<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/platform.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar/8495951559142143380?origin\x3dhttp://stjm.blogspot.com', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener("load", function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <iframe src="http://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID=4200482321848056936&amp;blogName=By+Bel&amp;publishMode=PUBLISH_MODE_BLOGSPOT&amp;navbarType=BLUE&amp;layoutType=CLASSIC&amp;homepageUrl=http%3A%2F%2Fbybel.blogspot.com%2F&amp;searchRoot=http%3A%2F%2Fbybel.blogspot.com%2Fsearch" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" frameborder="0" height="30px" width="100%" id="navbar-iframe" title="Blogger Navigation and Search"></iframe> <div></div>
33 - Homens, mulheres, homossexuais e homicidas
segunda-feira, 29 de junho de 2009


As horas até a festa se recusavam a passar. A agitação no dormitório feminino começou logo ao raiar do dia e agora, no fim da tarde, aquilo parecia um formigueiro desmantelado, com garotas correndo de um canto para o outro carregando estojos de maquiagem, chapinhas elétricas, vestidos emprestados, roubados, experimentados e re-expirementados tantas vezes que um deles chegou a rasgar violentamente, sem que no entanto a gorda proprietária não percebesse e saísse satisfeita com um buraco na altura das costelas.
O dormitório masculino estava deserto até uma hora antes do evento, quando os mais vaidosos começaram a chegar. As roupas escolhidas na maioria estavam amassadas e o banho chegava a ser dispensado por alguns. 15 minutos antes das 8, a maioria descansaçaava em suas camas, já prontos para a festa.
Um andar abaixo, somente Linda estava pronta, vesita uma camisa muito decotada, sobreposta uma jaqueta preta de couro e por fim uma calça também de couro muitíssimo apertada, a garota agora ajudava a irmã a arrumar o longo e e dourado cabelo.
Johnny apareceu 10 minutos antes das 8, mas não chegou nem perto do chuveiro, roupas limpas ou qualquer outra coisa que lembrasse a palavra higiene. Apenas avisou que tudo já estava pronto e fez questão de insultar os poucos atrasados.
8 e meia Fionna que decidira não ir à festa tentava por fim à bagunça desligando chuveiros e guardando maquiagens aplicadas pela metade.
Até Charlie já estava no campo meia hora após o marcado. Chegara a uma conclusão de última hora de que seria uma oportunidade imperdível para suas observações e decidiu comparecer em um desnecessário social completo.
Às 9 horas as primeiras garotas começaram a abandonar o prédio principal, entre elas Lyla que vestia um curto blazer por cima de uma camisa branca com botões abertos além do necessário. Os perfumes das damas da noite, fossem elas flores ou garotas, se confundiam enjoativamente.
Sneer estava nervoso, esperava que a festa fosse uma ótima oportunidade para desviar a atenção dos recentes assassinatos ou das inuteis buscas pela bomba. O suor começava a molhar-lhe a bem penteada franja assim como sua camisa listrada de laranja e rosa; sua calça verde-oliva começava a apertar-lhe a bexiga.
9 e meia quase todos estavam belos e despenteados no campo. O que aguçava a curiosidade de todos é que lá nada havia além de duas covas e muita grama. Quando a última garota chegou Johnny começou:
-Senhoras, senhores, homossexuais e homicidas – e ao dizer as duas últimas palavras sorriu para Sneer. - Não haverá festa.
Todos começaram a se olharem perplexos, com raiva daquela pegadinha que não tinha graça para ninguém se não o próprio Johnny que tornou a falar:
-Calma, é mentira, só queria ver a cara de vocês. Todos para o ginásio.
Em pequenos passos o burburinho começou e só cessou quando chegaram ao local destinado para a festa. Todos estavam pasmos, perplexos, fascinados, extasiados, abobalhados, ansiosos, temerosos, tensos, felizes, esperançosos. Estavam numa festa.
Numa mesa quilométrica havia inúmeros quitutes com bolos e bolachas de variadas e estranhas cores, formas e cheiros. Três geladeiras foram trazidas da cozinha e eram recheadas por líquidos desconhecidos em colorações psicodélicas. No teto holofotes cobertos por papéis coloridos se alternavam com a escuridão e davam uma iluminação alegre ao lugar. Caixas de som do auditório foram levadas até lá e tocavam uma música transendental. Johnny ainda falou antes que todos invadissem o local como formigas atrás de açucar:
-Eu não deixaria de provar a comida. - Sem exceção todos, famintos, se dirigiram até a gigantesca mesa; no entanto por mais que comessem e bebessem o suprimento parecia não ter fim. Johnny exibia um sorriso vencedor

Música - 99 Red Ballons - Goldfinger

Marcadores:




22 - Meyer
quinta-feira, 28 de maio de 2009


Meyer foi o primeiro a acordar no dia seguinte. Não tinha muita certeza do que deveria fazer então levantou-se; viu que Sneer ainda dormia profundamente. Despiu o pijama estampado com diversos foguetes que vestia e colocou uma roupa extremamente bem dobrada. De um dos bolsos de sua mala tirou várias pilulas e as engoliu após um gole de água. Cheirou o próprio bafo e em seguida as axilas, chegou a conclusão que não seria necessário um banho ou qualquer outro tipo de higiene, logo resolveu ir até o campo esperar as belas adormecidas.Se divertiu com a idéia.
Desceu as escadas fazendo caretas e rindo delas para o nada, ao chegar no sexto andar resolveu parar para espiar pelo vão da porta do dormitório feminino. Ficou lá uns vinte minutos mais imaginando do que realmente vendo quando uma garota gorda e forte o espantou aos palavrões.
Chegou ao quinto andar onde uma única pessoa estava sentada num dos confortáveis sofás, com um bloco de papel e uma caneta na mão: era Lyla. Parecia entediada naquilo e só se distraiu quando sem querer Meyer fez ranger um piso solto, flagrado ele saiu correndo em disparada até o térreo sem tempo para mais observações. O relógio indicava 5 e meia, uma hora antes dos primeiros despertadores começarem seu grito metálico.
Se dirigiu para o campo pelo caminho cimentado sem pressa. Passou pela cantina na qual se embebedara no primeiro dia, ela não havia sido utilizada desde então e se encontrava deserta e bagunçada. Continuando o trajeto avistou ao longe o pomar, o bosque e o refeitório. Respirou fundo inalando o refrescante ar matinal que dava ao St. Jimmy a cara de uma grande fazenda. Começava a se sentir em casa ali, Sneer era como um pai, um exemplo, torcia para que ele se acertasse com Lyla. Não gostava muito de Linda mas sua repulsa era quase toda dedicada a Johnny, era como se ele fosse o culpado de tudo aquilo.
Já no campo avistou um garoto alto e forte caído, inerte num monte de terra bagunçada. A imagem da garota agonizando na biblioteca voltou a sua mente tornando-o ainda mais pálido, quase transparente. Se descontrolou e saiu gritando em direção ao prédio principal. Próximo a cantina encontrou Lyla que percebendo o desespero dele tentou ajudar. Mas não houve tempo, antes de desmaiar Meyer apenas disse:
-Corram, para as montanhas!


