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34- A festa
quarta-feira, 1 de julho de 2009


Lyla estava colorida em preto e branco. Suas tranças pegavam fogo, mas este não se alastrava pelo resto do corpo, apenas queimava ininterruptamente a trabalhosa trança. Seus olhos congelavam, sendo difícil girá-los na órbita, a luz caia ameaçadoramente por ela e o som fazia tremer sua cabeça, dobrando tudo a sua vista.

As mãos de Linda se metamorfosearam em pinças, que em nada ajudavam-na a nadar contra o líquido dourado que começava a inundar o local. Assim que o este atingiu uma altura considerável, suas pernas se tranformaram num longa cauda escamosa: ela era agora uma sereia.

Sneer rastejava atrás do ouro, mas grilos e seus incessantes cantorios tentavam impedi-lo. O garoto seguia obedientemente o caminho indicado pelas luzes, fugindo dos olhares furiosos que o cercavam.

Meyer havia tirado a roupa, a pele de cordeiro começava a esquentá-lo e os comensais da morte não gostariam nada disso, quando descobrissem iriam atrás dele, precisava urgentemente de uma varinha.

O fogo adquirira vontade própria e fugira da sua trança, contudo, agora todo o local estava em chamas, que a loira tentava apagar, numa luta perdida contra os poderosos holofotes. O desespero começou a acometê-la, tudo tremia, o som golpeava sem dó seus frágeis ouvidos; tinha que fugir.

Linda nadava tranquilamente no adorável líquido dourado, iria afogar um por um seus inimigos, sem dó, agarrava-os com suas pinças e uma vez na profundeza do ginásio, aplicava-lhes seu fatal veneno, só precisava cuidar para que ninguém sentisse falta deles; iria fugir. Mas não o fez, não porque havia mudado de ideia, mas sim pelo fato do mar dourado ter se solidificado e ela ficado presa lá no meio, sem conseguir mover-se. Iriam descobri-la.

Da escuridão surgiram caçadores de ogros, carregando suas lanternas fluorescentes eles pareciam saber o que Sneer havia feito. Precisava fugir, se esconder. Chifres cresceram no topo de sua cabeça e o garoto começou a golpear fatalmente os inimigos, não seria vencido com tanta facilidade.

As luzes se apagaram e Meyer tratou de correr o mais rápido que pode para debaixo das mesas. Os comensais apareceriam a qualquer momento, precisava daquelas poções, mas qual seria a polissuco? Na primeira oportunidade que teve, driblou os trasgos e tomou tantas garrafas quanto conseguiu: funcionara, estava invisível, agora era só fugir.

O fogo voltara para Lyla, mas agora ele encharcava a garota sem no entanto ousar queimá-la, era uma sensacão estranha, um duelo entre seus sentidos. Na escuridão, a loira brilhava chamativamente. Se não conseguisse apagar-se, todos descbririam a verdade, Linda saberia de tudo.

A ruiva ainda estava presa, mas não por muito tempo, devido a alta volatilidade que adquirira, logo iria evaporar, seu cérebro e sua alma sairiam pelos seus poros. Ao longe avistou um cavaleiro branco, a esperança retornou a suas entranhas, estava salva.

O calor começava a sufocar Sneer, o ar se tornara irrespirável, mesmo com os caçadores derrotados, sua vida corria risco, teria que alcançar a porta e para isso precisaria cavar.

Meyer corria para porta, derrubando como pinos de boliche qualquer um que entrasse em seu caminho. Seus duendes de estimação festejavam a vitória dentro de sua cabeça. No entanto eles teriam que morrer, e o só o ar puro faria isso por ele.

O fogo cessara, mas parecia ser tarde demais. Um grande palhaço e um binóculo alado vinham na direção de Lyla. Ao chegarem o primeiro disse palavras sem nexo que fizeram-na rir. Em seguida fugiu e a loira o seguiu. Ele não escaparia de novo.

Uma árvore começou a segui-los, mas o cavaleiro branco parecia não se importar com isso. Linda tentava escapar de suas sombras, sua cauda agora eram uteis asas que permitiam-na voar acima da confusão. Seguiu a luz e chegou sem dificuldade a porta: estava livre, só precisava correr.

