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9 - Linda e Meyer
quarta-feira, 22 de abril de 2009


Em pouco menos de uma hora eles já estavam divididos. Um grupo de 150 pessoas foram atrás da bomba. Eles iriam mapear todo o terreno e colher tudo aquilo que pudesse ser útil. Os 150 restantes se dividiriam na busca de comida, roupa e abrigo. O primeiro grupo foi intitulado Inteligência e o segundo Estado, era na Inteligência que se encontravam Linda e Meyer, os dois e outros 8 alunos se encaminhavam para a biblioteca.
Atravessaram o caminho cimentado, passando pela cantina agora deserta. O sol estava avassalador e o terror parecia assolá-los violentmente. Meyer olhava para trás a todo instante como se esperasse que Sneer aparecesse para salvá-lo de tudo aquilo. Do lado do garoto uma garota branquela chorava incessantemente. A única que parecia inabalável era Linda. Por trás das tatuagens e alargadores estava determinada a acabar logo com aquilo tudo. Fizeram o trajeto todo tendo como trilha sonora os soluços da garota chorosa e um canto feliz de um pássaro que sofria frequentes e raivosos olhares da gêmea. Como alguma coisa por mais ínfima que fosse poderia estar feliz em meio a tudo isso? O negativismo deveria afetar a tudo e a todos, urubus deveriam cercar a propriedade e não alegres e coloridos pássaros.
Poucos minutos depois chegaram às pesadas portas do prédio princiapl. A biblioteca se encontrava lá dentro, mais ao sul. Porém ao colocar a mão na maçaneta e girá-la, Meyer constatou o óbvio:
-Está trancada.- Ninguém respondeu, todos contemplavam desanimados o alvíssimo prédio.
-Poderíamos tentar empurrar todos juntos. - Sugeriu um garoto musculoso que tinha um sorriso abalado.
A proposta foi aceita sem nenhuma palavra e instantaneamente quase todos começaram a empurrar a porta. Não conseguiram move-la, no entanto pode-se ouvir uma risada de deboche do outro lado. A garota chorona estava agora petrificada.
Meyer olhou ao seu redor e intrigado disse:
-Não eramos 10? - Após uma rápida contagem, percebeu-se que só haviam 9 deles ali.
-Aquela garota estranha, onde se meteu?
Ouviu-se um rangido de portas se arrastando e Linda surgiu com um largo sorriso. Para o espanto de todos ela estava dentro do prédio:
-Mas como? - Perguntou o garoto musculoso e em resposta recebeu um aceno com a cabeça. Todos se viraram para onde a garota apontava e viram uma janela estilhaçada pela qual obviamente ela entrara:
-Eles deixaram a chave na porta. Creio que trancaram por pura piada. - e balançou um objeto brilhante produzindo um som irritante.- Vamos, a biblioteca é logo ali.
Em poucos passos eles atravessaram o saguão de entrada e adentraram a gigantesca biblioteca. As paredes eram tão brancas quanto as externas, grandes janelas davam uma iluminação edênica ao lugar. As prateleiras eram todas de mogno e recheadas por centenas de milhares ou talvez milhôes de livros. Levariam anos para vasculhar tudo aquilo:
-OK, vamos nos dividir. - Foi a voz de Linda que quebrou o silêncio. - Pelo que contei são vinte fileiras, nos separaremos em duplas. Você otário. – e apontou para o garoto musculoso, que não parecisa ter se sentido ofendido pois apresentava um sorriso triunfante. - Vamos por aqui. - E se encaminhram para as duas primeira fileiras. Os outros fizeram o mesmo nas restantes. Os últimos a se afastarem foram Meyer e a garota chorona.
-Bem, se não me engano os livros estão divididos em assuntos e em ordem alfabética. Devemos estar na parte de biologia. Vá tirando os livros e me passando, você faz o trabalho braçal e eu o intelectual. - Vendo que o garoto ainda estava abobalhado completou: - Vamos!
-M..mas nós, eu p..pensei que.. - porém ele não precisou terminar, a garota já tinha entendendo o recado e exibia uma cara de profundo nojo:
-Não! Eca, cale essa boca e trabalhe se quiser sair daqui com vida.
E sem protestar o garoto retirou “Anatomia animal” da prateleira e passou desanimadamente para Linda, que pegou o livro, deu uma rápida folheada, uma chacoalhada e vendo que não continha nada além de vacas e cachorros cortados ao meio jogou-o com violência no chão. O mesmo aconteceu com centenas de livros seguintes.
O sol que entrava pela janela começava a cozinhá-los la dentro. A poeira antes acomodada junto aos livros na prateleira, agora causava espirros por toda a biblioteca. As folheadas e chacoalhões já não eram mais tão vigorosas devido ao sono que começava a tomar conta de todos ali. Foi um grito esganiçado de terror que rompeu o tédio e despertou a todos. Linda só pode ver um Meyer ensanguentado correr desesperado em direção a porta:
-Trasgo! Nas masmorras. - E dizendo isso desmaiou.