Música: Last One to Die - Rancid

Marcadores: ,




17 - Uma semana depois
quarta-feira, 13 de maio de 2009


A primeira semana transcorreu bem apesar do início turbulento. O sol nascia e se punha todo dia e a chuva passava longe do St. Jimmy. O sistema implantado por Sneer funcionava excepcionalmente bem no que dependia do Estado, As camas estavam sempre arrumadas, a roupa limpa e a comida pronta, fora isso não havia muito trabalho a fazer e sobrava tempo para a diversão, o ócio, discussões, amizades, armações e qualquer outra atividade que os privilegiados cérebros daqueles alunos pudessem imaginar. O susto causado pelo St. Jimmy parecia se dissipar e as preocupações se esvaírem. No entanto, a Inteligência não apresentava evolução, o insucesso na busca da bomba começava a deixar desesperançosos os mais confiantes. Sneer começou a ser questionado após a quinta busca infrutífera:
-Da próxima vez poupemos trabalho – dizia uma garota forte com cara de má. - vamos esperar o indiano ter uma visão. Centenas de teorias foram divulgadas, as mais esperançosas diziam que não havia bomba, porém a única verdade era que estavam perdidos.
Apesar das cobranças, Sneer era felicidade pura. Mesmo não tendo trocado mais nenhuma palavra com Lyla, a cada discussão ou briga da garota com Johnny, seu sorriso aumentava, de modo que também devido às suas coloridas roupas logo foi anonimamente apelidado de “Curinga” .
Outra que fazia questão de demonstrar a alegria por meio do brilho em seu sorriso e argolas era Linda, os motivos eram os mesmos de Sneer: as cada vez mais constantes e graves brigas de sua irmã com Johnny. A ruiva temia que Lyla sentisse algo pelo garoto, contudo as recentes observações aliviavam-na.
Meyer já não fedia mais e em pouco tempo deixou de ser questionado pelo que ocorrera na biblioteca. As pessoas fizeram questão de esquecer o mais rapidamente possível o que acontecera. O atrapalhado garoto aproveitou o bom humor de Sneer para voltar para baixo de suas asas.
Mesmo com as constantes discordancias com Johnny, o humor de Lyla era excelente, o que chegava a impressionar Linda, e parecia contagiar a todos que a cercavam. Não se sabe se foi o belo sorriso, o estonteante verde de seus olhos, seu onipresente e adocicado perfume ou o conjunto da obra, mas era ela a pessoa mais popular do St. Jimmy. Com exceção de Johnny, todos que conviviam 1 minuto com ela se encantavam.
O garoto que anteriormente fazia de tudo para aparecer, agora era pouco visto em público e quando o era estava fazendo a alegria de Sneer e Linda. Segundo o próprio Johnny, ele estava cuidando de seus negócios. Sabidamente (pois Sneer mandar Meyer seguir o abobalhado garoto) Johnny passava seu tempo numa parte obscura do pomar. Frequentemente garotas eram vistas saindo de lá aos risinhos, mas quando questinoadas sobre o que lá havia, se faziam de desentendidas. Meyer tinha sua teoria ao contar o que vira para Sneer:
-Vai ver ele usa leglimens nas pobre coitadas.
-Isso é o que descobriremos - replicou o garoto, como se não tivesse ouvido a maluquice dita pelo seu mais fiel servo. - chame Linda aqui – e ao ver que Meyer tentava entender o plano completou – Agora!


Música: Sell Out - Reel Big Fish

Marcadores: , , , , ,




13 - St. Jimmy
sexta-feira, 1 de maio de 2009


Foi a voz de Johnny que o sucedeu:
-Silêncio, o presidente vai falar. - E desatou a rir. Sneer virou-se para ele e seus olhos se cruzaram com os de Lyla, era o oxigênio que faltava para aquela combustão tornar-se completa:
-Você daveria falar mais, tudo que sai de sua boca é tão edificante! - No entanto Johnny não estava dando a mínima importância para o que ele falava. - Agora temos atitudes a tomar, creio que não há mais dúvidas de que isso tudo é real, não parece haver obstáculos que impeçam o St. Jimmy de nos dar uma pouco ortodoxa educação. - Ele não tinha pensado em nada daquilo, sua cabeça estava em outro lugar, mas as palavras continuavam a sair de sua boca. - Não podemos ficar parados lamentando tudo isso. O assassinato dessa garota não pode e não irá nos separar, temos que confiar uns nos outros, por mais difícil que possa ser. Somos tão fracos separados quanto fortes unidos. - estranhamente seus olhos foram parar em Johnny que sorria. - Acho que podemos começar dando um enterro digno à essa heroína que morreu por nosso futuro, mas antes gostaria que um representante de cada pelotão relatasse os resultados de sua operação. Não iremos ficar parados no momento em que mais precisamos trabalhar.
Os ouvidos de Sneer captaram aplausos singulares. Era Johnny, o garoto estava de pé e aclamava vigorosamente. Sem saber se isso era uma ironia ou não, ele apenas agradeceu, uma resposta adequada para qualquer uma das ocasiões, e continuou:
Fui um dos responsáveis por vasculhar o segundo e terceiro andares e ambos estão vazios. Nas classes não há carteira nem mesas ou cadeiras. Todas estão extremamente limpas, nem a poeira ficou para contar a história.
Ele sentou-se e foi seguido por um garoto negro, alto e forte com um sorriso que tentava mostrar simpatia. O rapaz relatou como era o quarto andar: composto por um laboratório muito bem equipado e aparetemente pronto para qualquer necessidade. Grandes janelas e azulejos brilhantes revestiam o local.
Foi sucedido por uma garota com braços e canelas largas e cara de má que descreveu o quinto andar como um grande salão de jogos na ala sul, com confortaveis poltronas, uma lareira elétrica, mesas de bilhar, baralhos diversos e todos os acessórios que um jogador poderia sonhar. Na ala norte se encontravam salas de estudo povoadas com escrivaninhas, papéis em branco e sofás de couro. O chão era de bambu e as janelas se repetiam, como em todo edifício.
Ela sentou-se e outra garota deu sequência com a descrição do sexto andar que coincidia com a do sétimo e último. Lá haviam dois dormitórios, camas arrumadas suficientes para todos, com as malas posicionadas ao lado das respectivas. Havia também um grande banheiro pronto para ser usado, com estoques de toalhas, sabonetes, shampoos, cremes, pastas e escovas de dentee e até acessórios de barbearia.
O grupo seguinte havia estado na lavanderia que se encontrava tão pronta para uso quanto os banheiros. No pomar haviam variados tipos de agricultura e o bosque era um agradável local para um passeio. O refeitório tinha espaço para todos se alimentarem simultaneamente, além de uma cozinha repleta de massas, grãos, carne, e outros suprimentos, porém o que mais chamava atenção era uma televisão de incontáveis polegadas que insistia em se manter desligada, assim como algumas câmeras espalhadas por toda a propriedade. O último fato pareceu intrigar não só o grupo que os relatara, mas aos que ouviam também. Havia uma ansiedade no ar que se referia ao momento em que os aparelhos seriam colocados para funcionar.
A última a falar foi Linda. Todos já haviam ouvido da garota o que acontecera, mas mesmo assim esse era o relato mais esperado:
-Durante o tempo que procuramos na biblioteca não encontramos nada além de livros velhos, sol massante, poeira e um cadáver. - Disse isso tudo impacientemente e voltou a sentar-se. Sneer retomou a palavra:
- Como nosso limpo e cheiroso amigo continua dormindo, creio que devemos prosseguir. Aparentemente não há mais ninguém na propriedade além de nós. - Todos já tinham chegado a essa conclusão, o assassino estava no meio deles. - Visto que o St. Jimmy aparentemente não quer nos matar de fome, creio que podemos começar a festa não é Johnny? - Mas as ironias de Sneer produziam bocejos e não risos, precebendo isso ele voltou ao tom sério – Temos um enterro a organizar, precisamos que algumas pessoas da Inteligência façam a cova aqui no campo mesmo, o Estado poderia nos providenciar a comida e uma fogueira. - O colorido garoto ficou mais tranquilo ao ver que não haviam discordancias em relação às suas decisoões.
Somente Johnny se levantou, as outras pessoas temiam a solidão na mesma intensidade que a compania:
-Alguém me leve até uma enxada, não vou matar mais ninguém hoje, prometo. - O comentário gerou indignação em quase todos, a exceção foi Linda que ordenou ao garoto:
-Me siga.