Cavar não funcionara, então Sneer começou a passar pela multidão dando cambalhotas; não demorou muito para que encontrasse a saída e pudesse voltar a respirar. Ao longe três massas de modelar corriam desembestadamente.

Um árvore de Natal estava parada na saída. Quando esta começou a se mover, Meyer a seguiu. Já lá fora os duendes abandonaram sua cabeça. Os comensais da morte nunca o encontrariam, tudo ficaria bem.


Música: Tomorrow Never Knows - The Beatles

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32 - Johnny e Sneer
sábado, 27 de junho de 2009


Os dias até a festa não tardaram a chegar. A chuva se aproximava do St. Jimmy com cada vez mais frequência, sem no entanto cair uma gota, tudo apenas um blefe do ceu. Assim como as ameaçadoras nuvens, Johhny passou a sair de seu selvagem escritório, devido aos preparativos para a grande noite, o garoto era visto por vezes na quadra, no campo, e na piscina; quando não lá estava, se encontrava com seus fiéis escuderos Andy Jordan e David Courtney, o primeiro sempre carregando seguramente consigo um pequeno e misterioso objeto metálico que já era alvo de comentários curiosos.
Diferentemente dos dias anteriores, na véspera da festa o trabalho havia diminuido, tanto que Johnny descasava feliz em sua rede, observando Lyla sumir em meio às árvores; a garota estivera estranha ultimamente, deveria ser culpa da lua cheia, julgou ele.

O intervalo que teria entre a saída da loira e a chegada de Andy era de apenas 5 minutos, precisava ter certeza de seus palpites, o viúvo se mostrara mais esperto que o desejável e não cairía em truques bobos.
Um quebrar de folhas secas anunciou o que ele esperava, levantou-se esperando ver Andy, mas era um colorido Sneer quem lá estava. A parte zombeteira de Johhny logo veio a tona:
-A que devo a honra de tão ilustre presença em meu humilde lar, madame? - A curiosidade era verdadeira, ele não tinha a mínima ideia, apenas vagos palpites.
-Queria compartilhar tão agradável presença. - Sneer também sorria, levantando uma das bochechas e cerrando um dos olhos, que desaparecia embaixo da franja de cabelos lisos e limpos.
-Ainda não enjoou dessa porra de ironia? - E riu fedidamente
-Ainda não enjoou dessa cara feia?
-Trate de dizer logo o que quer porque a merda da sua roupa está começando a me embrulhar o estômago.
Eles poderia continuar o duelo de gentilezas o dia todo, mas Sneer resolveu ir logo ao assunto:
-Deixe Lyla em paz. - Não era um pedido.
-Por que mesmo? - Johnny estava de pé, a poucos centímetros do colorido garoto.
-Tão logo o frio chegue, tão logo minha bondade passe, você irá precisar de mim, pra comer, para dormir. Seria uma pena se eu estivesse indisposto. - Seus olhos agora estam colados nos de Johnny, faíscas chegavam a saltar, a adrenalina subia a sua cabeça. Num rápido movimento o pálido rapaz inclinou a cabeça para frente, Sneer aguardou o golpe, mas tudo que ganhou foi um barulhento e molhado beijo na bochecha. Em seguida Johnny falou:
-Eu durmo com as garotas.
- Isso, é o que veremos, fica o aviso. - Sneer ia se virando para sair, mas parou ao chamado de Johnny que tinha a mão estendida:
-Pegue, para dar sorte. - Em sua mão repousava um pequeno trevo de quatro folhas que foi prontamente agarrado e sucedido por um esclarecedor olhar. Confuso Sneer se foi.


