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15,5 - Johnny e Lyla
quinta-feira, 7 de maio de 2009


-Eu conheço bem Sneer – começou Lyla. - e sei que ele está com medo, medo de não ser o melhor, de se sentir frágil e aqui nessa fogueira estão duas pessoas que já causaram isso neles. Existe apenas mais uma, mas esta é outra história. Ele está mais preocupado em discordar de você do que em buscar a verdade.
-Você quer dizer que nós devemos transar?
A decepção assolou Lyla que se levantou silenciosamente, o que foi pior que qualquer palavra, fazendo Johnny logo mudar o tom.
-Talvez aquela não seja outra história. - A garota se virou de repente e encarou o garoto como se indentificasse a alma dele. Não demorou muito ela sorriu, mas antes que pudesse se mover ele continuou – Me desculpa, eu esqueci que com você não preciso ser um idiota. - Johnny não tinha muita experiência com a sinceridade, mas o brilho no olhar da garota, o doce perfume que ainda prevalecia e a pouco visível tatuagem de trevo no pescoço despertavam essa qualidade nele. Sempre fora assim:
-Eu sabia! Sempre soube! Não foi você não é mesmo? - Ela se agarrava na idéia com todas as suas forças, queria acreditar que aquilo era verdade.
-Não, fomos todos e nenhum de nós. - Nada mais foi dito durante muito tempo. A palavra seguinte veio junto com os primeiros raios de sol:
-É melhor nos vestirmos, antes que alguem acorde.


Música: Woman - Wolfmother

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8- Sneer
terça-feira, 21 de abril de 2009


Nesse momento o caos reinava. Apesar da incerteza, a previsão de uma desgraça era uma ideia cada vez mais fixa na cabeça daquelas 300 pessoas. Discussões sobre até que ponto tudo isso seria verdade, ou até onde iria o St. Jimmy para “ensiná-los” e inclusive se apareceriam em algum canal de TV e se ficariam famosos. Uma garota de traços orientais chegou a cogitar um documentário, causando alguns risos nervosos.

Foi Sneer quem decidiu tomar uma atitude. Num repentino e imponente grito pediu:
-Será que todos poderiam se sentar novamente? - Por falta de opções os alunos foram aos poucos se acomodando mais uma vez na arquibancada. O último a se sentar foi o encharcado Johnny. Sneer retomou. - Bom, precisamos fazer alguma coisa, tenho algumas ideias e gostaria de apresentá-las. - e após um silêncio de aprovação ele continuou, inquieto e pouco seguro da aceitação. - Temos 200 dias para achar uma bomba e desativá-la. Sim eu acredito que há uma bomba – completou após alguns olhares indagadores. - Se ela estivesse explícita creio que teríamos um tempo mais curto, logo deve estar extremamente bem escondida. Teremos que providenciar comida e abrigo para todos, proponho que nos dividamos em 2 grupos. O primeiro irá atrás da bomba, mapeará o terreno, procurará em todos os cantos da escola por qualquer pista e trabalhará para desativá-la assim que encontrarmo-na. O segundo irá atras de roupa, comida, medicamentos e tudo que possa ser necessário e útil em nossa agradável estadia nesse inferno.- Ele fez uma pausa esperando aprovação ou qualquer outra demonstração de conscentimento, mas foi Johnny quem falou, causando um estranho frio na barriga de Sneer:
- Como tem tanta certeza que isso não é uma grande pegadinha? Não está indo longe demais com essa porra? É só alguem pegar uma merda de um celular e ligar para um filho-da-puta vir nos tirar daqui!
- Tenho tanta certeza quanto a de que você é um gênio. Mesmo que seja uma brincadeira de mal gosto prefiro não pagar para ver, ele queria que nos organizássemos, que aprendessemos a encarar desafios, fazer escolhas, tomar decisões que podem mudar nossa vida. É o que eu vou fazer. Quanto aos celulares, eles foram recolhidos na entrada, mas creio que você estava chapado demais para perceber.
- Foda-se, não me parece que aqueles malucos idiotas queiram nos ensinar algo, caso contrário não tentariam nos matar. Não sou otário como vocês, eu entrei com o meu celular e está bem aqui no bolso de minha calça. - E para a decepção de todos que o olhavam esperançosamente ele tirou um aparelho encharcado e totalmente inútil do bolso. - Bom, esse merda não funciona mais, mas acho que alguém lá de fora vai perceber quando não aparecermos, não?