Música: 99 Red Baloons - Goldfinger

Marcadores: , , ,




11 - Lyla e Sneer
sábado, 25 de abril de 2009


Sneer e Lyla estam junto com outras tantas pessoas vasculhando as numerosas classes do segundo andar, numa atividade monótona e improdutiva pois até agora tinham encontrado todas desrtas, nenhum único mapa, giz, mesa ou cadeira: aquilo estava tão vazio quanto o cérebro de Meyer. O sol que entrava avassalador pelas largas janelas dando uma iluminação alaranjada ao local o transformava num inferno.
-Pelo menos não precisamos esvaziá-las – começou Sneer quando acabaram de verificar o óbvio, todas as salas estavam vazias. Subiram um andar sem muita esperança e Sneer sugeriu num tom de ordem:
-Vamos nos separar, devem ser umas 30 por aqui, se dividirmos o trabalho economizaremos tempo e voltamos a tempo para festa do nosso amigo. - Fazendo uma referencia a Johnny que foi respondida com alguns risinhos forçados.
Quando todos se afastaram rumo às respectivas tarefas, o garoto puxou Lyla para um dos cômodos vazios e fechou a porta. Planejava aquilo desde que a vira no campo, mas mesmo assim não sabia o que falar:
-Paraíso isso aqui hein! - A garota ainda olhava abismada para ele. Era tudo feliz demais, triste demais, confuso demais.
-Como?Como? O que você faz aqui? - Apesar de ter milhares de perguntas a fazer, a única desesperada que saiu da sua boca foi essa. Ela já não exibia o mesmo brilho no sorriso e o verde dos seus olhos estavam tristes.
-Eu dei um jeito, fiquei louco depois do verão, não aguentava ficar longe! - A qualquer momento ele explodiria, não conseguira planejar a emoção de estar ali com ela depois de tanto tempo. Segurou as mãos da garota que agora o encarava penosamente.
-As coisa mudaram, você sumiu e nunca mais entrou em contato! Não deixou nem uma merda de um bilhete! Eu não sabia o que fazer, o que pensar, fiquei arrasada! - A volta de todas aquelas sensações parcialmente esquecidas despertava o pior dela.
-Eu não pude, entenda! Mais tarde te explicarei toda a história, no momento apenas confie em mim, precisamos fugir disso aqui.
Eles se olharam pelo que pareceram décadas. Uma sensação que Sneer conhecia bem começou a tomá-lo. Mas aquela sublimação teve fim nas palavras de Lyla:
-Se você não quiser me odiar é melhor ir embora. - Lyla tentava se controlar e não descontar a raiva que renascera nela e que agora ardia tristemente.
Aquilo foi como um tiro no peito do garoto. Ele se virou cambaleante, sem direção com um único pensamento. “Não, eu nunca vou te odiar”, porém, de sua boca saiu apenas um:
-Tarde demais. - A frase fez os olhos de Lyla lacrimejarem, mas as lágrimas não foram suficientes para apagar aquilo que ardia em seu peito. Com a visão embaçada, observou o garoto sair sem rumo pela porta.

Marcadores: , ,




10- Linda
quinta-feira, 23 de abril de 2009


-Maluco. - Comentou o musculoso com um ar de superioridade.
-Cala a boca idiota! Aconteceu alguma coisa, ele está sangrando. Quem estava fazendo dupla com ele? - Linda gritou a última frase, mas não obteve nenhuma resposta. A garota repetiu a pergunta, mas sem sucesso. Algo começava a se inquietar dentro dela, uma má intuição indicava que eles agora estavam mais do que nunca em desconcerto.
Foi até o garoto caído sem consciência mas nele não havia nenhuma ferida, o sangue que cobria seu corpo não era dele, só podia ser...
-Vamos, achem a garota! - E saiu correndo na direção em que Meyer viera. Depois de alguns passos rápidos e temerosos chegou ao corredor destinado aos livros de matemática. No chão, um livro recoberto de números se encontrava aberto, ao lado dele o corpo da garota chorona caído, com muito sangue e sem nenhuma vida. Uma faca enterrada no estômago cessara para sempre as lágrimas.
Afastando o terror, Linda berrou:
Quem fez isso não pode estar longe, vigiem as saídas, achem o desgraçado. Você – e apontou para uma garota que chorava timidamente. - tente acordar o lunático e você otário – dessa vez ela apontava para o garoto musculoso agora sem nenhum sorriso no rosto, me ajude com o corpo.
-Mas..mas está coberto de sangue. - O ar de superioridade agora dava lugar a uma cara de nojo e espanto.
-Deixe de ser fresco, vamos levar isso para o campo, todos precisam ser alertados, temos um assassino a solta! - Dizer a última frase em voz alta tornava tudo muito pior.
Linda e o garoto seguiram para o campo com pressa. Meyer continuava desmaiado e nada que fizeram mudou isso, então o garoto teve que ser carregado também. Após algumas buscas completas verificou-se que não havia mais ninguém na biblioteca.
Durante o trajeto cimentado nenhuma palavra foi dita, nem mais nada foi feito. Não estavam mais todos juntos, agora era cada um por si. Desconfiança, terror, medo e impotência eram os sentimentos que assolavam os 9 alunos que ali estavam. Entre eles 8 vítimas, entre eles 1 assassino. A sagacidade daquele Joey Ramone nunca parecera tão falsa para Linda.