Música: Old Friend - Rancid

Glue Girl - Download: http://rapidshare.com/files/249044622/05Nikola_Sarcevic_-_Glue_Gril.mp3.html

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31- Sneer e Lyla
quarta-feira, 24 de junho de 2009


Sneer estava na biblioteca, lá a Inteligência iniciaria outra busca desesperada pela bomba; lá ele retomaria a busca pelo coração de sua amada dos cachos dourados. Enfileirados como soldados, a sua frente cerca de 30 pessoas aguardavam ordens obedientemente, estas vieram num tom desesperançoso:
-Certo, dessa vez nada escapará a nossos olhos, certifiquem-se de olhar todos os livros, prateleiras , corredores e janelas. Dividam-se em duplas ou trios, escolham uma fileira e boa diversão!
Meyer, o usual parceiro de Sneer havia faltado - perfeito- pensou e antes que Lyla pudesse se afastar agarrou-a pelo ombro, a garota virou-se assustada:
-Se importa de me ajudar? Meyer não apareceu e acabei ficando sem dupla. - Ele precisava ser convincente, já que não mantinha um diálogo decente com a garota desde o primeiro dia.
A loira ficou de olhos baixos e depois de um certo tempo pensando disse no seu mais meigo tom de voz:
-Claro, para qual prateleira nós vamos?
-Pouco importa. - A ansiedade crescia dentro dele, o resto já não fazia mais tanto sentido.
Caminharam errantemente por prateleiras já ocupadas, até que encontraram uma deserta; se tratavam de entediantes livros de química. Para a surpresa de Sneer, foi a loira quem falou:
-Você não quer só livros de química, não é mesmo?
-Não, serei direto. Você mudou – era uma afirmação – quando nos conhecemos você se importava mais com as pessoas que se importavam com você, dava mais valor aos amigos. - A reação da garota foi exatamente como ele esperava, seus olhos ficaram desfocados sinal de que ela se recolhera dentro de si mesma, tentando recordar um ano em poucos segundos, por fim falou:
-Os amigos continuam a ser a coisa mais importante para mim, mas não são a única, eu preciso viver também. Cansei de ser o exemplo, de fazer o que os outros acham certo.
-Você está se afastando, de sua irmã, de mim. Desde que começou a sair com esse Johnny Fun parece que não te conheço mais. - Ele exibia sua melhor cara de coitado.
-Nós conhecemos Johnnys diferentes, você não entenderia, pelo menos não por enquanto. - Lyla havia pensado muito nisso. Os corpos dela e de Sneer estavam muito próximos, o garoto levou seus dedos delicadamente às douradas madeixas acariciando-as e exibindo um leve odor de menta em sua boca disse:
-Faça-me entender. - A qualquer momento, pensou o garoto já de olhos fechados.
-Não – e Lyla se afastou – Não posso, me desculpe, tenho que ir. E se foi, abandonou a fileira onde estavam, e logo depois a biblioteca, deixando Sneer sozinho, com um grande vazio no peito e uma solitária lágrima serpenteado por suas bochechas até cair tristemente no chão.


Música: Glue Girl - Nikola Sarcevic

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17,5 - Linda e Sneer
quinta-feira, 14 de maio de 2009


Meyer saiu apressado e pouco tempo depois voltou com uma Linda molhada e enrolada numa toalha de banho. Uma de suas tatuagens deixou Sneer estupefato e seu queixo só voltou ao lugar quando a garota disse:
-Queria me ver Curinga? - Ela estava aborrecida – Esse maluco invadiu o dormitório feminino e me tirou no meio do banho!
-Tinham algumas garotas só de calcinha! - Meyer estava visivelmente animado.
-Bom trabalho Neville, agora se puder nos der licensa- Quando o garoto saiu, Sneer disse – Ele será punido, fique tranquila. Agora, aos negócios. - A garota não entendia bem o que estava acontecendo, mas isso não pareceu problema pois ele logo continuou – Preciso que você descubra o que Johnny está tramando.
-E por que eu faria isso?
- Porque você também quer saber – porém isso era mais um palpite que um fato. As sombrancelhas do garoto se contraíram ao dizer aquilo.
- Se eu quisesse já teria descoberto – a voz dela assumiu um tom desafiador. Sneer não pensara que teria problemas em persuadi-la e ficou sem palavras. Após deliciar um pouco o momento Linda propôs – Você mantém minha irmã longe dele e eu descubro pra você.
-Isso não será problema – a cor voltava ao rosto do garoto.
-Eu conheço minha irmã, temos um acordo?
-Sem dúvidas – Mas seu sorriso já não era mais tão confiante.


