberto de sangue. - O ar de superioridade agora dava lugar a uma cara de nojo e espanto.
-Deixe de ser fresco, vamos levar isso para o campo, todos precisam ser alertados, temos um assassino a solta! - Dizer a última frase em voz alta tornava tudo muito pior.
Linda e o garoto seguiram para o campo com pressa. Meyer continuava desmaiado e nada que fizeram mudou isso, então o garoto teve que ser carregado também. Após algumas buscas completas verificou-se que não havia mais ninguém na biblioteca.
Durante o trajeto cimentado nenhuma palavra foi dita, nem mais nada foi feito. Não estavam mais todos juntos, agora era cada um por si. Desconfiança, terror, medo e impotência eram os sentimentos que assolavam os 9 alunos que ali estavam. Entre eles 8 vítimas, entre eles 1 assassino. A sagacidade daquele Joey Ramone nunca parecera tão falsa para Linda.


Música: Sad but True - The Transplants

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9 - Linda e Meyer
quarta-feira, 22 de abril de 2009


Em pouco menos de uma hora eles já estavam divididos. Um grupo de 150 pessoas foram atrás da bomba. Eles iriam mapear todo o terreno e colher tudo aquilo que pudesse ser útil. Os 150 restantes se dividiriam na busca de comida, roupa e abrigo. O primeiro grupo foi intitulado Inteligência e o segundo Estado, era na Inteligência que se encontravam Linda e Meyer, os dois e outros 8 alunos se encaminhavam para a biblioteca.
Atravessaram o caminho cimentado, passando pela cantina agora deserta. O sol estava avassalador e o terror parecia assolá-los violentmente. Meyer olhava para trás a todo instante como se esperasse que Sneer aparecesse para salvá-lo de tudo aquilo. Do lado do garoto uma garota branquela chorava incessantemente. A única que parecia inabalável era Linda. Por trás das tatuagens e alargadores estava determinada a acabar logo com aquilo tudo. Fizeram o trajeto todo tendo como trilha sonora os soluços da garota chorosa e um canto feliz de um pássaro que sofria frequentes e raivosos olhares da gêmea. Como alguma coisa por mais ínfima que fosse poderia estar feliz em meio a tudo isso? O negativismo deveria afetar a tudo e a todos, urubus deveriam cercar a propriedade e não alegres e coloridos pássaros.
Poucos minutos depois chegaram às pesadas portas do prédio princiapl. A biblioteca se encontrava lá dentro, mais ao sul. Porém ao colocar a mão na maçaneta e girá-la, Meyer constatou o óbvio:
-Está trancada.- Ninguém respondeu, todos contemplavam desanimados o alvíssimo prédio.
-Poderíamos tentar empurrar todos juntos. - Sugeriu um garoto musculoso que tinha um sorriso abalado.
A proposta foi aceita sem nenhuma palavra e instantaneamente quase todos começaram a empurrar a porta. Não conseguiram move-la, no entanto pode-se ouvir uma risada de deboche do outro lado. A garota chorona estava agora petrificada.
Meyer olhou ao seu redor e intrigado disse:
-Não eramos 10? - Após uma rápida contagem, percebeu-se que só haviam 9 deles ali.
-Aquela garota estranha, onde se meteu?
Ouviu-se um rangido de portas se arrastando e Linda surgiu com um largo sorriso. Para o espanto de todos ela estava dentro do prédio:
-Mas como? - Perguntou o garoto musculoso e em resposta recebeu um aceno com a cabeça. Todos se viraram para onde a garota apontava e viram uma janela estilhaçada pela qual obviamente ela entrara:
-Eles deixaram a chave na porta. Creio que trancaram por pura piada. - e balançou um objeto brilhante produzindo um som irritante.- Vamos, a biblioteca é logo ali.
Em poucos passos eles atravessaram o saguão de entrada e adentraram a gigantesca biblioteca. As paredes eram tão brancas quanto as externas, grandes janelas davam uma iluminação edênica ao lugar. As prateleiras eram todas de mogno e recheadas por centenas de milhares ou talvez milhôes de livros. Levariam anos para vasculhar tudo aquilo:
-OK, vamos nos dividir. - Foi a voz de Linda que quebrou o silêncio. - Pelo que contei são vinte fileiras, nos separaremos em duplas. Você otário. – e apontou para o garoto musculoso, que não parecisa ter se sentido ofendido pois apresentava um sorriso triunfante. - Vamos por aqui. - E se encaminhram para as duas primeira fileiras. Os outros fizeram o mesmo nas restantes. Os últimos a se afastarem foram Meyer e a garota chorona.
-Bem, se não me engano os livros estão divididos em assuntos e em ordem alfabética. Devemos estar na parte de biologia. Vá tirando os livros e me passando, você faz o trabalho braçal e eu o intelectual. - Vendo que o garoto ainda estava abobalhado completou: - Vamos!
-M..mas nós, eu p..pensei que.. - porém ele não precisou terminar, a garota já tinha entendendo o recado e exibia uma cara de profundo nojo:
-Não! Eca, cale essa boca e trabalhe se quiser sair daqui com vida.
E sem protestar o garoto retirou “Anatomia animal” da prateleira e passou desanimadamente para Linda, que pegou o livro, deu uma rápida folheada, uma chacoalhada e vendo que não continha nada além de vacas e cachorros cortados ao meio jogou-o com violência no chão. O mesmo aconteceu com centenas de livros seguintes.
O sol que entrava pela janela começava a cozinhá-los la dentro. A poeira antes acomodada junto aos livros na prateleira, agora causava espirros por toda a biblioteca. As folheadas e chacoalhões já não eram mais tão vigorosas devido ao sono que começava a tomar conta de todos ali. Foi um grito esganiçado de terror que rompeu o tédio e despertou a todos. Linda só pode ver um Meyer ensanguentado correr desesperado em direção a porta:
-Trasgo! Nas masmorras. - E dizendo isso desmaiou.