Música: Sad but True - The Transplants

Marcadores: , ,




9 - Linda e Meyer
quarta-feira, 22 de abril de 2009


Em pouco menos de uma hora eles já estavam divididos. Um grupo de 150 pessoas foram atrás da bomba. Eles iriam mapear todo o terreno e colher tudo aquilo que pudesse ser útil. Os 150 restantes se dividiriam na busca de comida, roupa e abrigo. O primeiro grupo foi intitulado Inteligência e o segundo Estado, era na Inteligência que se encontravam Linda e Meyer, os dois e outros 8 alunos se encaminhavam para a biblioteca.
Atravessaram o caminho cimentado, passando pela cantina agora deserta. O sol estava avassalador e o terror parecia assolá-los violentmente. Meyer olhava para trás a todo instante como se esperasse que Sneer aparecesse para salvá-lo de tudo aquilo. Do lado do garoto uma garota branquela chorava incessantemente. A única que parecia inabalável era Linda. Por trás das tatuagens e alargadores estava determinada a acabar logo com aquilo tudo. Fizeram o trajeto todo tendo como trilha sonora os soluços da garota chorosa e um canto feliz de um pássaro que sofria frequentes e raivosos olhares da gêmea. Como alguma coisa por mais ínfima que fosse poderia estar feliz em meio a tudo isso? O negativismo deveria afetar a tudo e a todos, urubus deveriam cercar a propriedade e não alegres e coloridos pássaros.
Poucos minutos depois chegaram às pesadas portas do prédio princiapl. A biblioteca se encontrava lá dentro, mais ao sul. Porém ao colocar a mão na maçaneta e girá-la, Meyer constatou o óbvio:
-Está trancada.- Ninguém respondeu, todos contemplavam desanimados o alvíssimo prédio.
-Poderíamos tentar empurrar todos juntos. - Sugeriu um garoto musculoso que tinha um sorriso abalado.
A proposta foi aceita sem nenhuma palavra e instantaneamente quase todos começaram a empurrar a porta. Não conseguiram move-la, no entanto pode-se ouvir uma risada de deboche do outro lado. A garota chorona estava agora petrificada.
Meyer olhou ao seu redor e intrigado disse:
-Não eramos 10? - Após uma rápida contagem, percebeu-se que só haviam 9 deles ali.
-Aquela garota estranha, onde se meteu?
Ouviu-se um rangido de portas se arrastando e Linda surgiu com um largo sorriso. Para o espanto de todos ela estava dentro do prédio:
-Mas como? - Perguntou o garoto musculoso e em resposta recebeu um aceno com a cabeça. Todos se viraram para onde a garota apontava e viram uma janela estilhaçada pela qual obviamente ela entrara:
-Eles deixaram a chave na porta. Creio que trancaram por pura piada. - e balançou um objeto brilhante produzindo um som irritante.- Vamos, a biblioteca é logo ali.
Em poucos passos eles atravessaram o saguão de entrada e adentraram a gigantesca biblioteca. As paredes eram tão brancas quanto as externas, grandes janelas davam uma iluminação edênica ao lugar. As prateleiras eram todas de mogno e recheadas por centenas de milhares ou talvez milhôes de livros. Levariam anos para vasculhar tudo aquilo:
-OK, vamos nos dividir. - Foi a voz de Linda que quebrou o silêncio. - Pelo que contei são vinte fileiras, nos separaremos em duplas. Você otário. – e apontou para o garoto musculoso, que não parecisa ter se sentido ofendido pois apresentava um sorriso triunfante. - Vamos por aqui. - E se encaminhram para as duas primeira fileiras. Os outros fizeram o mesmo nas restantes. Os últimos a se afastarem foram Meyer e a garota chorona.
-Bem, se não me engano os livros estão divididos em assuntos e em ordem alfabética. Devemos estar na parte de biologia. Vá tirando os livros e me passando, você faz o trabalho braçal e eu o intelectual. - Vendo que o garoto ainda estava abobalhado completou: - Vamos!
-M..mas nós, eu p..pensei que.. - porém ele não precisou terminar, a garota já tinha entendendo o recado e exibia uma cara de profundo nojo:
-Não! Eca, cale essa boca e trabalhe se quiser sair daqui com vida.
E sem protestar o garoto retirou “Anatomia animal” da prateleira e passou desanimadamente para Linda, que pegou o livro, deu uma rápida folheada, uma chacoalhada e vendo que não continha nada além de vacas e cachorros cortados ao meio jogou-o com violência no chão. O mesmo aconteceu com centenas de livros seguintes.
O sol que entrava pela janela começava a cozinhá-los la dentro. A poeira antes acomodada junto aos livros na prateleira, agora causava espirros por toda a biblioteca. As folheadas e chacoalhões já não eram mais tão vigorosas devido ao sono que começava a tomar conta de todos ali. Foi um grito esganiçado de terror que rompeu o tédio e despertou a todos. Linda só pode ver um Meyer ensanguentado correr desesperado em direção a porta:
-Trasgo! Nas masmorras. - E dizendo isso desmaiou.


Música: Hisghway to hell - AC/DC

Marcadores: , ,




8- Sneer
terça-feira, 21 de abril de 2009


Nesse momento o caos reinava. Apesar da incerteza, a previsão de uma desgraça era uma ideia cada vez mais fixa na cabeça daquelas 300 pessoas. Discussões sobre até que ponto tudo isso seria verdade, ou até onde iria o St. Jimmy para “ensiná-los” e inclusive se apareceriam em algum canal de TV e se ficariam famosos. Uma garota de traços orientais chegou a cogitar um documentário, causando alguns risos nervosos.