Música: Stickin in my eye - NOFX

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17 - Uma semana depois
quarta-feira, 13 de maio de 2009


A primeira semana transcorreu bem apesar do início turbulento. O sol nascia e se punha todo dia e a chuva passava longe do St. Jimmy. O sistema implantado por Sneer funcionava excepcionalmente bem no que dependia do Estado, As camas estavam sempre arrumadas, a roupa limpa e a comida pronta, fora isso não havia muito trabalho a fazer e sobrava tempo para a diversão, o ócio, discussões, amizades, armações e qualquer outra atividade que os privilegiados cérebros daqueles alunos pudessem imaginar. O susto causado pelo St. Jimmy parecia se dissipar e as preocupações se esvaírem. No entanto, a Inteligência não apresentava evolução, o insucesso na busca da bomba começava a deixar desesperançosos os mais confiantes. Sneer começou a ser questionado após a quinta busca infrutífera:
-Da próxima vez poupemos trabalho – dizia uma garota forte com cara de má. - vamos esperar o indiano ter uma visão. Centenas de teorias foram divulgadas, as mais esperançosas diziam que não havia bomba, porém a única verdade era que estavam perdidos.
Apesar das cobranças, Sneer era felicidade pura. Mesmo não tendo trocado mais nenhuma palavra com Lyla, a cada discussão ou briga da garota com Johnny, seu sorriso aumentava, de modo que também devido às suas coloridas roupas logo foi anonimamente apelidado de “Curinga” .
Outra que fazia questão de demonstrar a alegria por meio do brilho em seu sorriso e argolas era Linda, os motivos eram os mesmos de Sneer: as cada vez mais constantes e graves brigas de sua irmã com Johnny. A ruiva temia que Lyla sentisse algo pelo garoto, contudo as recentes observações aliviavam-na.
Meyer já não fedia mais e em pouco tempo deixou de ser questionado pelo que ocorrera na biblioteca. As pessoas fizeram questão de esquecer o mais rapidamente possível o que acontecera. O atrapalhado garoto aproveitou o bom humor de Sneer para voltar para baixo de suas asas.
Mesmo com as constantes discordancias com Johnny, o humor de Lyla era excelente, o que chegava a impressionar Linda, e parecia contagiar a todos que a cercavam. Não se sabe se foi o belo sorriso, o estonteante verde de seus olhos, seu onipresente e adocicado perfume ou o conjunto da obra, mas era ela a pessoa mais popular do St. Jimmy. Com exceção de Johnny, todos que conviviam 1 minuto com ela se encantavam.
O garoto que anteriormente fazia de tudo para aparecer, agora era pouco visto em público e quando o era estava fazendo a alegria de Sneer e Linda. Segundo o próprio Johnny, ele estava cuidando de seus negócios. Sabidamente (pois Sneer mandar Meyer seguir o abobalhado garoto) Johnny passava seu tempo numa parte obscura do pomar. Frequentemente garotas eram vistas saindo de lá aos risinhos, mas quando questinoadas sobre o que lá havia, se faziam de desentendidas. Meyer tinha sua teoria ao contar o que vira para Sneer:
-Vai ver ele usa leglimens nas pobre coitadas.
-Isso é o que descobriremos - replicou o garoto, como se não tivesse ouvido a maluquice dita pelo seu mais fiel servo. - chame Linda aqui – e ao ver que Meyer tentava entender o plano completou – Agora!