Música: Hisghway to hell - AC/DC

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5 - Sneer Aleksander
quarta-feira, 8 de abril de 2009


Os gigantescos portões perolados já estavam quase se fechando quando Sneer Aleksander chegou ao St. Jimmy. Antes de entrar no entanto, ele deu uma última encarada em seu reflexo numa barra metálica, era um garoto alto de cabelos e pele morenos. Sorriu para o portão dando uma última arrumada nos longos e lisos cachos e adentrou a magnífica propriedade.
Mas antes que qualquer detalhe físico pudesse chamar sua atenção, viu um homem corpulento de cabelos e barba muito negros e olhos brilhantes como uma bala, num impecável terno preto. Junto com ele vinham palavras de ordem:
Está atrasado senhor Aleksander, sua primeira aula está começando neste exato momento, dirija-se imediatamente para o campo! E me entregue seu celular, eles são proibidos por aqui. - A esta altura o homem já atingira um tom rosado, mas Sneer não se intimidou:
- Os últimos serão os primeiros, é isso que dizem, não? E a proposito, o rosa não combina com sua gravata.
As faces do homem que antes mostravam irritação, agora exibiam incredulidade. Como alguém com uma calça listrada em verde e amarelo, uma camisa rosa-choque e uma gravata laranja poderia lhe falar da moda? Logo ele que sempre estava em roupas tão elegantes!
O homem só ficou satisfeito quando viu que o garoto seguia para o campo e deixara um velho aparelho celular no chão.
Sneer ia sem pressa pelo trajeto cimentado, observando o máximo possível a propriedade, quando lançando um olhar para a cantina pode ver um garoto com roupas que foram extremamente limpas um dia, estirado ao chão, parecia ter acabado de acordar de um longo sono. O dorminhoco suplicava por algo, mas Sneer apenas disse:
- Eu ia sugerir uma cama – e apontando para uma das mesas – aí não parece ser exatamente confortável. - Dito isso, ele se virou e rumou para o campo. Pode ouvir no entanto passos cambaleantes atrás dele. Tornou a virar-se e pode ver o garoto com mais nitidez: era extremamente desengonçado o que o fato de estar bêbado agravava, seus olhos quase verdes estavam fora de foco e a cara abobalhada parecia ainda pior. Ele suava e começava a feder. Após algum tempo encarando Sneer, ele disse:
- Meyer. Em hipótese alguma deixe algum Johnny chegar perto de mim. - Sua voz era esganiçada e pouco firme.
-Não deixarei, se ele se aproximar eu lhe dou um tiro no meio da testa, Neville.- A menção do último nome causou um enorme interesse no garoto, que visivelmente fazia força para se concentrar.
-De que você me chamou? - Seu bafo atingiu a cara de Sneer que se contraiu violentamente, o cheiro era um misto de álcool e falta de escovação.
-Neville. Neville Longbotton de Harry Potter, sabe, vocês se parecem.
- Eu adoro Harry Potter – Meyer agora exibia um sorriso feio e Sneer pode notar um dente sujo – adoro mesmo! E até pareço com Neville, pois também fui criado com minha avó, mas meus pais não estão loucos, então talvez a comparacão não seja válida. Quer que eu te chame de Harry, ou talvez Voldemort, caso queira um ar mais sombrio, eu poderia falar para todo mundo que você me salvou de vampiros ou algo assim.
-Claro, eu adoraria – replicou ironicamente Sneer num tom seco, enquanto o garoto tomava fôlego para voltar a uma fala repreendida.
Chegaram ao campo e imediatamente todos se calaram, exceto uma garota que disse em voz baixa:
- Se você não calar a boca, seu pênis será um órgão inativo. - A voz fez Sneer tremer, mas as outras pessoas não pareceram ligar muito para isso e com exceção de um garoto que gargalhava retardadamente, todos os outros olhavam para eles, o que fez Meyer corar violentamente. Puderam ouvir a voz de repreensão do diretor:
-Senhores Lier e Aleksander, estão atrasados, queiram sentar-se, eu já ia começar. Mas antes que o diretor o fizesse Meyer adicionou em tom de desculpas:
-Desculpe-nos, é que fui atacado por vampiros próximo a cantina, se ele não aparecesse, provavelmente eu estaria morto agora.- Sneer sorriu e concordou com o que foi dito. Após isso, sentou-se bem no centro da primeira fileira, com Meyer ao lado direito.