Foi Sneer quem decidiu tomar uma atitude. Num repentino e imponente grito pediu:
-Será que todos poderiam se sentar novamente? - Por falta de opções os alunos foram aos poucos se acomodando mais uma vez na arquibancada. O último a se sentar foi o encharcado Johnny. Sneer retomou. - Bom, precisamos fazer alguma coisa, tenho algumas ideias e gostaria de apresentá-las. - e após um silêncio de aprovação ele continuou, inquieto e pouco seguro da aceitação. - Temos 200 dias para achar uma bomba e desativá-la. Sim eu acredito que há uma bomba – completou após alguns olhares indagadores. - Se ela estivesse explícita creio que teríamos um tempo mais curto, logo deve estar extremamente bem escondida. Teremos que providenciar comida e abrigo para todos, proponho que nos dividamos em 2 grupos. O primeiro irá atrás da bomba, mapeará o terreno, procurará em todos os cantos da escola por qualquer pista e trabalhará para desativá-la assim que encontrarmo-na. O segundo irá atras de roupa, comida, medicamentos e tudo que possa ser necessário e útil em nossa agradável estadia nesse inferno.- Ele fez uma pausa esperando aprovação ou qualquer outra demonstração de conscentimento, mas foi Johnny quem falou, causando um estranho frio na barriga de Sneer:
- Como tem tanta certeza que isso não é uma grande pegadinha? Não está indo longe demais com essa porra? É só alguem pegar uma merda de um celular e ligar para um filho-da-puta vir nos tirar daqui!
- Tenho tanta certeza quanto a de que você é um gênio. Mesmo que seja uma brincadeira de mal gosto prefiro não pagar para ver, ele queria que nos organizássemos, que aprendessemos a encarar desafios, fazer escolhas, tomar decisões que podem mudar nossa vida. É o que eu vou fazer. Quanto aos celulares, eles foram recolhidos na entrada, mas creio que você estava chapado demais para perceber.
- Foda-se, não me parece que aqueles malucos idiotas queiram nos ensinar algo, caso contrário não tentariam nos matar. Não sou otário como vocês, eu entrei com o meu celular e está bem aqui no bolso de minha calça. - E para a decepção de todos que o olhavam esperançosamente ele tirou um aparelho encharcado e totalmente inútil do bolso. - Bom, esse merda não funciona mais, mas acho que alguém lá de fora vai perceber quando não aparecermos, não?

-Nós viemos para passar o ano em regime de internato aqui. Onde você estava quando fez a matrícula?
- Isso não te importa, mas voltando ao seu infalível plano, Cebolinha. Você será nosso líder? - As outras pessoas eram meras espectadoras da discussão, tinham suas perguntas nas palavras de Johnny e suas respostas nas de Sneer.
-Não. Creio que o poder é a origem da desigualdade e aqui somos todos aprendizes ou vítimas se preferirem. Se essa bomba explodir, não creio que ela vá deixar alguém sobreviver só porque é bonitinho ou tem uma gorda conta bancária. - Sneer não sabia como um pensamento tão filosófico tinha saído dele, mas ficou feliz em verificar que Johnny parecia desistir e se calar. Engano dele:
-Por que não fugimos simplismente e deixamos a bomba explodir toda essa bosta? Enquanto isso poderíamos estar aproveitando melhor o tempo. - E virou-se para Linda com um sorriso sedutor.
Mas Sneer não precisou responder essa, pois 298 olhares fuzilavam raivosamente o garoto que se calou.
- Bom, vamos nos dividir.

Música: Should I Stay or Should I Go - The Clash

Marcadores: , , ,




6- A Aula
domingo, 12 de abril de 2009


O diretor era um homem de estatura média e muito magro. O pouco cabelo que lhe restava era grisalho, seus olhos eram castanhos e a barba fora claramente bem feita.Uma longa cicatriz estampava seu longo pescoço. Seu terno era ainda melhor do que o do homem que repreendera Sneer na entrada, sua voz mecânica ecoava alto como um trovão:
Como alguns aqui sabem – e seu olhar foi parar no garoto que ainda sorria bobamente – sou Robert Boss, ou para vocês, diretor Boss. - ele fez uma pausa para observar a reação dos alunos, apavorá-los era seu esporte favorito, continuou com os olhos fuzilando o mesmo garoto que agora cochichava algo para enjoada colega a seu lado. - Vocês irão descobrir, por bem ou por mal, que sou extremamente intolerante e não permitirei qualquer deslize ou desvio de comportamento que não condiza com o que o St. Jimmy espera. Todos vocês foram longa e atentamente analisados e escolhidos para se juntar a nós. Acreditamos que sejam as 300 pessoas com o futuro mais brilhante do país e espero que estivessemos certos ao convidá-los, caso contrário irão desejar que nunca tivessemos cometido tal engano. - E fez outra pausa, quanto maior era o pavor no rosto dos alunos, maior era o prazer dele, percebendo isso, Sneer fingiu tomar um susto e logo em seguida deu um sorriso desafiador para o diretor seguido de uma piscadela que pareceu desconcertá-lo pois ele levou mais algum tempo para retomar a fala.- O colégio St. Jimmy tem a tradição e a fama de ser uma mola propulsora para o sucesso imediato. Por aqui já passaram 37 senadores, 4 presidentes da república, 25 medalhistass olímpicos, sendo 17 deles de ouro e ainda um prêmio nobel de física, o que comprova a eficácia de nossos métodos. Sempre fomos copiados, mas nunca igualados, porém os tempos mudaram e não poderíamos ficar parados, o conhecimento que a fama e o sucesso exigirão de vocês as outras escolas não darão, pois ele não se resume a milhares de fórmulas, nomes em latim nem regras bobas, isso qualquer um poderia dar aos senhores. Aqui vocês aprenderão a pensar, a tomar decisões corretas, fazer escolhas certas, pois é disso que o futuro é feito. Quando saírem serão homens e mulheres prontos para assumir qualquer responsabilidade lá fora e não mais adolescentes bobos. Sua primeira aula será também a última, a escola está cercada e vigiada, vocês estão presos aqui dentro e ninguém virá buscá-los - Boss fez outra pausa, a empolgação começava a crescer dentro dele, mas precisava conte-la, pois agora viria o gran finale. - Há também uma bomba escondida e programada para explodir tudo isso aqui ao fim de 200 dias. Boa sorte. - e dizendo isso ele explodiu, deixando quase todos abismados e sem ação, imóveis em seus lugares. A única exceção era o garoto de sorriso bobo que gritou felizmente:
-Festa!