Música: Sell Out - Reel Big Fish

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16 - Sneer
domingo, 10 de maio de 2009


Sneer acordou no dia seguinte após um sono leve, o sol amanhecia preguiçoso, a grama brilhava o céu era arogantemente azul, um dia inspirante depserdiçado pelo medo que abatia o St. Jimmy No dormitório alguns dormiam e outros fingiam fazê-lo. Na cama ao lado Meyer fedia acordado e ao ver que Sneer também abrira os olhos se levantou, a coisa que o moreno menos precisava agora era brincar de babá, então tornou a fechar os olhos. Tentou lembrar-se de que o deixara tão aborrecido e logo a imagem de Johnny e Lyla veio a sua cabeça. Sua raiva pelo garoto bobo cresceu ainda mais e somente quando as primeiras pessoas se levantaram é que ele achou seguro sair da cama, enganou-se:
-Oi Voldy! - era a voz de Meyer.
-Nem vem, viva a sua vida, não a minha! Não sou seu pai ou seu parente, sai fora! - O garoto ficou sem reação e Sneer saiu bufando para o banheiro com uma toalha muito branca no ombro e roupas coloridas na mão se perguntando se não fora duro demais. Precisava esfriar a cabeça.
Mas seu pensamento logo se transformou quando ao passar por uma janela viu Lyla e Johnny próximos a antiga fogueira, eles pareciam estar discutindo, uma nostalgia bateu tão forte no peito dele quanto a mão de Lyla na cara de Johnny. O último ato recuperou as forças e o ânimo de Sneer, fazendo o velho sorriso prepotente voltar as suas faces. Continuou o resto do trajeto cantarolando “What a Wonderful World”.
Após o que ele julgou o melhor banho de sua vida, saiu para pregar avisos por todo o prédio:
TODOS SE DIRIJAM AO CAMPO ÀS 10 HORAS
No caminho encontrou Linda e comentou animado:
-Belo dia para se viver!
-Só para você – A garota usava preto, mas ele não tinha certeza se era por luto.
-Não ficou sabendo de sua querida irmã? - e após ver que Linda permanecia imóvel completou – Acabei de ver ela e aquele babaca brigarem feio, rolou até tapa na cara.
A notícia pareceu animar a garota que arriscou um sorriso e decidiu acompanhar Sneer até o campo onde ficaram discutindo:
Talvez a bomba esteja no subsolo, poderíamos tentar escavar isso. - disse a ruiva
-Não acho, apelativo demais, seria puro trabalho braçal, creio que o St. Jimmy espera mais de nós.
-Sim, ele espera que morramos logo.
Os dois riram da improvável piada, nem parecia que corriam contra o tempo e que um assassino estava a solta. Quando todos chegaram ao campo ele começou:
-Alguém do Estado queira vir até a frente por favor.- Lyla foi quem se levantou, ela parecia muito feliz. - É o amor – comentou Sneer de modo que apenas ela ouvisse. - Lyla, quero que divida seu pessoal, precisamos começar a trabalhar. Coloque alguns na cozinha, outros na lavanderia, no prédio principal. Dividirei os meus também, todos trabalharão pouco e teremos tempo para aproveitar essas agradáveis férias que o St. Jimmy nos deu.


Música: We Are Gonna Be Friends - The White Stripes

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15 - Todos
terça-feira, 5 de maio de 2009