Música: Fight to Live - Boucing Souls

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2- Johnny Fun
quarta-feira, 25 de março de 2009


O sol brilhava fortemente naquele que não era apenas mais um dia de aula, era o primeiro dia de aula, mas diferentemente dos usuais primeiros dias, nesse não haviam garotas ávidas por relatar com detalhes suas férias em alguma cidade européia, nem garotos narrando com detalhes suas conquistas mais valiosas. Não haviam grupinhos, havia apenas o indivíduo, sozinho, com um mundo novo se abrindo pra ele naquele primeiro dia de aula.
A escola de St. Jimmy aceita apenas alunos excepcionais. Ou com mentes excepcionais ou com contas bancárias excepcionais, dali sairiam os principais líderes políticos, científicos e esportistas do país. Pelos perolados portões do St. Jimmy não passava qualquer um, não era necessário apenas querer.
Johnny Fun acabava de cruzar a barreira que garantiria seu futuro e se deparou com a magnificância do St, Jimmy. O prédio era imponente, seus 7 andares eram pintados num branco reluzente que fazia arder os olhos mais sensíveis, o gramado era mais verde e bem aparado que o de qualquer vizinho e pesados muros de concreto cercavam a escola por toda sua extensão. Tudo aquilo fez Johnny abrir um largo sorriso, a satisfação de ver e estar no meio da elite que em breve seria o futuro do país quase chegava a satisfazer seu ego. Mas haviam ali cerca de 300 pessoas e ele não se contentava em ser apenas mais um, queria ser o melhor. A missão pareceu extremamente fácil quando ouviu uma voz sussurrar em suas costas:
-Uau! Isso aqui parece Hogwarts, só que no paraíso!
Nerd, pensou Johnny. Largou seu skate numa vaga não ocupada do estacionamento frequentado por Ferraris, Porsches e outros carros luxuosos e virou-se para encarar o garoto que acabara de falar. Não era alto mas tinha braços estranhamente longos e desproporcionais em relação ao resto do corpo. Johnny julgou que uns oculos de fundo de garrafa cairiam bem naquela cara magra e boba. Os olhos eram castanho esverdeados e o cabelo extremamente despenteado que muito negro cobriam sua cabeça dando-lhe um ar ainda mais lunático e sonolento. Mas o que realmente chamou a atençao de Johnny foram as roupas do menino, que eram extamente iguais as dele, mas em melhor estado. A camisa polo listrada em preto e verde limão que em Johnny se encontrava ligeiramente desgrenhada no garoto estava para dentro das impecáveis calças jeans, que em Johnny eram gastas e rasgadas na altura do joelho.
- Falou comigo nerd?- indagou Johnny com um sorriso desafiador que era realçado pelos cabelos castanhos e curtos , sua pele muito clara e seus olhos extremamente azuis, se é que assim poderiam ser.
Mas o garoto não respondeu, ficou olhando assustado para Johnny. Pelo visto ele não pensou que pudesse ser visível e nem ouvido. Procurou desesperadamente por outra pessoa ali para quem a pergunta puderia ter sido direcionada, porém não havia mais ninguém. O constrangimento do garoto levou Johnny ao delírio, e agora se divertia ao tirar um cigarro de maconha do bolso traseiro. Com um aceno da mão ofereceu ao garoto imóvel com os olhos surpreendentemente arregalados. Vendo que ele ainda não se predispusera a falar, Johnny resolveu partir para uma abordagem amigável:
- Bela camisa
- Ah, obrigado, minha avó quem escolheu – Johnny riu descaradamente ao ouvir a voz do garoto com maior nitidez. Esse obviamente era o motivo pelo qual ele falava tão pouco.
- Cara, sua voz parece a do meu tio , e ele está no hopspício – e com isso levou o cigarro a boca e após uma tragada anunciou
- Gostei de você. Johnny.
-Meyer- disse o garoto a contra-gosto. Ele ainda parecia estar em estado de choque, quando um homem imponente, vestido com um terno tão negro quanto seus olhos, cabelo e barba pousou a mão no ombro de Johnny que se virou sem pressa e o encarou por um momento antes de oferecer o cigarro que fumava e comentar.
-É da boa - mas o homem não pareceu gostar e sua feição permaneceu séria.
-Não aceitamos drogas aqui senhor Fun. Sugiro que se livre delas antes que façamos isso por você – Meyer pareceu querer se pronunciar, mas o homem foi mais rápido – no seu caso são permitidas senhor Leyer. Esperamos os senhores no campo para sua primeira aula. - E com um último olhar pra mão de Johnny o homem se encaminhou para outros alunos proximos a eles.
Quando se certificou que o homem não os olhava mais, Meyer percebeu que Johnny mantinha os olhos fixos nele com uma espécie de fascinação, ele ainda mantinha o baseado aceso e após uma longa tragada disse:
-O que você tem ai? - e vendo a cara de confuso de Meyer adicionou – de drogas?
- E...eu tomo alguns remédios, minha vó diz que eles me mantém controlado – e encarou Johnny que agora parecia idolatrá-lo:
- Demais! Podemos ser bons amigos sabe e agarrando o atrapalhado garoto pelo ombro, seguiram para a cantina.


Música: Ace of Spades - Motorhead

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