-Nós viemos para passar o ano em regime de internato aqui. Onde você estava quando fez a matrícula?
- Isso não te importa, mas voltando ao seu infalível plano, Cebolinha. Você será nosso líder? - As outras pessoas eram meras espectadoras da discussão, tinham suas perguntas nas palavras de Johnny e suas respostas nas de Sneer.
-Não. Creio que o poder é a origem da desigualdade e aqui somos todos aprendizes ou vítimas se preferirem. Se essa bomba explodir, não creio que ela vá deixar alguém sobreviver só porque é bonitinho ou tem uma gorda conta bancária. - Sneer não sabia como um pensamento tão filosófico tinha saído dele, mas ficou feliz em verificar que Johnny parecia desistir e se calar. Engano dele:
-Por que não fugimos simplismente e deixamos a bomba explodir toda essa bosta? Enquanto isso poderíamos estar aproveitando melhor o tempo. - E virou-se para Linda com um sorriso sedutor.
Mas Sneer não precisou responder essa, pois 298 olhares fuzilavam raivosamente o garoto que se calou.
- Bom, vamos nos dividir.

Música: Should I Stay or Should I Go - The Clash

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6- A Aula
domingo, 12 de abril de 2009


O diretor era um homem de estatura média e muito magro. O pouco cabelo que lhe restava era grisalho, seus olhos eram castanhos e a barba fora claramente bem feita.Uma longa cicatriz estampava seu longo pescoço. Seu terno era ainda melhor do que o do homem que repreendera Sneer na entrada, sua voz mecânica ecoava alto como um trovão:
Como alguns aqui sabem – e seu olhar foi parar no garoto que ainda sorria bobamente – sou Robert Boss, ou para vocês, diretor Boss. - ele fez uma pausa para observar a reação dos alunos, apavorá-los era seu esporte favorito, continuou com os olhos fuzilando o mesmo garoto que agora cochichava algo para enjoada colega a seu lado. - Vocês irão descobrir, por bem ou por mal, que sou extremamente intolerante e não permitirei qualquer deslize ou desvio de comportamento que não condiza com o que o St. Jimmy espera. Todos vocês foram longa e atentamente analisados e escolhidos para se juntar a nós. Acreditamos que sejam as 300 pessoas com o futuro mais brilhante do país e espero que estivessemos certos ao convidá-los, caso contrário irão desejar que nunca tivessemos cometido tal engano. - E fez outra pausa, quanto maior era o pavor no rosto dos alunos, maior era o prazer dele, percebendo isso, Sneer fingiu tomar um susto e logo em seguida deu um sorriso desafiador para o diretor seguido de uma piscadela que pareceu desconcertá-lo pois ele levou mais algum tempo para retomar a fala.- O colégio St. Jimmy tem a tradição e a fama de ser uma mola propulsora para o sucesso imediato. Por aqui já passaram 37 senadores, 4 presidentes da república, 25 medalhistass olímpicos, sendo 17 deles de ouro e ainda um prêmio nobel de física, o que comprova a eficácia de nossos métodos. Sempre fomos copiados, mas nunca igualados, porém os tempos mudaram e não poderíamos ficar parados, o conhecimento que a fama e o sucesso exigirão de vocês as outras escolas não darão, pois ele não se resume a milhares de fórmulas, nomes em latim nem regras bobas, isso qualquer um poderia dar aos senhores. Aqui vocês aprenderão a pensar, a tomar decisões corretas, fazer escolhas certas, pois é disso que o futuro é feito. Quando saírem serão homens e mulheres prontos para assumir qualquer responsabilidade lá fora e não mais adolescentes bobos. Sua primeira aula será também a última, a escola está cercada e vigiada, vocês estão presos aqui dentro e ninguém virá buscá-los - Boss fez outra pausa, a empolgação começava a crescer dentro dele, mas precisava conte-la, pois agora viria o gran finale. - Há também uma bomba escondida e programada para explodir tudo isso aqui ao fim de 200 dias. Boa sorte. - e dizendo isso ele explodiu, deixando quase todos abismados e sem ação, imóveis em seus lugares. A única exceção era o garoto de sorriso bobo que gritou felizmente:
-Festa!