Lyla seguiu para a cozinha atrás de comida. Agia mecânicamente, seus pensamentos estavam cada vez mais confusos. Primeiro Sneer aparecia ali no St. Jimmy, depois Johnny mostrava que não era um idiota completo e em seguida Linda ia atrás dele, no fundo sentia raiva da irmã por isso. A loira ainda usava o terno dado pelo inquieto garoto e ao fuçar um dos bolsos achou um papel e uma caneta, na hora não entendeu bem o significado daquilo e voltou ao preparo dos sanduíches.
Quando voltou ao campo, a fogueira já aquecia e iluminava todo o lugar, a cova já havia sido cavada, só faltavam mesmo os pouco cobiçados lanches. Por maior que fosse o cansaço, ninguém ali parecia estar com fome.
O enterro parecia uma tarefa a ser cumprida o mais rápido possível, todos ali desejavam o conforto e a solidão de suas camas, havia muito a pensar. A garota foi enterrada sem palavras gentis nem pomposas homenagens, ninguém ali a conhecia e nem iria fazê-lo.
Terminada a breve cerimônia, as isoladas, caladas, solitárias e imundas pessoas que ali estavam foram se encaminhando pouco a pouco para os dormitórios, rumo a uma noite mal dormida. No campo restaram só 5: Johnny, Lyla, Linda, Sneer e o inconsciente e fedido Meyer, os 4 primeiros estavam sentados em torno da fogueira que chegava ao fim e gerava cada vez menos calor para aquelas geladas almas. Por muito tempo ficaram calados ,cada um ali esperva ter a chance de ficar a sós com outro, mas nenhum, por teimosia ou persistencia, abandonou a fogueira. Lyla repousava a cabeça no ombro da irmã, os outros dois já não faziam o mesmo e após lentos minutos ouvindo apenas o som distante de um grilo cantar a morte numa distante árvore em luto, Johnny que não conseguia aquietar-se disse:
-Vamos acordar esse idiota. - Houve novamente silêncio, entendendo isso como um sim o garoto levantou se e disparou um poderoso chute na boca do estômago do fétido adormecido que acordou rapidamente. Sneer comentou:
-Que pena, eu já estava excitado com a possibilidade de dar-lhe um beijo.
Abrindo lentamente os olhos, Meyer perguntou tão assustado quanto confuso:
-Que houve? O pesadelo acabou vovó?
-Vovó o caralho, meu nome agora é Johnny Fun! - disse o menino e logo após soltou uma gargalhada gostosa.
-Somos nós que queremos saber o que aconteceu- Sneer interviu.
-Aconteceu? Onde? Quando? - O pálido rosto de Meyer exibia ainda mais dúvidas, se é que isso era possível.
-Na biblioteca, hoje a tarde, uma garota foi assassinada com uma facada no estômago, você é o único que pode ter visto algo. Conte-nos. - A didática transparecia na voz de Lyla.
- Pensei que era apenas um pesadelo, não me recordo direito, não houve som algum, quando me virei para pegar um livro eu a vi caída, agonizando pela vida. – Sneer soltou um suspiro, obviamente não pensara que Meyer soubesse o significado de agonizar – Foi tudo muito rápido, só pude ver um vulto negro fugindo pela janela, tentei fazer alguma coisa mas minhas pernas se recusavam a mover-se. O resto vocês sabem melhor que eu.
-Então não foi nenhum de nós? - A voz de Lyla parecia quase alegre.
-E..eu não posso ter certeza, foi tudo muito rápido, apenas um vulto – fazendo o rosto da garota murchar novamente.
-Não saímos do lugar não é mesmo? - comentou Linda
- Sim, ainda estamos todos em volta da fogueira. - A piada de Sneer não provocou risadas,
-Não me inclua nessa! Para mim o assassino é tão claro quanto que o indiano é uma bicha. - Johnny estava com os olhos fixos em Meyer, os outros 4 tinham os seus fixos nele. - Pensem um pouco, só temos a palavra dele – e apontou para Meyer – e eu não confio! - Seu rosto estava muito vermelho, as veias saltavam de seus braços.
-Você acha que esse idiota matou a garota? - Sneer, Lyla e Linda estavam indignados.
-É! Você acha que eu matei a garota? - a voz esganiçada de Meyer era fraca.
-Vocês entenderam meu ponto de vista. - Porém ninguém estava convencido.
-Por que não você? - Sneer estava articulando a ideia – você foi o único que se reusou a fazer qualquer coisa, disse que tinha seus negócios a resolver, que negócios são esses?
-Fui plantar minha erva. Não vou ficar 200 dias sóbrio, você usa seus métodos e falsos discursos para seus malditos objetivos, eu uso os meus.
-Temos somente sua palavra – e após uma pausa melodramática concluiu- e eu não confio.
Os dois garotos se encaravam ferozmente, a briga estava iminente, mas não seria um duelo de socos e pontapés, não, uma grande guerra estava por começar, entre duas mentes inquietas e um psicopata maluco. Tudo junto ao mesmo tempo.
-Já basta para mim! - Sneer iria explodir a qualquer instante – vou dormir, alguém vem? - Até ele tinha medo de andar sozinho.
Neville foi o primeiro a se levantar. Após uma significativa troca de olhares, Linda levantou decepcionada e seguiu os outros dois gaortos. O vulto de Meyer foi o último a desaparecer.