Música: Dust to Dust - Misfits

Marcadores: , , ,




5 - Sneer Aleksander
quarta-feira, 8 de abril de 2009


Os gigantescos portões perolados já estavam quase se fechando quando Sneer Aleksander chegou ao St. Jimmy. Antes de entrar no entanto, ele deu uma última encarada em seu reflexo numa barra metálica, era um garoto alto de cabelos e pele morenos. Sorriu para o portão dando uma última arrumada nos longos e lisos cachos e adentrou a magnífica propriedade.
Mas antes que qualquer detalhe físico pudesse chamar sua atenção, viu um homem corpulento de cabelos e barba muito negros e olhos brilhantes como uma bala, num impecável terno preto. Junto com ele vinham palavras de ordem:
Está atrasado senhor Aleksander, sua primeira aula está começando neste exato momento, dirija-se imediatamente para o campo! E me entregue seu celular, eles são proibidos por aqui. - A esta altura o homem já atingira um tom rosado, mas Sneer não se intimidou:
- Os últimos serão os primeiros, é isso que dizem, não? E a proposito, o rosa não combina com sua gravata.
As faces do homem que antes mostravam irritação, agora exibiam incredulidade. Como alguém com uma calça listrada em verde e amarelo, uma camisa rosa-choque e uma gravata laranja poderia lhe falar da moda? Logo ele que sempre estava em roupas tão elegantes!
O homem só ficou satisfeito quando viu que o garoto seguia para o campo e deixara um velho aparelho celular no chão.
Sneer ia sem pressa pelo trajeto cimentado, observando o máximo possível a propriedade, quando lançando um olhar para a cantina pode ver um garoto com roupas que foram extremamente limpas um dia, estirado ao chão, parecia ter acabado de acordar de um longo sono. O dorminhoco suplicava por algo, mas Sneer apenas disse:
- Eu ia sugerir uma cama – e apontando para uma das mesas – aí não parece ser exatamente confortável. - Dito isso, ele se virou e rumou para o campo. Pode ouvir no entanto passos cambaleantes atrás dele. Tornou a virar-se e pode ver o garoto com mais nitidez: era extremamente desengonçado o que o fato de estar bêbado agravava, seus olhos quase verdes estavam fora de foco e a cara abobalhada parecia ainda pior. Ele suava e começava a feder. Após algum tempo encarando Sneer, ele disse:
- Meyer. Em hipótese alguma deixe algum Johnny chegar perto de mim. - Sua voz era esganiçada e pouco firme.
-Não deixarei, se ele se aproximar eu lhe dou um tiro no meio da testa, Neville.- A menção do último nome causou um enorme interesse no garoto, que visivelmente fazia força para se concentrar.
-De que você me chamou? - Seu bafo atingiu a cara de Sneer que se contraiu violentamente, o cheiro era um misto de álcool e falta de escovação.
-Neville. Neville Longbotton de Harry Potter, sabe, vocês se parecem.
- Eu adoro Harry Potter – Meyer agora exibia um sorriso feio e Sneer pode notar um dente sujo – adoro mesmo! E até pareço com Neville, pois também fui criado com minha avó, mas meus pais não estão loucos, então talvez a comparacão não seja válida. Quer que eu te chame de Harry, ou talvez Voldemort, caso queira um ar mais sombrio, eu poderia falar para todo mundo que você me salvou de vampiros ou algo assim.
-Claro, eu adoraria – replicou ironicamente Sneer num tom seco, enquanto o garoto tomava fôlego para voltar a uma fala repreendida.
Chegaram ao campo e imediatamente todos se calaram, exceto uma garota que disse em voz baixa:
- Se você não calar a boca, seu pênis será um órgão inativo. - A voz fez Sneer tremer, mas as outras pessoas não pareceram ligar muito para isso e com exceção de um garoto que gargalhava retardadamente, todos os outros olhavam para eles, o que fez Meyer corar violentamente. Puderam ouvir a voz de repreensão do diretor:
-Senhores Lier e Aleksander, estão atrasados, queiram sentar-se, eu já ia começar. Mas antes que o diretor o fizesse Meyer adicionou em tom de desculpas:
-Desculpe-nos, é que fui atacado por vampiros próximo a cantina, se ele não aparecesse, provavelmente eu estaria morto agora.- Sneer sorriu e concordou com o que foi dito. Após isso, sentou-se bem no centro da primeira fileira, com Meyer ao lado direito.

Música: Fight to Live - Boucing Souls

Marcadores: , ,




4 - Linda e Lyla
domingo, 5 de abril de 2009


Linda e Lyla ainda estavam surpresas com o convite feito pelo St. Jimmy verão passado, estar ali sempre fora um doce sonho, nada mais. É verdade que as gêmeas sempre foram as primeiras da sala e por mais diferente que fossem , a inteligência em ambas era enorme.
As duas eram físicamente idênticas, porém era necessário certo tempo de observação para concluir isso. Enquanto Lyla tinha longos cabelos loiros, Linda tinha o seu curto e tingido de ruivo, Lyla vestia uma saia vermelha que chegava até a altura dos joelhos e uma camisa tão branca quanto seu sorriso, Linda uma calça jeans muito apertada, uma camisa com um Joey Ramone sagaz e uma jaqueta de couro. A pela da loira era perfeita, uma tatuagem de um trevo de quatro folhas no pescoço era parcialmente encoberta pelos fios dourados do cabelo, a ruiva era cheia de tatuagens, todas muito coloridas e alegres. Mas os profundos olhos verdes e o sorriso brilhante denunciavam a semelhança que elas faziam questão em ocultar. Por onde as irmãs passavam, os olhares as acompanhavam, algo que as incomdava profundamente, a sensação de ser julgada era algo repugnante.
Logo na entrada foram instruídas a se dirigir diretamente para o campo, onde ocorreria a primeira aula. Ainda na porta, Lyla contrariada deixou seu celular, e depois seguiram por um enjoativo e perfeito gramado que contornava a gigantesca e alva construção que era o prédio principal. Quando passaram próximas a cantina, Lyla exclamou:
- Tem um garoto dormindo ali? - Contudo, o turbilhão de gente que passava, além de impedir uma visão nítida, arrastou-as rumo ao campo, o que dispersou os pensamentos das garotas quando lá chegaram.
A arquibandada estava abarrotada de gente, cada uma extremamente diferente da outra, algumas exibiam sorrisos presunçosos, outras faziam questão de ficar o menos visível possível e ainda haviam aqueles que se perguntavam o que faziam ali.
Elas se encaminharam para a última fileira da arquibancada e lá se sentaram. Lyla parecia querer comentar algo com a irmã, mas a cara fechada da segunda foi pouco convidativa e a loira permaneceu calada. Aguardaram os últimos alunos se sentarem em silêncio, tentando absorver tudo aquilo. O retardatário era um garoto que parecia ter acabado de ser atropelado por uma comitiva e fumava alegremente o que aparentava ser um cigarro de palha. Elas observaram-no encaminhar-se até onde estavam sentadas, se acomodar logo ao lado delas e apagar o cigarro. Ele olhou com um sorriso bobo pra elas e depois de algum tempo encarando falou:
- Qual de vocês é a gêmea má? - E dizendo isso, olhou demoradamente para as duas como se as avaliasse. - Quem sabe as duas, seria legal nós três nus, sabe, se quiserem experimentar. - E riu alto como se nada ali o preocupasse nem o afetasse. Elas pela primeira vez tiveram coragem de observá-lo mais atentamente e viram olhos muito azuis, um cabelo curto castanho e bagunçado que contrastava com sua pele alvíssima, Linda imaginou a cena dele sendo atropelado logo na porta do hospício, mas teve que se conter pois ouviram a voz do diretor ecoar fortemente, fazendo todo o burburinho cessar e mergulhar toda aquela ansiedade num silêncio perigoso, que logo foi novamente interrompido:
- Senhoras e senhores, gostaria da total atenção de vocês agora. - E antes que todos tentassem ficar ainda mais calados, Lyla ouviu uma voz conhecida murmurrar palavras como “pênis” e “orgão inativo”.