Música: Dust to Dust - Misfits

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4 - Linda e Lyla
domingo, 5 de abril de 2009


Linda e Lyla ainda estavam surpresas com o convite feito pelo St. Jimmy verão passado, estar ali sempre fora um doce sonho, nada mais. É verdade que as gêmeas sempre foram as primeiras da sala e por mais diferente que fossem , a inteligência em ambas era enorme.
As duas eram físicamente idênticas, porém era necessário certo tempo de observação para concluir isso. Enquanto Lyla tinha longos cabelos loiros, Linda tinha o seu curto e tingido de ruivo, Lyla vestia uma saia vermelha que chegava até a altura dos joelhos e uma camisa tão branca quanto seu sorriso, Linda uma calça jeans muito apertada, uma camisa com um Joey Ramone sagaz e uma jaqueta de couro. A pela da loira era perfeita, uma tatuagem de um trevo de quatro folhas no pescoço era parcialmente encoberta pelos fios dourados do cabelo, a ruiva era cheia de tatuagens, todas muito coloridas e alegres. Mas os profundos olhos verdes e o sorriso brilhante denunciavam a semelhança que elas faziam questão em ocultar. Por onde as irmãs passavam, os olhares as acompanhavam, algo que as incomdava profundamente, a sensação de ser julgada era algo repugnante.
Logo na entrada foram instruídas a se dirigir diretamente para o campo, onde ocorreria a primeira aula. Ainda na porta, Lyla contrariada deixou seu celular, e depois seguiram por um enjoativo e perfeito gramado que contornava a gigantesca e alva construção que era o prédio principal. Quando passaram próximas a cantina, Lyla exclamou:
- Tem um garoto dormindo ali? - Contudo, o turbilhão de gente que passava, além de impedir uma visão nítida, arrastou-as rumo ao campo, o que dispersou os pensamentos das garotas quando lá chegaram.
A arquibandada estava abarrotada de gente, cada uma extremamente diferente da outra, algumas exibiam sorrisos presunçosos, outras faziam questão de ficar o menos visível possível e ainda haviam aqueles que se perguntavam o que faziam ali.
Elas se encaminharam para a última fileira da arquibancada e lá se sentaram. Lyla parecia querer comentar algo com a irmã, mas a cara fechada da segunda foi pouco convidativa e a loira permaneceu calada. Aguardaram os últimos alunos se sentarem em silêncio, tentando absorver tudo aquilo. O retardatário era um garoto que parecia ter acabado de ser atropelado por uma comitiva e fumava alegremente o que aparentava ser um cigarro de palha. Elas observaram-no encaminhar-se até onde estavam sentadas, se acomodar logo ao lado delas e apagar o cigarro. Ele olhou com um sorriso bobo pra elas e depois de algum tempo encarando falou:
- Qual de vocês é a gêmea má? - E dizendo isso, olhou demoradamente para as duas como se as avaliasse. - Quem sabe as duas, seria legal nós três nus, sabe, se quiserem experimentar. - E riu alto como se nada ali o preocupasse nem o afetasse. Elas pela primeira vez tiveram coragem de observá-lo mais atentamente e viram olhos muito azuis, um cabelo curto castanho e bagunçado que contrastava com sua pele alvíssima, Linda imaginou a cena dele sendo atropelado logo na porta do hospício, mas teve que se conter pois ouviram a voz do diretor ecoar fortemente, fazendo todo o burburinho cessar e mergulhar toda aquela ansiedade num silêncio perigoso, que logo foi novamente interrompido:
- Senhoras e senhores, gostaria da total atenção de vocês agora. - E antes que todos tentassem ficar ainda mais calados, Lyla ouviu uma voz conhecida murmurrar palavras como “pênis” e “orgão inativo”.


Música : High School Never Ends - Bowling for Soup

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2- Johnny Fun
quarta-feira, 25 de março de 2009