Música: Hisghway to hell - AC/DC

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8- Sneer
terça-feira, 21 de abril de 2009


Nesse momento o caos reinava. Apesar da incerteza, a previsão de uma desgraça era uma ideia cada vez mais fixa na cabeça daquelas 300 pessoas. Discussões sobre até que ponto tudo isso seria verdade, ou até onde iria o St. Jimmy para “ensiná-los” e inclusive se apareceriam em algum canal de TV e se ficariam famosos. Uma garota de traços orientais chegou a cogitar um documentário, causando alguns risos nervosos.

Foi Sneer quem decidiu tomar uma atitude. Num repentino e imponente grito pediu:
-Será que todos poderiam se sentar novamente? - Por falta de opções os alunos foram aos poucos se acomodando mais uma vez na arquibancada. O último a se sentar foi o encharcado Johnny. Sneer retomou. - Bom, precisamos fazer alguma coisa, tenho algumas ideias e gostaria de apresentá-las. - e após um silêncio de aprovação ele continuou, inquieto e pouco seguro da aceitação. - Temos 200 dias para achar uma bomba e desativá-la. Sim eu acredito que há uma bomba – completou após alguns olhares indagadores. - Se ela estivesse explícita creio que teríamos um tempo mais curto, logo deve estar extremamente bem escondida. Teremos que providenciar comida e abrigo para todos, proponho que nos dividamos em 2 grupos. O primeiro irá atrás da bomba, mapeará o terreno, procurará em todos os cantos da escola por qualquer pista e trabalhará para desativá-la assim que encontrarmo-na. O segundo irá atras de roupa, comida, medicamentos e tudo que possa ser necessário e útil em nossa agradável estadia nesse inferno.- Ele fez uma pausa esperando aprovação ou qualquer outra demonstração de conscentimento, mas foi Johnny quem falou, causando um estranho frio na barriga de Sneer:
- Como tem tanta certeza que isso não é uma grande pegadinha? Não está indo longe demais com essa porra? É só alguem pegar uma merda de um celular e ligar para um filho-da-puta vir nos tirar daqui!
- Tenho tanta certeza quanto a de que você é um gênio. Mesmo que seja uma brincadeira de mal gosto prefiro não pagar para ver, ele queria que nos organizássemos, que aprendessemos a encarar desafios, fazer escolhas, tomar decisões que podem mudar nossa vida. É o que eu vou fazer. Quanto aos celulares, eles foram recolhidos na entrada, mas creio que você estava chapado demais para perceber.
- Foda-se, não me parece que aqueles malucos idiotas queiram nos ensinar algo, caso contrário não tentariam nos matar. Não sou otário como vocês, eu entrei com o meu celular e está bem aqui no bolso de minha calça. - E para a decepção de todos que o olhavam esperançosamente ele tirou um aparelho encharcado e totalmente inútil do bolso. - Bom, esse merda não funciona mais, mas acho que alguém lá de fora vai perceber quando não aparecermos, não?