Música : High School Never Ends - Bowling for Soup

Marcadores: , , ,




3- Meyer Leyer
quarta-feira, 1 de abril de 2009


Meyer estava petrificado, surpreso que suas pernas conseguissem se movimentar, porque esse não era o desejo de seu cérebro. Estava ainda inquieto e resolveu falar, fazendo o possível para manter a voz firme:
-Sabe, acho que não deveiamos ir pela grama. – e apontou para um trajeto cimentado que todos os outros alunos usavam.Mas Johnny tinha uma explicação para a infração.
- Meu caro Meyer, estamos no caminho mais curto, chegaremos lá antes deles, não pegaremos fila. Quanto às gramas, elas sobreviveram – e deu um chute numa muda que estava amarrada a um bastão – ou não – completou com uma risada escandalosa.
A cantina era aberta, um teto cobria algumas mesas e o balcão do sol escaldante. Ela era toda em tons diferentes de azul. Não era muito grande, cerca de 10 mesas com confortáveis bancos ocupavam o lugar e o balcão parecia ligeiramente apertado. Meyer ficou numa das mesas e observou Johnny ir até o balcão e pedir:
-Uma cerveja, por favor – O balconista olhou perplexo para o garoto, obviamente aquele não era um pedido muito comum, mas respondeu polidamente:
- Não servimos bebidas alcoólicas aqui. - Mas Johnny que não prestava atenção ao que ele falava olhou para a cara dele compenetrado, procurando algo ali:
- Eu não te conheço de algum lugar?
- Não senhor.
- E o cara por trás dessas espinhas? - E riu alto e gostosamente da cara do atendete – Não se preocupe, eu vim preparado, aliás, belo boné.- E dizendo isso foi até a mesa onde Meyer o observava aterrorizado. Como alguém poderia ser tão mal-educado, tão inconsequente? Observou Johnny abrir a mochila e tirar de lá o que se parecia com uma garrafa de água e dar um longo gole.
-Tome um gole Eyer, vai te acalmar. - Hesitante e sem muita certeza do que fazia, Meyer levou a garrafa a boca e deu um cuidadoso gole. Seus olhos lacrimejaram e ele engoliu com dificuldade. Aquilo era maravilhoso, algo do que fora privado a vida inteira agora se encontrava em sua mão direita. Com os olhos brilhando encarou Johnny que parecia não entender bem a situação e esperava que Meyer devolvesse a garrafa, mas isso não aconteceu. Meyer virou todo o conteudo do recipiente em um gole só e observou o ligeiro estado de choque de Johnny que exclamou pouco depois:
- HAHA! Esse é meu garoto, boa Eyer, agora vamos que estão nos esperando no campo – mas Meyer não estava disposto a se levantar e quando o fez deu uma cambaleada sendo salvo da queda pelo balcão.
- Você não bebe com muita frequência, não é? - Observou Johnny.
- Minha avó não me deixa chegar perto da água tônica dela, ela diz que é muito perigoso.
-Água tônica? - E a confusão se disspava da cara de Johnny – É, são realmente perigosas.-
Mas Meyer que caíra no chão e não ouvira as últimas palavras do garoto, só pode observar pernas que rumavam rapidamente para o campo e pareciam ocupadas demais para vê-lo ali quase inconsciente. Fechou os olhos e dormiu.


Música: The Ballad - Millencolin

Marcadores: , ,




2- Johnny Fun
quarta-feira, 25 de março de 2009


O sol brilhava fortemente naquele que não era apenas mais um dia de aula, era o primeiro dia de aula, mas diferentemente dos usuais primeiros dias, nesse não haviam garotas ávidas por relatar com detalhes suas férias em alguma cidade européia, nem garotos narrando com detalhes suas conquistas mais valiosas. Não haviam grupinhos, havia apenas o indivíduo, sozinho, com um mundo novo se abrindo pra ele naquele primeiro dia de aula.
A escola de St. Jimmy aceita apenas alunos excepcionais. Ou com mentes excepcionais ou com contas bancárias excepcionais, dali sairiam os principais líderes políticos, científicos e esportistas do país. Pelos perolados portões do St. Jimmy não passava qualquer um, não era necessário apenas querer.
Johnny Fun acabava de cruzar a barreira que garantiria seu futuro e se deparou com a magnificância do St, Jimmy. O prédio era imponente, seus 7 andares eram pintados num branco reluzente que fazia arder os olhos mais sensíveis, o gramado era mais verde e bem aparado que o de qualquer vizinho e pesados muros de concreto cercavam a escola por toda sua extensão. Tudo aquilo fez Johnny abrir um largo sorriso, a satisfação de ver e estar no meio da elite que em breve seria o futuro do país quase chegava a satisfazer seu ego. Mas haviam ali cerca de 300 pessoas e ele não se contentava em ser apenas mais um, queria ser o melhor. A missão pareceu extremamente fácil quando ouviu uma voz sussurrar em suas costas:
-Uau! Isso aqui parece Hogwarts, só que no paraíso!
Nerd, pensou Johnny. Largou seu skate numa vaga não ocupada do estacionamento frequentado por Ferraris, Porsches e outros carros luxuosos e virou-se para encarar o garoto que acabara de falar. Não era alto mas tinha braços estranhamente longos e desproporcionais em relação ao resto do corpo. Johnny julgou que uns oculos de fundo de garrafa cairiam bem naquela cara magra e boba. Os olhos eram castanho esverdeados e o cabelo extremamente despenteado que muito negro cobriam sua cabeça dando-lhe um ar ainda mais lunático e sonolento. Mas o que realmente chamou a atençao de Johnny foram as roupas do menino, que eram extamente iguais as dele, mas em melhor estado. A camisa polo listrada em preto e verde limão que em Johnny se encontrava ligeiramente desgrenhada no garoto estava para dentro das impecáveis calças jeans, que em Johnny eram gastas e rasgadas na altura do joelho.
- Falou comigo nerd?- indagou Johnny com um sorriso desafiador que era realçado pelos cabelos castanhos e curtos , sua pele muito clara e seus olhos extremamente azuis, se é que assim poderiam ser.
Mas o garoto não respondeu, ficou olhando assustado para Johnny. Pelo visto ele não pensou que pudesse ser visível e nem ouvido. Procurou desesperadamente por outra pessoa ali para quem a pergunta puderia ter sido direcionada, porém não havia mais ninguém. O constrangimento do garoto levou Johnny ao delírio, e agora se divertia ao tirar um cigarro de maconha do bolso traseiro. Com um aceno da mão ofereceu ao garoto imóvel com os olhos surpreendentemente arregalados. Vendo que ele ainda não se predispusera a falar, Johnny resolveu partir para uma abordagem amigável:
- Bela camisa
- Ah, obrigado, minha avó quem escolheu – Johnny riu descaradamente ao ouvir a voz do garoto com maior nitidez. Esse obviamente era o motivo pelo qual ele falava tão pouco.
- Cara, sua voz parece a do meu tio , e ele está no hopspício – e com isso levou o cigarro a boca e após uma tragada anunciou
- Gostei de você. Johnny.
-Meyer- disse o garoto a contra-gosto. Ele ainda parecia estar em estado de choque, quando um homem imponente, vestido com um terno tão negro quanto seus olhos, cabelo e barba pousou a mão no ombro de Johnny que se virou sem pressa e o encarou por um momento antes de oferecer o cigarro que fumava e comentar.
-É da boa - mas o homem não pareceu gostar e sua feição permaneceu séria.
-Não aceitamos drogas aqui senhor Fun. Sugiro que se livre delas antes que façamos isso por você – Meyer pareceu querer se pronunciar, mas o homem foi mais rápido – no seu caso são permitidas senhor Leyer. Esperamos os senhores no campo para sua primeira aula. - E com um último olhar pra mão de Johnny o homem se encaminhou para outros alunos proximos a eles.
Quando se certificou que o homem não os olhava mais, Meyer percebeu que Johnny mantinha os olhos fixos nele com uma espécie de fascinação, ele ainda mantinha o baseado aceso e após uma longa tragada disse:
-O que você tem ai? - e vendo a cara de confuso de Meyer adicionou – de drogas?
- E...eu tomo alguns remédios, minha vó diz que eles me mantém controlado – e encarou Johnny que agora parecia idolatrá-lo:
- Demais! Podemos ser bons amigos sabe e agarrando o atrapalhado garoto pelo ombro, seguiram para a cantina.