Música: Hate to Say I Told You So - The Hives

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13 - St. Jimmy
sexta-feira, 1 de maio de 2009


Foi a voz de Johnny que o sucedeu:
-Silêncio, o presidente vai falar. - E desatou a rir. Sneer virou-se para ele e seus olhos se cruzaram com os de Lyla, era o oxigênio que faltava para aquela combustão tornar-se completa:
-Você daveria falar mais, tudo que sai de sua boca é tão edificante! - No entanto Johnny não estava dando a mínima importância para o que ele falava. - Agora temos atitudes a tomar, creio que não há mais dúvidas de que isso tudo é real, não parece haver obstáculos que impeçam o St. Jimmy de nos dar uma pouco ortodoxa educação. - Ele não tinha pensado em nada daquilo, sua cabeça estava em outro lugar, mas as palavras continuavam a sair de sua boca. - Não podemos ficar parados lamentando tudo isso. O assassinato dessa garota não pode e não irá nos separar, temos que confiar uns nos outros, por mais difícil que possa ser. Somos tão fracos separados quanto fortes unidos. - estranhamente seus olhos foram parar em Johnny que sorria. - Acho que podemos começar dando um enterro digno à essa heroína que morreu por nosso futuro, mas antes gostaria que um representante de cada pelotão relatasse os resultados de sua operação. Não iremos ficar parados no momento em que mais precisamos trabalhar.
Os ouvidos de Sneer captaram aplausos singulares. Era Johnny, o garoto estava de pé e aclamava vigorosamente. Sem saber se isso era uma ironia ou não, ele apenas agradeceu, uma resposta adequada para qualquer uma das ocasiões, e continuou:
Fui um dos responsáveis por vasculhar o segundo e terceiro andares e ambos estão vazios. Nas classes não há carteira nem mesas ou cadeiras. Todas estão extremamente limpas, nem a poeira ficou para contar a história.
Ele sentou-se e foi seguido por um garoto negro, alto e forte com um sorriso que tentava mostrar simpatia. O rapaz relatou como era o quarto andar: composto por um laboratório muito bem equipado e aparetemente pronto para qualquer necessidade. Grandes janelas e azulejos brilhantes revestiam o local.
Foi sucedido por uma garota com braços e canelas largas e cara de má que descreveu o quinto andar como um grande salão de jogos na ala sul, com confortaveis poltronas, uma lareira elétrica, mesas de bilhar, baralhos diversos e todos os acessórios que um jogador poderia sonhar. Na ala norte se encontravam salas de estudo povoadas com escrivaninhas, papéis em branco e sofás de couro. O chão era de bambu e as janelas se repetiam, como em todo edifício.
Ela sentou-se e outra garota deu sequência com a descrição do sexto andar que coincidia com a do sétimo e último. Lá haviam dois dormitórios, camas arrumadas suficientes para todos, com as malas posicionadas ao lado das respectivas. Havia também um grande banheiro pronto para ser usado, com estoques de toalhas, sabonetes, shampoos, cremes, pastas e escovas de dentee e até acessórios de barbearia.
O grupo seguinte havia estado na lavanderia que se encontrava tão pronta para uso quanto os banheiros. No pomar haviam variados tipos de agricultura e o bosque era um agradável local para um passeio. O refeitório tinha espaço para todos se alimentarem simultaneamente, além de uma cozinha repleta de massas, grãos, carne, e outros suprimentos, porém o que mais chamava atenção era uma televisão de incontáveis polegadas que insistia em se manter desligada, assim como algumas câmeras espalhadas por toda a propriedade. O último fato pareceu intrigar não só o grupo que os relatara, mas aos que ouviam também. Havia uma ansiedade no ar que se referia ao momento em que os aparelhos seriam colocados para funcionar.
A última a falar foi Linda. Todos já haviam ouvido da garota o que acontecera, mas mesmo assim esse era o relato mais esperado:
-Durante o tempo que procuramos na biblioteca não encontramos nada além de livros velhos, sol massante, poeira e um cadáver. - Disse isso tudo impacientemente e voltou a sentar-se. Sneer retomou a palavra:
- Como nosso limpo e cheiroso amigo continua dormindo, creio que devemos prosseguir. Aparentemente não há mais ninguém na propriedade além de nós. - Todos já tinham chegado a essa conclusão, o assassino estava no meio deles. - Visto que o St. Jimmy aparentemente não quer nos matar de fome, creio que podemos começar a festa não é Johnny? - Mas as ironias de Sneer produziam bocejos e não risos, precebendo isso ele voltou ao tom sério – Temos um enterro a organizar, precisamos que algumas pessoas da Inteligência façam a cova aqui no campo mesmo, o Estado poderia nos providenciar a comida e uma fogueira. - O colorido garoto ficou mais tranquilo ao ver que não haviam discordancias em relação às suas decisoões.
Somente Johnny se levantou, as outras pessoas temiam a solidão na mesma intensidade que a compania:
-Alguém me leve até uma enxada, não vou matar mais ninguém hoje, prometo. - O comentário gerou indignação em quase todos, a exceção foi Linda que ordenou ao garoto:
-Me siga.