-Nós viemos para passar o ano em regime de internato aqui. Onde você estava quando fez a matrícula?
- Isso não te importa, mas voltando ao seu infalível plano, Cebolinha. Você será nosso líder? - As outras pessoas eram meras espectadoras da discussão, tinham suas perguntas nas palavras de Johnny e suas respostas nas de Sneer.
-Não. Creio que o poder é a origem da desigualdade e aqui somos todos aprendizes ou vítimas se preferirem. Se essa bomba explodir, não creio que ela vá deixar alguém sobreviver só porque é bonitinho ou tem uma gorda conta bancária. - Sneer não sabia como um pensamento tão filosófico tinha saído dele, mas ficou feliz em verificar que Johnny parecia desistir e se calar. Engano dele:
-Por que não fugimos simplismente e deixamos a bomba explodir toda essa bosta? Enquanto isso poderíamos estar aproveitando melhor o tempo. - E virou-se para Linda com um sorriso sedutor.
Mas Sneer não precisou responder essa, pois 298 olhares fuzilavam raivosamente o garoto que se calou.
- Bom, vamos nos dividir.

Música: Should I Stay or Should I Go - The Clash

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4 - Linda e Lyla
domingo, 5 de abril de 2009


Linda e Lyla ainda estavam surpresas com o convite feito pelo St. Jimmy verão passado, estar ali sempre fora um doce sonho, nada mais. É verdade que as gêmeas sempre foram as primeiras da sala e por mais diferente que fossem , a inteligência em ambas era enorme.
As duas eram físicamente idênticas, porém era necessário certo tempo de observação para concluir isso. Enquanto Lyla tinha longos cabelos loiros, Linda tinha o seu curto e tingido de ruivo, Lyla vestia uma saia vermelha que chegava até a altura dos joelhos e uma camisa tão branca quanto seu sorriso, Linda uma calça jeans muito apertada, uma camisa com um Joey Ramone sagaz e uma jaqueta de couro. A pela da loira era perfeita, uma tatuagem de um trevo de quatro folhas no pescoço era parcialmente encoberta pelos fios dourados do cabelo, a ruiva era cheia de tatuagens, todas muito coloridas e alegres. Mas os profundos olhos verdes e o sorriso brilhante denunciavam a semelhança que elas faziam questão em ocultar. Por onde as irmãs passavam, os olhares as acompanhavam, algo que as incomdava profundamente, a sensação de ser julgada era algo repugnante.
Logo na entrada foram instruídas a se dirigir diretamente para o campo, onde ocorreria a primeira aula. Ainda na porta, Lyla contrariada deixou seu celular, e depois seguiram por um enjoativo e perfeito gramado que contornava a gigantesca e alva construção que era o prédio principal. Quando passaram próximas a cantina, Lyla exclamou:
- Tem um garoto dormindo ali? - Contudo, o turbilhão de gente que passava, além de impedir uma visão nítida, arrastou-as rumo ao campo, o que dispersou os pensamentos das garotas quando lá chegaram.
A arquibandada estava abarrotada de gente, cada uma extremamente diferente da outra, algumas exibiam sorrisos presunçosos, outras faziam questão de ficar o menos visível possível e ainda haviam aqueles que se perguntavam o que faziam ali.
Elas se encaminharam para a última fileira da arquibancada e lá se sentaram. Lyla parecia querer comentar algo com a irmã, mas a cara fechada da segunda foi pouco convidativa e a loira permaneceu calada. Aguardaram os últimos alunos se sentarem em silêncio, tentando absorver tudo aquilo. O retardatário era um garoto que parecia ter acabado de ser atropelado por uma comitiva e fumava alegremente o que aparentava ser um cigarro de palha. Elas observaram-no encaminhar-se até onde estavam sentadas, se acomodar logo ao lado delas e apagar o cigarro. Ele olhou com um sorriso bobo pra elas e depois de algum tempo encarando falou:
- Qual de vocês é a gêmea má? - E dizendo isso, olhou demoradamente para as duas como se as avaliasse. - Quem sabe as duas, seria legal nós três nus, sabe, se quiserem experimentar. - E riu alto como se nada ali o preocupasse nem o afetasse. Elas pela primeira vez tiveram coragem de observá-lo mais atentamente e viram olhos muito azuis, um cabelo curto castanho e bagunçado que contrastava com sua pele alvíssima, Linda imaginou a cena dele sendo atropelado logo na porta do hospício, mas teve que se conter pois ouviram a voz do diretor ecoar fortemente, fazendo todo o burburinho cessar e mergulhar toda aquela ansiedade num silêncio perigoso, que logo foi novamente interrompido:
- Senhoras e senhores, gostaria da total atenção de vocês agora. - E antes que todos tentassem ficar ainda mais calados, Lyla ouviu uma voz conhecida murmurrar palavras como “pênis” e “orgão inativo”.


Música : High School Never Ends - Bowling for Soup

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