O sol brilhava fortemente naquele que não era apenas mais um dia de aula, era o primeiro dia de aula, mas diferentemente dos usuais primeiros dias, nesse não haviam garotas ávidas por relatar com detalhes suas férias em alguma cidade européia, nem garotos narrando com detalhes suas conquistas mais valiosas. Não haviam grupinhos, havia apenas o indivíduo, sozinho, com um mundo novo se abrindo pra ele naquele primeiro dia de aula.
A escola de St. Jimmy aceita apenas alunos excepcionais. Ou com mentes excepcionais ou com contas bancárias excepcionais, dali sairiam os principais líderes políticos, científicos e esportistas do país. Pelos perolados portões do St. Jimmy não passava qualquer um, não era necessário apenas querer.
Johnny Fun acabava de cruzar a barreira que garantiria seu futuro e se deparou com a magnificância do St, Jimmy. O prédio era imponente, seus 7 andares eram pintados num branco reluzente que fazia arder os olhos mais sensíveis, o gramado era mais verde e bem aparado que o de qualquer vizinho e pesados muros de concreto cercavam a escola por toda sua extensão. Tudo aquilo fez Johnny abrir um largo sorriso, a satisfação de ver e estar no meio da elite que em breve seria o futuro do país quase chegava a satisfazer seu ego. Mas haviam ali cerca de 300 pessoas e ele não se contentava em ser apenas mais um, queria ser o melhor. A missão pareceu extremamente fácil quando ouviu uma voz sussurrar em suas costas:
-Uau! Isso aqui parece Hogwarts, só que no paraíso!
Nerd, pensou Johnny. Largou seu skate numa vaga não ocupada do estacionamento frequentado por Ferraris, Porsches e outros carros luxuosos e virou-se para encarar o garoto que acabara de falar. Não era alto mas tinha braços estranhamente longos e desproporcionais em relação ao resto do corpo. Johnny julgou que uns oculos de fundo de garrafa cairiam bem naquela cara magra e boba. Os olhos eram castanho esverdeados e o cabelo extremamente despenteado que muito negro cobriam sua cabeça dando-lhe um ar ainda mais lunático e sonolento. Mas o que realmente chamou a atençao de Johnny foram as roupas do menino, que eram extamente iguais as dele, mas em melhor estado. A camisa polo listrada em preto e verde limão que em Johnny se encontrava ligeiramente desgrenhada no garoto estava para dentro das impecáveis calças jeans, que em Johnny eram gastas e rasgadas na altura do joelho.
- Falou comigo nerd?- indagou Johnny com um sorriso desafiador que era realçado pelos cabelos castanhos e curtos , sua pele muito clara e seus olhos extremamente azuis, se é que assim poderiam ser.
Mas o garoto não respondeu, ficou olhando assustado para Johnny. Pelo visto ele não pensou que pudesse ser visível e nem ouvido. Procurou desesperadamente por outra pessoa ali para quem a pergunta puderia ter sido direcionada, porém não havia mais ninguém. O constrangimento do garoto levou Johnny ao delírio, e agora se divertia ao tirar um cigarro de maconha do bolso traseiro. Com um aceno da mão ofereceu ao garoto imóvel com os olhos surpreendentemente arregalados. Vendo que ele ainda não se predispusera a falar, Johnny resolveu partir para uma abordagem amigável:
- Bela camisa
- Ah, obrigado, minha avó quem escolheu – Johnny riu descaradamente ao ouvir a voz do garoto com maior nitidez. Esse obviamente era o motivo pelo qual ele falava tão pouco.
- Cara, sua voz parece a do meu tio , e ele está no hopspício – e com isso levou o cigarro a boca e após uma tragada anunciou
- Gostei de você. Johnny.
-Meyer- disse o garoto a contra-gosto. Ele ainda parecia estar em estado de choque, quando um homem imponente, vestido com um terno tão negro quanto seus olhos, cabelo e barba pousou a mão no ombro de Johnny que se virou sem pressa e o encarou por um momento antes de oferecer o cigarro que fumava e comentar.
-É da boa - mas o homem não pareceu gostar e sua feição permaneceu séria.
-Não aceitamos drogas aqui senhor Fun. Sugiro que se livre delas antes que façamos isso por você – Meyer pareceu querer se pronunciar, mas o homem foi mais rápido – no seu caso são permitidas senhor Leyer. Esperamos os senhores no campo para sua primeira aula. - E com um último olhar pra mão de Johnny o homem se encaminhou para outros alunos proximos a eles.
Quando se certificou que o homem não os olhava mais, Meyer percebeu que Johnny mantinha os olhos fixos nele com uma espécie de fascinação, ele ainda mantinha o baseado aceso e após uma longa tragada disse:
-O que você tem ai? - e vendo a cara de confuso de Meyer adicionou – de drogas?
- E...eu tomo alguns remédios, minha vó diz que eles me mantém controlado – e encarou Johnny que agora parecia idolatrá-lo:
- Demais! Podemos ser bons amigos sabe e agarrando o atrapalhado garoto pelo ombro, seguiram para a cantina.


Música: Ace of Spades - Motorhead

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