Música: 99 Red Baloons - Goldfinger

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12 - Linda, Sneer, Lyla e Johnny
quarta-feira, 29 de abril de 2009


O sol começava a se por quando todos voltaram para o campo. A morte da garota era muito mais que apenas uma simples e triste perda de vida jovem, era a confirmação de que aquilo tudo era real, sem pegadinhas ou brincadeiras: uma bomba explodiria os “300 futuros mais promissores do país”. Para piorar ainda havia um assassino a solta ou numa visão mais pessimista, no meio deles. A palavra esperança foi a primeira a ser riscada do dicionário do St. Jimmy.
Linda e os outros que estavam na biblioteca agora eram alvo de constante curiosidade e preconceito. A garota teve que repetir milhares de vezes que o único que poderia ter visto algo era o ainda desmaiado Meyer, na milhonésima primeira ela estourou e mandou todos para o inferno, mas foi prontamente avisada de que já estavam lá.
Sneer era de longe o que se mostrava mais forte, no entanto por dentro era pura tormenta. Toda a tragédia parecia extremamente boa quando comparada com o que ele sentia por Lyla, depois do episódio da sala ele evitava até mesmo olhar a garota que estava sentada sozinha, isolada, tremendo de frio num canto distante da arquibancada.
O sentimento se resfriava na garota e as gélidas brasas faziam seus belos olhos lacrimejarem.Ela só levantou a cabeça quando ouviu passos em sua direção, mas desapontada voltou a baixá-la, era Johnny:
- Não desperdice suas lágrimas por mim.- Tirou um baseado do bolso e ofereceu para a garota que aceitou, o que gerou uma risada seguida de um “Uau” por parte do garoto. - Tome, você parece estar com frio. - E estendeu-lhe o terno outrora roubado.
Lyla já não chorava mais. Estava um pouco desconfiada da bondade de Johnny e assim que vestiu a peça de roupa, devolveu o cigarro para o garoto que sorriu. Do mesmo modo que a irmã ela precisava descarregar a raiva em alguém, já tinha sentimentos problemáticos demais para se preocupar e olhando no fundo dos olhos do garoto disse:
- Como pode sorrir ainda? Você é surdo? Talvez cego? Não percebe o que está acontecendo. - Mas quanto mais fundo ela olhava nos olhos do garoto, menor era a raiva em sua voz, um pensamento veio em sua cabeça, sua intuição sabia que era verdadeiro, mas não poderia ser, simplismente não poderia.
-Já temos gente demais chorando por aqui, estamos todos na mesma merda, não devemos ficar uns contra os outros. Assim como vocês homenageiam a garota com lágrimas e belas palavras, eu prefiro um sorriso. Um assassinato já traz tristeza suficiente. - Contudo ele sabia que a morte da garota era o menor dos motivos pelos quais as maquiagens feitas numa manhã ainda bela se borravam.- Eu sou assim, e fodam-se os outros.
Mas antes que Lyla pudesse processar tanta informação, a voz de Sneer sobressaiu à dos demais:
-Precisamos fazer algo. - Não era uma sugestão, era uma ordem.


Música: Alone - Suicidal Tendencies

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