Música: Ace of Spades - Motorhead

Marcadores: , ,




1-St. Jimmy
sábado, 21 de março de 2009


-O colégio St. Jimmy não é apenas um colégio.- Começou o diretor Robert Boss. Seu nervosismo era cada vez maior e ele fazia de tudo para que isso nao transparecesse. Seu terno não poderia estar mais impecável, era humanamente impossível que se encontrasse ali uma poeira que fosse, seu perfume nao era forte, mas fazia chegar às pessoas sentadas um agradável odor. No topo de sua cabeça não havia um único fio que ousasse sair do lugar, mas seus olhos profundamente negros que continuavam firmes não passavam confiança, alguns músculos se contraíam involuntariamente em sua cara magra e o alhar atento e avaliador daquelas três pessoas o fazia sentir-se como um mendigo imundo. Tentando afastar esse pensamento, ele continuou: -Aqui só entram os melhores, as mentes mais brilhantes e aqueles capazes de liderar essa nação num futuro próximo, os números provam, por aqui já passaram: 37 senadores, 4 presidentes da república, 25 medalhistass olímpicos, sendo 17 deles de ouro e ainda um prêmio nobel de física. Para ser educado pelo St. Jimmy é necessário mais do que apenas querer. Todo ano apenas os 300 melhores alunos que concluem o ensino médio em todo o país sao rigorosamente selecionados, e convidados a se juntar a nós para passar um ano decisivo em suas vidas, estar no colégio St. Jimmy hoje é visto como garantia de um futuro promissor. - Boss fez uma pausa para respirar e passou a mão mais uma vez pelo seus rareados e comportados cabelos. A insegurança era grande apesar de ter passado a madrugada inteira em claro, decorando suas falas. Observou a reação dos dois homens e da mulher presentes naquela apresentação, porém eles continuavam com o mesmo olhar. Uma pessoa que tivesse entrado na sala há 5 minutos e tornasse a entrar agora não veria diferença alguma, a não ser talvez algumas gotas de suor que começavam a aparecer no topo da cabeça do diretor. Ciente de que as pessoas ali presentes não se manifestariam tão cedo, ele abriu um slide que continha um grande portão perolado, seguro por um muro de concreto muito branco que se estendia por muitos metros em direções opostas de modo que ele todo não aparecia na tela. - Essa é a entrada do St. Jimmy, o portão é interamente em ouro e pintado de modo a dar uma aparência paradisíaca.- E passou o slide que agora exibia um belo estacionamento, repleto de Ferraris, Porsches, BMWs, SUVs e outros inúmeros carros luxuosos, o diretor Boss passou a imagem com uma breve indicação de que aquilo era o estacionamento. Na tela agora havia uma contrução imponente, tão branca quanto os muros que a cercavam, tinha 7 andares repleto de janelas. - Esse é o prédio principal, onde todo o conhecimento é transmitido a nossos alunos e é também o coração do St. Jimmy. Construído num estilo romanico, porém com uma grande quantidade de janelas para que se aproveite a luz do sol, presente o ano todo. - Ele mudou de novo a imagem e de novo, passando por campos de futebol , rugby, futebol americano, todos eles com a grama exímeamente aparada. Passaram também algumas quadras, um belíssimo jardim que se estendia por toda a propriedade, um grande pomar extremamente variado, cantinas e restaurantes, salas de aula, bibliotecas bem equipadas, a secretaria e todo o ambiente do St. Jimmy, até chegar a uma última foto que mostrava uma visão aérea da propriedade. Era belíssima, a escola ficava no alto de uma gigantesca montanha, que terminava numa praia de mar profundamente azul. Era cercada por todo o lado e impenetrável, repleta de cameras e cercas que impediam qualquer tentativa de que os muros fossem transpassados. A sensção que se tentava passar era de que se existia perfeição em algum lugar do mundo, certamente seria ali.
- Por fim - retomou o diretor - vou apresentá-los ao nosso sistema de ensino. Toda a tradição de St. Jimmy não nasceu do acaso, nós temos a habilidade de identificar o ponto forte de cada aluno, seja esportivo, científico ou político e destacá-lo, treiná-lo até que este se aproxime o máximo possível da perfeição. Foi isso que nos tornou os melhores, mas os tempos mudaram e a exigência do mundo também, somente esse trabalho não é mais suficiente para se manter na ponta, este ano revolucionaremos a didática e estamos certo que todos os alunos do St. Jimmy estarão aptos a conviver com qualquer desafio que a vida lhe imponha, dentro de doze meses não haverão mais adolescentes aqui e sim adultos munidos de personalidade, caráter e conhecimento. - Ele fez uma última pausa antes de acrescentar:- Alguma pergunta? - Robert parecia ter dito aquilo tudo excepciolamente rápido e agora sem fôlego, sua face começava a atingir um leve tom rosado. Ele encarou os dois homens e a mulher ali sentados. Um deles que era muito baixo, gordo e tinha mais bigode que cabelo, olhava encantado para aquilo tudo. O outro era um oriental musculoso e sério, parecia satisfeito. Mas quando seu olhar encontrou o da mulher baixa, com cabelos em forma de juba e oculos caidos sobre o nariz ele sentiu suas sombrancelhas afrouxarem.
- Queremos resultados, vocês tem um ano. - Dizendo isso ela se levantou e se encaminhou para a porta, gesto que foi seguido pelos outros dois homens sem a menor cerimonia ou despedida.
Quando a porta tornou a se fechar, Robert afrouxou o nó da gravata e soltou um demorado suspiro, parecia que precisasse se aliviar, entretanto não tinha certeza se a privada suportaria tantas fezes.
- Ela suportou, por um ano - disse para si mesmo num tom baixíssimo que somente ele poderia ter ouvido. Em seguida entrou no banheiro e por lá ficou o resto da tarde.


Música: St. Jimmy - Green Day

Marcadores: